‘MOMENTOS DE HUMOR SÃO BEM ENCAIXADOS, E NÃO SE PERDEM NA HISTÓRIA’

Apesar de abordar a clonagem de seres humanos, “Um Homem Só”, dirigido por Cláudia Jouvin (A Noite da Virada – 2014), está longe de ser um filme de ficção científica, afinal, a criação do clone só está ali para servir de apoio ao verdadeiro foco do longa: a reflexão sobre a vida. O protagonista submisso, que não enfrenta as próprias frustrações e procura a solução mais fácil para os seus problemas é apenas mais uma pessoa entre muitas.

Preso a um casamento fracassado e ao emprego medíocre, Arnaldo (Vladimir Brichta) vê uma chance de recomeçar do zero quando descobre a existência de uma clínica de clonagem clandestina. A princípio, a ideia lhe parece brilhante. O clone irá substituí-lo, deixando-o livre para seguir um novo caminho. Finalmente desligado de seu passado, Arnaldo se envolve com Josie (Mariana Ximenes), uma moça mais jovem, que trabalha em um cemitério de animais.

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Arnaldo (Vladimir Brichta) se envolve com Josie (Mariana Ximenes)

Em contraposição ao contido protagonista, Josie se mostra muito mais solta. Fala o que pensa e age, pelo menos na maior parte do tempo, sem se preocupar com as consequências. É ela quem traz mais um importante questionamento para o filme: a morte e como lidamos com ela. Os personagens são simples, mas nem por isso deixam de ser interessantes. Interpretando dois papéis, o ator Vladimir Brichta passa as diferenças entre Arnaldo e seu duplo de forma sutil, mas bem colocada, e Mariana Ximenes está excelente como a ruiva despreocupada. Ingrid Guimarães, no entanto, fica um pouco apagada no papel da controladora Aline, com quem Arnaldo é casado. O tom reflexivo do filme não atrapalha em nada o timming cômico. Pelo contrário. Os momentos de humor são bem encaixados, e não se perdem na história. O personagem de Otávio Müller, melhor amigo de Arnaldo, é particularmente divertido, e representa a confusão do próprio espectador com toda a situação.

A Fotografia de Adrian Teijido dá ênfase as diferentes fases da vida do protagonista. O apartamento de Arnaldo, assim como seu ambiente de trabalho, é escuro e sem vida, e passa a sensação um local que desagradaria a qualquer claustrofóbico. Já o cemitério de animais, onde o personagem ironicamente se sente mais livre, é claro e cheio de cores. Os efeitos especiais também não pecam ao colocar as duas versões de Vladimir Brichta em cena ao mesmo tempo.

Mariana Ximenes está excelente como a ruiva despreocupada

Em momento algum o filme se preocupa em dar grandes explicações. A origem da clínica, por exemplo, jamais é mencionada, assim como o fato de Arnaldo, um homem de classe média, ter condições de pagar por um procedimento obviamente caro. O centro da história são as pessoas, e sua capacidade de lidar com os obstáculos que precisam enfrentar em busca da felicidade.

O roteiro de “Um Homem Só” escorrega ao optar pelas soluções mais fáceis, e a partir de certo momento,  a trama desenvolve-se de maneira confusa.  Apesar disso, a premissa é interessante, e os diálogos bem colocados tratam de questões humanas extremamente complexas de forma leve e divertida.

Ficha Técnica

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UM HOMEM SÓ
Distribuidor/ Produtora: Downtown Filmes
Data de lançamento: 29 de Setembro de 2016
Gênero: Drama, Comédia
Classificação: 14 anos
Duração: 1h 34min
Direção: Cláudia Jouvin
Roteiro: Cláudia Jouvin
Produção: Marina Carneiro da Cunha, Mariana Ximenes
Fotografia: Adrian Teijido
Montagem: Bruno Lasevicius, Pedro Amorim
Direção de Arte: Cláudio Amaral Peixoto, Joana Mureb
Figurinista: Ana Avelar
Engenheiro de Som: Paulo Ricardo Nunes
Editor de Efeitos Sonoros:Miriam Biderman, Ricardo Rei
Maquiador: Martín Macías Trujillo
Supervisor de pós-produção: Juca Diaz
Animador: Allan Sieber
Elenco: Vladimir Brichta (Arnaldo); Mariana Ximenes (Josie), Ingrid Guimarães (Aline), Otávio Muller (Mascarenhas), Eliane Giardini (Leila).

Sinopse:
Frustrado com o casamento falido e o emprego medíocre, Arnaldo descobre uma clínica clandestina e decide resolver seus problemas com uma solução “brilhante”: clonar a si mesmo e sumir do mapa. Em sua nova fase, ele se apaixona pela irreverente Josie, e procura se desprender de seu passado.

 

CRÍTICA | UM HOMEM SÓ
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Efeitos Especiais
4.0Pontuação geral
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