A realidade pode ser mais divertida do que parece

 

É assim que Tim Burton desenha a trajetória de “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas” (Big Fish – 2003). O filme que foi baseado no livro de Daniel Wallace conta a história de Edward Bloom (Albert Finney) e tem a narrativa fundamentada na sua relação pouco íntima com seu filho Will.

A relação difícil de Will com o pai é explorada durante todo o filme que conta com dois narradores: Will, para a realidade atual, e o próprio Ed para os flashbacks que se encarregam de apresentar ao público as maravilhosas histórias um Ed ainda criança (Perry Walston) e também jovem, interpretado por Ewan McGregor, que mostra uma atuação divertida e com doses de charme sempre que necessário.

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Will é um jovem jornalista que não mantém uma relação com o pai por acreditar não o conhecer verdadeiramente, já que Ed sempre o contou histórias pouco prováveis, mas quando sua mãe Sandra (Jessica Lange) o telefona para falar do grave estado de saúde do pai, ele vê uma última chance de finalmente conhecer Edward Bloom e viaja junto com Josephine (Marion Corttilard), sua esposa, para a casa onde passou toda a infância. Curioso pela vida de Edward, Will parte em busca das versões verdadeiras das histórias, enquanto o público se diverte com os flashbacks das memórias de Ed, aventurando-se com o gigante (de verdade) Karl, interpretado por Matthew McGrovy, perdendo-se na cidade pouco conhecida de Spectre e finalmente conhecendo Sandra (quando jovem Alison Lohman), o grande amor de sua vida e mãe de Will. A cena em que Edward vê Sandra pela primeira vez no circo é uma das mais bonitas do filme, tanto pela fotografia e uso apropriado de efeitos visuais, quanto pelo texto, que é, ainda hoje, uma das falas mais queridas pelos fãs do diretor.

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O roteiro, assinado por John August (Charlie e A Fantástica Fábrica de Chocolates), é bem trabalhado, mas pode confundir os cinegalácticos mais desatentos por conta dos flashbacks, presentes em todo o filme. A fotografia do longa, dirigida pelo francês Philippe Rousselot (também de Charlie e A Fantástica Fábrica de Chocolates) é bem característica e lembra, em alguns momentos, o clássico de Tim Burton, Edward Mãos de Tesoura, que teve sua trilha original utilizada no trailer de Big Fish, como uma homenagem ao longa-metragem preferido de Burton. Falando em trilha sonora, esta é de Danny Elfman, que esteve presente nas trilhas de quase todos os filmes do diretor. Elfman mesclou muito bem as músicas da época com temas instrumentais para ilustrar as histórias de Ed, e mesmo em cenas que merecem nossa maior atenção visual, a trilha não passa despercebida.

A grande mensagem do filme sobre o que é realidade ou não fica clara por meio de Will, que se descobre também um grande contador de histórias (afinal, ele é um jornalista!), após investigar a “verdadeira” vida do pai. O final pode não surpreender tanto, mas com certeza é muito comovente, tanto pela beleza das cenas, quanto pelo desenrolar da trama entre os dois contadores de histórias da família Bloom.

O longa-metragem, que foi lançado no Brasil em 2004, recebeu indicação ao Oscar de melhor trilha sonora. Em BAFTA (Reino Unido) recebeu sete indicações, incluindo melhor filme e melhor direção. Quatro indicações ao Globo de Ouro, nas categorias de melhor filme, melhor direção, melhor trilha sonora e melhor canção original (Man  of the Hour, de Eddie Vedder) e indicado para melhor filme estrangeiro, no  Prêmio David di Donatello (Itália).

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas nos questionam não somente sobre o que é, de fato, a realidade, mas se é ou não apenas uma questão de escolha fazer a realidade mais divertida e extraordinária. A linha entre o que é real ou fantasioso é bem mais sóbria do que pensamos e Tim Burton, mesmo disfarçando suas maiores influências no cinema, como o Expressionismo Alemão, consegue nos indagar sobre toda a existência e imaginação com um filme divertido, charmoso e surpreendentemente belo.

Ficha Técnica

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PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS (BIG FISH) 
Distribuidor/Produtora:  Europa Filmes
Gênero: Comédia dramática, Aventura
Classificação Etária: Livre
Data de Lançamento: 2003
Tempo de Duração: 2h 05 minutos
Direção: Tim Burton
Roteiro: John August
Produtores: Dan Jinks, Bruce Cohen
Trilha Sonora: Danny Elfman
Diretor de Fotografia: Philippe Rousselot
Cenografia: Dennis Gassner
Elenco: Ewan McGregor (Edward Bloom – jovem), Albert Finney (Edward Bloom – idoso), Jessica Lange (Sandy Bloom – idosa), Alison Lohman  (Sandy Bloom – jovem), Helena Bonham Carter (Jenny), Robert Guillaume (Dr Bennett), Billy Crudup (William Bloom) Danny DeVito ( Amos Calloway).

SINOPSE:
Ed Bloom (Albert Finney) é um grande contador de histórias. Quando jovem Ed saiu de sua pequena cidade-natal, no Alabama, para realizar uma volta ao mundo. A diversão predileta de Ed, já velho, é contar sobre as aventuras que viveu neste período, mesclando realidade com fantasia. As histórias fascinam todos que as ouvem, com exceção de Will (Billy Crudup), filho de Ed. Até que Sandra (Jessica Lange), mãe de Will, tenta aproximar pai e filho, o que faz com que Ed enfim tenha que separar a ficção da realidade de suas histórias.

Netflix | Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Crítica)
Roteiro
Direção
Elenco
Fotografia
Trilha Sonora
Montagem
Pontos Positivos
  • Roteiro
  • Caracterização
  • Trilha Sonora
Pontos Negativos
  • Efeitos
  • Fotografia
4.1Pontuação geral
Avaliação do leitor: (2 Votos)

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Sobre o autor

Thaís de Oliveira
Trooper (Crítica)

Estudante de Jornalismo, crítica de cinema, cronista nas horas vagas e amante da cultura brasileira. Tim Burton é o seu diretor favorito.