‘CINEMA ABRE AS PORTAS PARA O TEATRO DE SHAKESPEARE’

O cinema é uma ferramenta que pode proporcionar experiências incríveis e acesso a conhecimentos que normalmente não teria. Desde seu início, as projeções na grande tela assumiam o papel, que posteriormente passaria à TV, veiculando noticiários e novelas, mas com o passar dos anos ficou mais restrito a exibir somente filmes, longas-metragens, curtas e documentários. As sensações que provocam uma sala escura, uma tela enorme e o som diferenciado ultrapassam ao conforto de assistir em casa, por isso que o cinema ainda sobrevive.

De tempos em tempos as redes e distribuidoras, talvez pelo aumento de downloads e compartilhamentos ilegais de filmes, que ainda estão em cartaz, buscam alternativas para que as pessoas voltem as suas salas de exibição. Por vezes assistimos filmes clássicos voltando às telonas, shows internacionais, jogos de futebol, como a final da Liga dos Campeões da Europa. E uma nova descoberta é o teatro.

Uma arte muito respeitada e admirada, o teatro, dizem muitos atores, é aonde o ator se supera e mostra sua capacidade, porque tudo é ao vivo, sem repetição, o texto tem que ser gravado por completo e diversos outros fatores que dificultam e embelezam cada vez mais essa arte. Pode-se até atribuir o maior motivo de sucesso do cinema à estrutura narrativa e histórias que já eram usadas nos palcos. Talvez o maior nome da dramaturgia da História seja o de William Shakespeare.Muito adaptados são seus textos para teatro, TV e cinema. Diversas obras são baseadas ou inspiradas nas suas.

Quando se fala de adaptações shakespearianas e teatro, os ingleses são o maiores nomes. Com uma cultura muito mais teatral do que cinematográfica, a oportunidade de ver uma companhia de teatro inglesa fazendo Shakespeare não é algo comum, menos ainda morando em outro país.

O ator e diretor Kenneth Branagh, conhecidos por suas atuações em Shakespeare e por ser o professor Lockhart em Harry Potter e a Câmara Secreta, montou sua companhia com atores como Judi Dench, Richard Madden, Lily James e o próprio Branagh. Trazendo então a adaptação de Romeu e Julieta com Richard Madden e Lily James, sob o título de Romeu e Julieta – Branagh Theatre Live.

Apesar do texto original de William Shakespeare, o quê já é um diferencial e algo não tão comum, a ambientação é outra. Passa-se na Itália, assim como a versão inicial, em meados do século 20, o que funciona como razão para a versão dos cinemas ser em preto e branco, para fazer menção aos filmes da época em que se situa a história.

Não existe nada como teatro ao vivo, pode-se ver o talento dos atores de uma maneira que filmes e séries não permitem. Os maiores nomes do elenco com certeza são Richard Madden (Game of Thrones), Lilly James (Cinderella) e Derek Jacobi (Gladiador) como um Mercutio mais velho. São artistas relativamente famosos mas que se destacam com certeza nessa adaptação, o humor de Jacobi e a intensidade de Madden e James com certeza os colocaram em um patamar que seus trabalhos anteriores não os tinham deixado.

A dificuldade do texto de Shakespeare é grande e os atores demonstraram um domínio de suas falas, um entendimento e expressão de emoções além de usarem com naturalidade a rebuscada linguagem. Pode-se dizer que a atuação no teatro tem um nível de dificuldade acima ao que o público está acostumado a ver no cinema e na TV, e acima desse nível teatral estão as obras shakespearianas, o elenco se sai muito bem e até surpreende em momento longos e complicados do texto.

O cinema tem essa possibilidade de trazer oportunidades como esta de assistir Romeu e Julieta ao vivo pelo país que mais produziu obras de Shakespeare. Oportunidades essas que infelizmente não vem com tanta frequência mas não deveriam ser desperdiçadas pela importância e a particularidade que tem de manter para sempre e espalhar para o mundo esta adaptação que se perderia quando a peça saísse de cartaz.

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