‘DESAPROVAMOS O DESCASO COM O BEM-ESTAR DE ANIMAIS EM QUALQUER PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA’

Estamos em uma era em que a preocupação com o meio ambiente e os direitos dos animais são assuntos recorrentes na mídia. Com a sociedade cada vez mais atenta a essas questões, as medidas em prol da proteção da vida animal são cada vez maiores. É o caso da lei de proibição do uso de animais selvagens em circos, adotada por um número cada vez maior de países, retratada enfaticamente no filme Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood , e das diversas empresas de cosméticos que abriram mão dos testes em cobaias.

O selo “Nenhum animal foi ferido ou maltratado durante as filmagens” conferido pela American Humane Association (AHS), está aí para garantir o bem-estar dos animais utilizados em produções cinematográficas. Mas nem sempre é assim. Divulgado pela TMZ na quarta (18), um vídeo dos bastidores do filme “Quatro Vidas de Um Cachorro” mostra um cão assustado sendo forçado a entrar em uma piscina de águas agitadas (leia a notícia aqui), com de parte da equipe de produção no set.

Tai, que interpreta Rosie em Água para Elefantes, teria sido espancada e recebido choques nas filmagens.

O caso não é isolado. Em 2012, Peter Jackson, diretor das trilogias O Senhor dos Anéis e O Hobbit, divulgou um comunicado negando as acusações de ferimentos e mortes de animais durante o período de filmagens após uma série de denúncias. Segundo treinadores, 27 bichos teriam morrido durante as produções de O Hobbit, devido a péssimas condições a que eram submetidos.

Já em Água para Elefantes (2011), o próprio roteiro aborda o tema ao mostrar a elefanta Rosie, que trabalha no circo, sendo espancada durante o treinamento. Tai, que interpreta Rosie, teria sido adestrado através do incentivo e das recompensas, mas um vídeo liberado pela Animal Defenders International mostra uma realidade diferente. Nele, diversos elefantes em treinamento são espancados e recebem choques, Tai entre eles. Antes da liberação do vídeo, a AHA já havia se manifestado em relação a utilização de animais selvagens na produção do longa, afirmando que as condições de trabalho dos elefantes do filme haviam sido apuradas, e não houve sinal de abuso.

Após ter acesso a um e-mail de uma funcionária da American Humane Association, a revista norte-americana Hollywood Reporter deu início a uma investigação sobre diversos casos de maus tratos em produções hollywoodianas, e questionou o envolvimento da organização na tentativa de abafar os acontecimentos. No e-mail enviado a um colega, Gina Johnson relatou o quase afogamento do tigre King, de As Aventuras de Pi, durante as filmagens do longa, e deixou claro: “Não conte isso a ninguém! Especialmente ao escritório!”. Após a publicação da reportagem, a funcionária deixou a organização, sem motivos especificados.

Gina Johnson relatou o quase afogamento do tigre King de As Aventuras de Pi.

A crueldade e o descaso com os animais se tornam ainda mais chocantes diante das possibilidades da indústria cinematográfica. Com tantos recursos disponíveis (As Aventuras de Pi fez uso constante da computação gráfica!), é surpreendente que algumas produções ainda não coloquem o bem-estar de seus atores – incluindo animais, acima de uma boa tomada.

Nota de Repúdio

A tripulação da nave CineSideral desaprova o descaso com o bem-estar de animais em qualquer produção cinematográfica. Não podemos compactuar com atitudes como vista no vídeo, porque acima de qualquer crítica cinematográfica está a nossa ética como indivíduos conscientes e participantes para construção de uma sociedade sadia. Por isso, optamos por não divulgar conteúdos que promovam positivamente o filme “Quatro Vidas de Um Cachorro”.

 

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