NETFLIX | THE OA -TEMPORADA 1 (CRÍTICA)
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Roteiro
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Trilha Sonora
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‘ESCOLHA NO QUE ACREDITAR E QUESTIONE’

Última surpresa do ano da Netflix, logo de cara, The OA convida o telespectador a deixar a porta da frente aberta ao começar a série. Metaforicamente, a série (ou Prairie Johnson ou Nina), sugere que, quem aceitar escutar a sua história ao longo da temporada, deixe sua mente aberta para o que está prestes a ouvir. The OA é uma fantasia de conceitos, mistério e emoção, onde sua imaginação se transporta imediatamente para onde o narrador está descrevendo.

Criada pela protagonista Brit Marling (O Sistema, O Universo no Olhar) e escrita por Zal Batmanglij (O Sistema), o enredo acompanha uma jovem cega chamada Prairie “The OA” Johnson, que retorna à pequena Crestwood sem explicação depois de sete anos desaparecida, com a visão boa e cheia de cicatrizes nas costas. No decorrer dos oito episódios encomendados, Prairie não conta sua história para ninguém, exceto a cinco pessoas aparentemente aleatórias, mas que possuem um sentimento em comum: todos estão infelizes. Numa busca por convencimento, a jovem tenta ajudar os amigos, enquanto os convence a ajudá-la a se livrar de um perigo iminente e resgatar seu amor do ‘mal’.

The OA pode não agradar a quem procura uma série de ficção científica padrão com início, meio e fim.

Com uma narrativa complexa, The OA pode não agradar a quem procura uma série de ficção científica padrão com início, meio e fim. Os primeiros episódios escondem o verdadeiro propósito da série em uma bateria de informações perdidas, que apenas nos episódios seguintes são encontrados e devidamente explicados. Assim como os cinco escolhidos por ela, o telespectador tem que estar convencido, ou, pelo menos, ouvir a história fantasiosa de uma garota desacreditada pela família, autoridades e moradores da cidade, para conseguir assistir a série até o fim. É aquela incomum trama que ou você se conecta ou muda de título no primeiro diálogo confuso.

O roteiro de Batmanglij é muito bom em misturar realidade e dimensões alternativas em momentos pontuais da série, que em primeira impressão pode confundir, mas que no final surpreende. O roteirista cria uma atmosfera tão angustiante e empática tanto nas partes da vida de Prairie, enquanto criança e desaparecida, quanto no desespero dos coadjuvantes em reencontrar um sentido na vida, porque seus dramas são, na maioria, o que muitas pessoas passam em muitos lares. Aliás, os conhecidos do público Brit Marling (Prairie), Emory Cohen (Homer), Scott Wilson (Abel Johnson), Alice Krige (Nancy Johnson) e Jason Isaacs (Dr. Hap) desenvolvem muito bem seus personagens ao longo do ano de estreia, sabendo lidar com as diferentes situações ocorridas até um season finale surpreendente. Os novatos Patrick Gibson (Steven Winchell), Brandon Parea (Alfonso Sosa) e Ian Alexander (Buck) parecem à vontade em seus papéis, mas seus personagens só devem ser mais explorados em um eventual nova temporada.

Roteiro de Batmanglij é muito bom em misturar realidade e dimensões alternativas em momentos pontuais da série

The OA mergulha em diversas questões socioculturais, na aceitação como indivíduo, na família, e científicas. Sem dúvidas, o arco do cativeiro aborda todos esses temas da forma mais estranha – no bom sentido – possível. Já no presente, o subconsciente é tão singular que pode ser tão complexo quanto a galáxia como tão desesperador quanto o vazio. No final, deixa mais perguntas de como vão explorar esse interior tão único e magnífico, o que aumenta a ansiedade por uma segunda temporada, e por respostas, é claro.

A Netflix agraciou seus fãs mais uma vez com uma série de ficção científica à altura de grandes produções do gênero. Apesar de deixar mais questionamentos do que soluções, o maior trunfo de The OA é a capacidade deixar o telespectador decidir no que acreditar e questionar. A maior pergunta, no fim, é se estamos convencidos.

Ficha Técnica

The OA
Distribuidor: Netflix
Gênero: Drama
Classificação Etária:
Data de Lançamento:  2016
Tempo de Duração: 60 minutos
Criadores: Zal Batmanglij , Brit Marling
Direção: Zal Batmanglij
Produção: Brit Marling, Plan B, Anonymous Content, Zal Batmanglij, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Michael Sugar
Elenco: Brit Marling (Prairie Johnson), Emory Cohen  (Homer), Jason Isaacs  (Dr Hunter Hap), Scott Wilson  (Abel Johnson), Alice Krige  (Nancy Johnson), Phyllis Smith  (Elizabeth “Betty” Broderick-Allen), Brendan Meyer  (Jesse), Riz Ahmed  (Elias Rahim), Paz Vega  (Renata), Nikolai Nikolaeff  (Roman Azarov)

Sinopse:

Prairie Johnson é uma garotinha cega que desaparece. Sete anos depois, ela retorna, com a visão perfeita. A jovem (Brit Marling) tenta explicar aos pais o que aconteceu durante a sua ausência. Para a surpresa de todos, ela diz que nunca realmente se foi, mas estava em outro plano da existência… Num lugar invisível.

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