“Para fãs o filme é um grande presente, mas para ‘leigos’ é uma grande confusão”

“Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos” é lançado em um momento em que adaptações do universo dos HQs podem estar caminhando para uma padronização e, possível, saturação. Nesse contexto, percebemos que os games são a base para novos blockbusters, mas diferindo-se muito do já visto em adaptações noventistas ou do início dos anos 2000 (não desvalorizando tais produções que podem, facilmente, serem revisitadas com o auxílio da Netflix, como, “Mortal Kombat de 1995).

“Warcraft: Orcs & Humans” é o primeiro jogo da franquia e foi lançado em 1994 pela produtora Blizzard. Já se percebia a grandiosidade do game e a complexidade do universo e histórias apresentadas, não por menos entre os diversos produtos licenciados estão aproximadamente 20 livros. O longa toma essa produção de estreia como ponto de partida e desenvolve o roteiro a partir da batalha entre humanos e orcs com alguns desdobramentos que ensaiam uma profundidade na história, mas fica nítido que a tentativa não obteve sucesso.

LOTHAR

Sente-se que o filme pode ser dividido em dois públicos: jogadores ou aqueles que conhecem a ambientação do game através do diverso material que envolve o jogo e não jogadores que podem se sentir bem perdidos. Para fãs e conhecedores da saga, o filme é um grande presente, mas para “leigos” é uma grande confusão. O roteiro, adaptado pelo diretor Duncan Jones, apresenta lacunas que o próprio espectador deve preencher ou então apenas aceitar que o roteiro seja extremamente raso e que o foco do filme seja entreter e surpreender com o realismo na computação gráfica, o conceito de fantasia e a forma excelente que foi aplicado.

As atuações prendem-se ao mediano e o roteiro pode ter colaborado com esse resultado, pois com a pouca profundidade nas histórias não se pôde desenvolver os personagens. O protagonista é Travis Fimmel (mais conhecido por ser Ragnar Lothbrok da série “Vikings”) e dá vida a Lothar. De certa forma é o protagonista do lado humano do filme, enquanto como principal orc o destaque vai para Durotan. A criatura fantástica teve os movimentos cedidos por Toby Kebbell e a nova tecnologia para a produção do personagem impressiona.

Estéticamente o filme atinge um nível impecável e todo o visual conta com profissionais de excelência que participaram de produções consagradas e populares, como, “Star Wars” e “Avatar”. A trilha sonora arremata a viagem a esse fantástico universo da fantasia, foi composta por Ramin Djawadi que já trabalhou em diversos sucessos de bilheteria, como, “Homem de Ferro” (2008) e “Círculo de Fogo” (2013). Interessante também a fidelidade em alguns aspectos ao “duplicar” cenários já conhecidos pelos jogadores. Certamente esses são os pontos mais fortes do filme: a grande riqueza técnica, o detalhamento visual, a excelente edição e mixagem de áudio e o uso consciente e sábio do 3D.

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Para transformar o público de não jogadores em um grandioso público capaz de lotar sessões de um blockbuster, assim prosseguir com os demais filmes da saga e concretizar o projeto de trilogia, é necessário fazer um filme com roteiro mais conciso, mas talvez os conhecedores das terras de Azeroth considerem o longa uma obra-prima, porque nem sempre se vê um filme feito por gamers e para gamers.

Ficha Técnica

WARCRAFT – O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS (WARCRAFT)
Distribuidor/Produtora:  Universal Pictures
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Classificação Etária: 12 anos
Data de Lançamento:  2 de Junho de 2016
Tempo de Duração: 2h 04 min
Direção: Duncan Jones
Roteiro: Charles Leavitt, Duncan Jones
Produtores: Thomas Tull, Charles Roven, Alex Gartner, Jon Jashni, Rebecca Steel Roven
Trilha Sonora: Ramin Djawadi
Montador chefe: Paul Hirsch
Diretora de elenco: Mary Vernieu
Diretor de efeitos visuais: Christian Alzmann

Editor dos efeitos Especiais: Jeff White
Editor dos efeitos de personagens: Jason Smith
Elenco: Travis Fimmel (Anduin Lothar), Toby Kebbell (Durotan), Paula Patton (Garona), Ben Foster (Medivh), Dominic Cooper (King Llane Wrynn), Ben Schnetzer (Khadgar), Robert Kazinsky (Orgrim), Clancy Brown (Blackhand), Daniel Wu (Gul’Dan), Ruth Negga (Lady Taria), Anna Galvin (Draka), Callum Keith Rennie (Moroes), Burkely Duffield (Callan), Ryan Robbins (Karos), Michael Adamthwaite (King Magni), Callan Mulvey (Warrior), Kyle Rideout (Officer), Andre Tricoteux (Orc War Captain), Jill Morrison (Indecisive Woman), Dylan Schombing (Varian Wrynn), G. Michael Gray (Tower Guard), Donavon Stinson (Prison Soldier), Mackenzie Gray (Lordaerian Delegate).

Sinopse
O mundo pacífico de Azeroth está à beira de uma guerra enquanto sua civilização enfrenta uma raça temível de invasores: guerreiros Orcs fugindo de sua casa moribunda para colonizar um novo lugar. Enquanto um portal se abre para conectar os dois mundos, um exército enfrenta destruição e o outro enfrenta a extinção. De lados opostos, dois heróis são colocados em um caminho de colisão que irá decidir o destino de suas famílias, seu povo e seu lar. Então, uma saga espetacular de poder e sacrifício começa, onde a guerra tem muitas faces, e todos lutam por algo.

Crítica | Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos
Roteiro
Direção
Elenco
Efeitos Visuais
Montagem
Trilha Sonora
Pontos Positivos
  • Computação Gráfica
  • Edição/Mixagem de Áudio
  • Trilha Sonora
Pontos Negativos
  • Roteiro
  • Atuações
3.1Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

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