NETFLIX | FIRST THEY KILLED MY FATHER (CRÍTICA)
Direção
Roteiro
Fotografia
Elenco
Efeitos Visuais
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“UMA FILHA DO CAMBOJA RECORDA”

Netflix anda lançando muitos filmes originais, com uma ótima qualidade, sempre buscando novas visões do mundo. Um ótimo exemplo dessa prática é First They Killed My Father, filme original filmado totalmente no Camboja. Sendo o quinto da carreira de Angelina Jolie como diretora, o longa busca mostrar a vida de uma sobrevivente do regime comunista no Camboja, que começou em 1975. O filme centra-se nos primeiros anos desse acontecimento.

Este filme, baseado em fatos reais, conta a história de Loung Ung, na época uma menina de cinco anos de idade, que de uma hora para outra vê sua vida despedaçada por conta da revolução comunista no Camboja, nos anos de 1970. De sua pacata vida na capital, a pequena acaba por entrar em um campo de cultivo de alimentos do Khmer Vermelho, a organização que comandou o país, até ver-se sendo treinada para o combate.

O filme de Angelina Jolie é tocante, pois alia uma história difícil a decisão de mostrar todos os acontecimentos pela visão de Ung. No que diz o roteiro, ele é confuso em certas partes, mas também pode ser proposital – é a própria Ung quem escreveu o livro, First They Killed My Father – A Daughter of Cambodia Remembers, de onde o filme é baseado, e que ajuda Jolie a adaptar às telonas. A visão pouco conexa é reflexo da vivência da protagonista à época. Algumas partes do filme não parecem se encaixar muito bem ao roteiro, principalmente a julgar o final um pouco confuso, mas deve-se levar em conta que o único ponto de vista são de fragmentos da memória da principal. Na questão de diálogo, não há muitos. O filme é contado pelas suas situações, e não pelas suas conversas, como a visão de uma espectadora de tudo aquilo, novamente por conta do ponto de vista do filme ser de uma criança.

A atuação não busca ser um primor, mas demonstra uma grande preocupação em ser próxima à reação de como seria a reação de quem viveu a época. Visões baixas, olhar sempre desconfiado, medo. Tudo isso podia ser visto pelos adultos que Ung via por onde passava, e isso foi refletido muito bem. A própria atuação da pequena Sareum Srey Moch é tocante. Uma menina que sabe que as coisas não estão bem, mas que não consegue expressar uma reação ao que acontece, e se recolhe ao silêncio e a obedecer ordens. A direção busca seguir a ideia do roteiro de mostrar tudo sobre a perspectiva da menina. Todos os enquadramentos são na altura dos olhos de uma criança, e sempre até onde a visão de uma criança pode chegar. As exceções à essa ideia são quando há alguma visão mais ampla da situação, como nas imagens aéreas que permeiam o longa.

Os efeitos especiais e visuais ficam por conta das explosões e mutilações que aparecem no decorrer. Não é um filme fácil de se ver, principalmente ao levarmos em conta as sequências de morte e mutilação por causa do conflito. As cenas são convincentes e conseguem mostrar a dura realidade de uma guerra.

Este é um filme para ser visto mais pela visão de quem viveu, e nem tanto por suas qualidades técnicas. Em First They Killed My Father, qualidade técnica é o de menos, ao se ver a história de como a pequena Ung sobreviveu sob o comando do Khmer Vermelho, dominando o Camboja durante os anos 60. É uma recordação de quem realmente viveu o horror da guerra, ainda mais aguçado por buscar mostrar todos estes horrores pelos olhos de uma garotinha entre seus cinco e sete anos de idade.

Ficha Técnica

FIRST THEY KILLED MY FATHER (First The Killed My Father: A Daughter of Camboja Remembers)
Distribuidor: Netflix
Gênero: Biografia, drama
Classificação Etária: 16 anos
Data de Lançamento: 15 de Setembro de 2017
Tempo de Duração: 2h 16min
Direção: Angelina Jolie
Roteiro:  Angelina Jolie
Produção:  Netflix
Elenco: Sareum Srey Moch (Ung), Phoeung Kompheak (Pa Ung), Sveng Socheata (Ma Ung)

Sinopse: Camboja, 1975. Quando o regime comunista do Khmer Vermelho assume o controle da capital do país, Phnom Penh, a pequena Loung Ung (Sareum Srey Moch) é obrigada a deixar para trás sua casa e seguir com a família para o interior. Num campo de trabalho forçado ela convive diariamente com o horror, a fome, o medo e a ameaça de separação dos pais e irmãos. Baseado em fatos reais.

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