CRÍTICA | RESIDENT EVIL 6: O CAPÍTULO FINAL
Direção
Roteiro
Elenco
Efeitos Visuais
Montagem
3.5Pontuação geral
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‘O GANCHO PARA NOVAS PRODUÇÕES ACONTECE, MAS O DESFECHO SATISFAZ’

O que dizer de 2017 que mal conheço, mas já considero pacas? Esse ano está recheando os cinemas de superproduções, continuações e revivals de diversos filmes que obtiveram sucesso comercial no passado. Entre as apostas está a finalização da saga Resident Evil. No longa com subtítulo autoexplicativo “O Capítulo Final” assistimos o desfecho da história de Alice, que mesmo inspirada na franquia de games optou por seguir um caminho bem diferente do visto pelos jogadores.

O roteiro assinado mais uma vez por Paul W. S. Anderson (Resident Evil – The Series, 2015), que também é diretor do filme, se resume de forma bem simples. Alice deve voltar a Colmeia da Umbrella Corporation, pois lá está a cura para o T-virus, mas a missão deve ser concluída em 48 horas ou então o fim da humanidade está garantido. Nessa corrida contra o tempo reencontramos grandes aliados presentes nos filmes anteriores, mas também inimigos que compactuam com os ideais sinistros e apocalípticos da Umbrella.

Milla Jovovich não poderia estar mais confortável na pele de Alice.

Certamente o grande problema da saga foi o “esgarçamento” da história para produção de mais filmes caracterizando-se como uma franquia caça-níqueis. Talvez isso cause a sensação de lacunas ainda vazias e personagens apresentados anteriormente sem desfecho. O filme claramente não tem o objetivo de entregar nada de novo na saga, mas sim finalizar a história com possíveis reviravoltas. Embora o alvo seja encerrar a trama central, vemos a inserção de novos personagens, mas sem grande representatividade ou expressão, como por exemplo, Abigail, vivida por Ruby Rose (que também está em cartaz com o filme XXX: Reativado).

Milla Jovovich (Resident Evil 5: Retribuição, 2012) não poderia estar mais confortável na pele de Alice, embora o auxílio de computação gráfica em cenas mais complexas de luta tenha sido utilizado. Assistimos a atriz transpassar toda a maturidade de Alice em uma atuação com poucos diálogos, afinal, o que arrasta uma legião de fãs fieis em Resident Evil não é a sagacidade e expressividade do roteiro. O trabalho de Milla não pode se resumir apenas a esta saga, mas é inegável como a atriz ficou eternizada com o papel e é difícil acreditar que alguém pudesse cumprir a incumbência com tamanha capacidade e sucesso.

Embora o alvo seja encerrar a trama central, vemos a inserção de novos personagens.

O diretor Paul W. S. Anderson, que dirigiu quatro dos seis longas e roteirizou todos, não apresenta um filme impecável ou que fuja dos clichês tão presentes na consciência coletiva, mas apresenta um produto capaz de entreter e imergir nesse universo aterrorizado por zumbis. O andamento dinâmico do filme remete a relação de Paul com o universo dos games onde tudo é resolvido através da ação e os diálogos servem como bengala para desenrolar a trama.

Em aspectos técnicos, o filme entrega aquilo que já conhecemos, mas agora o uso do 3D não parece um tiro tão certeiro em cenas frenéticas de ação com cortes rápidos e diversos planos. Os momentos de lutas milimetricamente coreografadas chegam aos olhos de forma meio borrada em decorrência do uso de pouca luz. Óbvio que essa iluminação tão minimalista recria um ambiente de horror psicovisceral e de terror claustrofóbico já apresentado no primeiro filme. Interessante perceber como esse comeback não soa pobre, pelo contrário. Essa reintegração com locais já conhecidos agrega camadas de profundidade estética ao filme, face que os cenários estão com um requinte obscuro que Paul W. S. Anderson desenvolveu muito bem ao longo das seis produções.

Pegada de filme de ação, que não era tão presente nos primórdios da saga.

Se sente o ar nostálgico nos primeiros momentos do filme quando se apresenta uma compilação da história preparando o público para o eletrizante desfecho. A volta as raízes está estridente também na narrativa que remete ao apresentado nos primeiros filmes, além disso, a pegada de filme de ação, que não era tão presente nos primórdios da saga, também aparece de forma moderada e não sendo o foco.

Em Resident Evil 6: O Capítulo Final, há um grande clima de despedida e percebemos que esse tempo todo vimos, não apenas Alice matando zumbis, mas alguém que buscava se encontrar. Os que ainda querem ver mais desse universo, uma boa notícia: o gancho para novas produções está lá, mas o desfecho apresentado para a saga satisfaz os fãs, principalmente aqueles que acompanham Alice há 15 anos quando a moça apareceu em uma mansão em Raccoon City.

Ficha Técnica


RESIDENT EVIL 6: O CAPÍTULO FINAL (Resident Evil: The Final Chapter)
Distribuidor: Sony Pictures
Gênero: Ação, Terror
Classificação Etária: 14 anos
Data de Lançamento:  26 de janeiro de 2017
Tempo de Duração: 1 h e 47 minutos
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteirista: Paul W.S. Anderson
Produção: Jeremy Bolt, Paul W.S. Anderson, Don Carmody, Victor Hadida, Martin Moszkowicz
Diretor de Fotografia: Glen MacPherson
Montador: Doobie White
Diretora de Elenco: Suzanne Smith

Elenco: Milla Jovovich (Alice), Ali Larter ( Claire Redfield), Iain Glen (Dr. Isaacs), Shawn Roberts (Albert Wesker), Ruby Rose (Abigail), Eoin Macken (Doc), William Levy (Christian), Lee Raviv (School Girl), Kevin Otto (Male Teacher)

Sinopse:

Sobrevivente do massacre zumbi, Alice (Milla Jovovich) retorna para onde o pesadelo começou, Raccoon City, onde a Umbrella Corporation reúne suas forças para um ataque final contra os remanescentes do apocalipse. Para vencer a dura batalha final e salvar a raça humana, a heroína recruta velhos e novos amigos.

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