CRÍTICA | UM HOMEM DE FAMÍLIA
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‘ONDE ESTÁ A REDENÇÃO DOS FILMES DE DRAMA?’

A redenção tem sido um dos temas mais visto em gêneros de drama. A nova produção da California Filmes traz Um Homem de Família, em estreia de Mark Williams como diretor, que trata o típico homem ambicioso viciado em trabalho, e somente a chegada de um grave problema é possível acordar o personagem para voltar ao caminho do bem.

Gerard Butler (Invasão a Londres, 2016) dá vida a Dane Jensen, um experiente caça-talentos em uma empresa de recrutamento, que se entrega por inteiro ao trabalho. Casado com Elise (Gretchen Mol), sua presença em casa se torna cada vez mais rara quando seu chefe Ed Blackridge (Willem Dafoe) oferece uma grande promoção para o líder de equipe que bater a meta. Com uma forte concorrente, ele e Lynn (Alison Brie) precisam dar o sangue se quiserem ter o cargo, mesmo que coisas erradas façam parte do jogo. Em meio a muitas queixas de sua esposa por não dar atenção à família, Dane só se dá conta, quando um sério problema de saúde com seu filho (Maxwell Jenkins) passa despercebido. Então, ele que tem rever todo seu comportamento, não só em sua vida pessoal, como também no trabalho ao mesmo tempo que lida com o câncer na família.

Em uma trama previsível, Mark não arrisca em seu primeiro filme na direção. Com um elenco experiente, o desperdício chega a ser doloroso ao coloca-los em personagens padrões de dramas clichês. Gerard Butler, que é veterano na arte da redenção, encara as diversas fases de Dale, que enfrenta a esperada promoção de uma forma malandra e manipuladora ao mesmo tempo que se sente perdido por não sabe lidar com a doença do filho. O que causa uma confusão no público, quando o protagonista tenta se aproximar da família de forma contraditória. É possível ver cenas em que ele faz piadas com a doença do filho, ou em outras que continua preocupado com o trabalho mesmo ao seu lado no hospital. Gretchen Mol (Manchester à Beira-Mar, 2016), que tem boa experiência em séries, é uma personagem fraca no roteiro. Com uma vida conformada, vemos essa situação em muitos casos presentes fora da ficção. Uma mulher de antigo padrão que vive para cuidar dos filhos, das tarefas domésticas e suporta um marido que nem ouve seus questionamentos. Além de Willem Dafoe (A Grande Muralha, 2016), indicado duas vezes ao Oscar (1986 e 2000) mostra o típico chefe rude que só pensa em dinheiro e espera uma postura de seus funcionários semelhante à máquina. Alfred Molina (Homem-Aranha 2, 2004) tem uma participação quase distante, mas é o personagem modelo, com um quê de psicologia, na trama. Sem ao menos conhecer o protagonista pessoalmente, leva Dale a refletir as suas prioridades, onde o público vê a direção na mudança de vida do protagonista.

O design do filme é muito marcado pelas construções históricas e arranha-céus, assim como, ambientes abertos que mostram a visão da cidade em diversas formas. O motivo por ser bem presente é o desejo do filho de Dale em ser arquiteto e na tentativa do pai de entrar no universo do filho. Além dos monumentos, o enquadramento foi bem feito junto à iluminação das cenas no filme, que deram destaque na bela arquitetura da cidade. Apesar do longa conter a luta contra uma doença delicada, não vemos cenas puxadas somente para o lado do sofrimento, onde se sustentam no ritmo até na parte da rotina do filho doente, o que dá uma certa leveza na trama. Uma observação são as reações negativas sem esperanças das pessoas quando se trata de um câncer em diversas partes no filme, que se assemelha em muitas atitudes que temos diante desse assunto.

O drama tenta refletir sobre a busca ambiciosa por mais dinheiro e o esquecimento do que já temos conquistado, e falha ao colocar uma “máscara” no personagem, como se ele tivesse alcançado o objetivo do filme com apenas algumas aberturas para a família, que parece continuar em segundo plano. Apesar da trama ser favorável em sua fotografia e elenco, não espere um filme surpreendente e muito menos com chances de premiações.

Ficha Técnica


UM HOMEM DE FAMÍLIA (A Family Man)
Distribuidor: California Filmes
Gênero: Comédia, Drama
Classificação etária: 12 anos
Data de Lançamento: 18 de Maio de 2017
Tempo de Duração: 1h 08min
Direção: Mark Williams
Roteirista: Bill Dubuque
Trilha Sonora: Mark Isham
Produção:  Bill Dubuque, Alan Siegel, Nicolas Chartier, Craig J. Flores e Mark Williams

Elenco: Gerard Butler (Dale), Willem Dafoe (Ed), Alfred Molina (Lou), Alison Brie (Lynn), Gretchen Mol (Elise), Marxell Jenkins (Ryan), Dustin Milligan (Summer) e Anupam Kher (Dr. Savraj Singh)

Sinopse:
Um implacável caça-talentos corporativo de Chicago está em guerra para conseguir assumir o controle das contratações de equipe da empresa. Em meio a rivalidade no trabalho, um acontecimento na família faz com que ele coloque em conflito sua vida pessoal e profissional.

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