CRÍTICA | THE WALKING DEAD (8º TEMPORADA)
Direção
Roteiro
Elenco
3.0Pontuação geral
Avaliação do leitor: (0 Votos)

‘OITAVO ANO ENCERRA ARCO DA GUERRA TOTAL COM INTELIGÊNCIA’

Há duas temporadas que The Walking Dead não via uma pontinha de esperança. As sétima e oitava temporadas introduziram um dos melhores arcos dos quadrinhos nas telinhas, A Guerra Total, e apresentou um dos maiores vilões do programa, Negan. Com o faca, o queijo, e a melhor premiere da série até hoje, The Walking Dead tinha tudo para adaptar o arco da melhor forma possível.

Conforme o sétimo ano foi passando, percebemos que não foi bem assim. A série encontrou vários problemas narrativos e desconexões dramáticas. Não havia interesse em desenvolver o embate entre Rick (Andrew Lincoln) e Negan (Jeffrey Jean Morgan) e, nos 16 episódios, o roteiro foi basicamente destinado a personagens coadjuvantes e aleatórios que não faziam a diferença no contexto principal. Isso acarretou numa queda imensa de audiência, que foi se estendendo até o oitavo ano.

A mais recente temporada tinha uma grande missão pela frente: finalizar o arco da Guerra Total – prorrogada em duas temporadas -, fechar algumas tramas particulares que só vagaram na série nos últimos anos, como foi o caso de Morgan (Lennie James) – que por sinal mudou de casa e vai fazer companhia para Maddison em Fear The Walking Dead -, e trazer de volta os fãs que, infelizmente, desistiram de acompanhar. A passos lentos, The Walking Dead foi se encontrando até achar a luz no fim do túnel.

A adaptação de A Guerra Total para as telinhas não é tão fiel quanto nos quadrinhos, mas os eventos que foram novidades na trama, como a triste morte de Carl (Chandler Riggs), servem para resolver o ponto-chave da narrativa: a humanidade – mais ainda em Rick. A definição de sobrevivência intensamente trabalhada no personagem o transforma em uma pessoa que não era, cruel e sem piedade. O ultimo ano serve como um ponto de virada do protagonista, o momento em que o ele se dá conta de que não há necessidade de ser sempre o herói e salvar o dia, mas ser um mártir para as pessoas que o seguem – não fosse pela acertada e inesperada morte de seu filho, nada disso seria possível. Negan, por sua vez, não acrescenta tanto na passagem do protagonista. Responsável pela cena mais impactante da série até aqui, o personagem desenvolve pouco, ficando apenas num vilão caricato e ‘escroto’ – não é culpa de Jeffrey Jean Morgan, entretanto, porque o ator faz o personagem da melhor forma possível. O problema fica por conta de prioridades, que Gimple, o então  showrunner, não definiu.

O novo ano falha também em deixar de lado personagens centrais da série, como fizeram com Michonne (Danai Gurira) e Daryl (Nornam Reduus). A espadachin se resumiu a choros a cada episódio, e Daryl se perdeu na sua dor interna e sede de vingança. Ao invés disso, foca alguns episódios em desenvolver a relação de Aaron (Ross Marquand) com seu namorado, o povo do lixão e as meninas de Oceanside – muito boa para jogar molotov. Entretanto, nem todos os centrais são esquecidos. Maggie (Lauren Cohan), por exemplo, evolui a cada temporada e se mostra uma líder excelente. Carol também teve sua trama finalizada muito bem – nada de tão marcante, só mais uma criança.

A oitava temporada de The Walking Dead fecha um ciclo e não deixa nada para resolver no eventual nono ano. A nova showrunner terá liberdade suficiente para inovar a série e trabalhar melhor os personagens. O que resta para os fãs de The Walking Dead após essa última temporada é esperança, pois material bom – Sussurradores, Maggie X Rick -, é o que não falta.

Comentários

comentários