‘SERÁ O MOMENTO QUE O PROFESSOR ROBERT LANGDON DEVE SE APOSENTAR DAS TELONAS?’

O lançamento do filme O Código Da Vinci (2006) levou luz a todas as obras de Dan Brown e seu personagem Robert Langdon trouxe ao mundo real uma busca por segredos milenares com ajuda da ciência e um pouco de ocultismo. A segunda adaptação foi Anjos e Demônios (2009) e a relação com temas secretos, mas que todos conhecem, como, Illuminatis garantiu um buzz ao filme.

Enredo reduzido a uma batalha binária “bem versus mal”

Talvez o que mais incomode o espectador é que Inferno, diferente das adaptações anteriores, não traz uma compilação de teorias da conspiração, seitas e, para as mentes mais imaginativas, resulte em uma obra balançando na linha realidade/ficção. A Direção continua a cargo de Ron Howard, que dirigiu as demais adaptações, mas dessa vez apresentou um ritmo mais desacelerado e cenas de ação menos empolgantes. O Roteiro é finalizado com algumas pontas e, aos mais desatentos, pode parecer confuso. Dessa vez encontramos Langdon em um hospital, ferido e sem lembranças dos acontecimentos recentes. Esses gaps da sua memória vão se preenchendo no decorrer do filme e, junto com o desenvolvimento da história, chegamos ao clímax que segue moldes já conhecidos.

A trupe do “eu li o livro e não é assim que acontece” também vai se retorcer pela pouca fidelidade em alguns momentos. O enredo foi reduzido a uma batalha binária “bem versus mal” o que minimiza ainda mais as reviravoltas do filme.  O livro A Divina Comédia de Dante Alighieri é o fio condutor na missão de Robert que dessa vez é salvar o mundo de um vírus que pode dizimar grande parte da humanidade. O nome do vírus? Inferno. Muito criativo, não é mesmo?

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Tom Hanks repete seu papel como Robert Langdon e Felicity Jones vive Sienna Brooks

Em questões mais técnicas, como, Trilha Sonora, o longa obtém sucesso, mas é interessante perceber como a áurea de filme policial dos anos 80/90 está presente e funciona bem. A Computação Gráfica não é o pilar principal do longa, mas foi usada como bengala em algumas cenas e não é a melhor produção já vista. Em contraponto, a parte estética é bem agradável e usa com sabedoria os belíssimos cenários da Itália.

Tom Hanks repete seu papel como Robert Langdon e, obviamente, cumpre bem o que lhe foi proposto. As atuações em geral são medianas, mas Felicity Jones, que vive Sienna Brooks, mandou bem e garante profundidade. Na outra ponta está Omar Sy, que interpreta Christoph Bruder, e apresenta um trabalho extremamente caricato, forçado e, quase, incômodo de assistir.

O filme não pode ser definido como ruim, pois cumpre o papel de entreter, mas certamente é a adaptação mais fraca. Será que nos deparamos com o momento que o Professor Robert Langdon deve se aposentar das telonas? Só a bilheteria de Inferno poderá nos dizer.

Ficha Técnica

inferno_dan-brown-1 INFERNO
Distribuidor/ Produtora: Sony Pictures
Gênero: Suspense, Policial
Classificação Etária: 14 anos
Data de Lançamento: 13 de Outubro de 2016
Tempo de Duração: 1h 25min
Direção: Ron Howard
Roteiro: David Koepp
Produtores: Brian Grazer, Michael De Luca, Ron Howard, Dan Brown, Doug Belgrad, Diloy Gülün
Trilha Sonora: Hans Zimmer
Montadora: Tom Elkins
Fotografia: Salvatore Totino

Elenco: Tom Hanks (Robert Langdon), Felicity Jones (Dr. Sienna Brooks), Ben Foster (Bertrand Zobrist), Omar Sy (Christophe Bruder), Irrfan Khan (Harry Sims ‘The Provost’), Sidse Babett Knudsen (Dr. Elizabeth Sinskey) e Ana Ularu (Vayentha), Jon Donahue (Richard Savage).

Sinopse
Florença, Itália. Robert Langdon (Tom Hanks) desperta em um hospital, com um ferimento na cabeça provocado por um tiro de raspão. Bastante grogue, ele é tratado por Sienna Brooks (Felicity Jones), uma médica que o conheceu quando ainda era criança. Langdon não se lembra de absolutamente nada que lhe aconteceu nas últimas 48 horas, nem mesmo o porquê de estar em Florença. Subitamente, ele é atacado por uma mulher misteriosa e, com a ajuda de Sienna, escapa do local. Ela o leva até sua casa, onde trata de seu ferimento. Lá Langdon percebe que em seu paletó está um frasco lacrado, que apenas pode ser aberto com sua impressão digital. Nele, há um estranho artefato que dá início a uma busca incessante através do universo de Dante Alighieri, autor de “A Divina Comédia”, de forma a que possa entender não apenas o que lhe aconteceu, mas também o porquê de ser perseguido.

CRÍTICA | INFERNO
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Trilha Sonora
3.5Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

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