CRÍTICA | REDEMOINHO
Direção
Roteiro
Fotografia
Direção de Arte
Edição Sonora
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‘SEM MUITOS ELEMENTOS NARRATIVOS, ENQUADRAMENTOS E FOTOGRAFIA IMPRESSIONAM’

José Luiz Villamarim é um dos diretores brasileiros que mais ficaram em evidência  no ano de 2016. Sua direção em O Rebu, Justiça e  Nada Será Como Antes foi muito elogiada por seu cuidado estético com as imagens, entre outras coisas. Sua primeira aparição no cinema veio cercada de expectativas por causa desses seus excelentes trabalhos anteriores. Redemoinho, adaptação do livro “O Mundo Inimigo – Inferno Provisório Vol. II” de Luiz Ruffato é seu é 1° filme, e um novo passo na sua carreira, podendo até se dizer, arriscado, por ser uma linguagem bem diferente das suas produções para TV.

Vilamarim resolveu começar sua trajetória nos cinemas com um drama, ambientado em uma cidade do interior de Minas Gerais. A história coloca em foco a relação de amizade entre Luzimar (Irandhir Santos) e Gildo (Julio Andrade). Após um longo tempo, eles se reencontram em Cataguases, cidade em que cresceram. Luzimar trabalha em uma tecelagem e nunca saiu da região, já Gildo resolveu ganhar a vida morando em São Paulo e volta para visitar a mãe (Cassia Kis Magro) na véspera de Natal. Além disso, um acontecimento do passado assombra a vida dos personagens.

Vilamarim faz sua estreia nos cinemas

A história de Gildo é mais uma de um brasileiro que não tem muitas oportunidades em uma cidade do interior e vai tentar a vida em uma cidade grande. Até aí sem nenhuma novidade entre produções brasileiras desse tipo. O que deixa o enredo interessante é a história de Luzimar, que nunca deixou a cidade natal deles e continua vivendo e trabalhando nela desde a época que eram crianças. Não há uma resposta se um modo de vida é melhor que o outro, mesmo sabendo que na cidade grande as condições provavelmente serão melhores. Ponto positivo para o roteiro. Porém, infelizmente os pontos positivos param por aí. Cenas com pouco diálogo, pouco desenvolvimento dos personagens e do tema principal fazem a narrativa ficar bastante superficial.

Irandhir Santos, Julio Andrade e Cassia Kis Magro em cena

Em compensação, os enquadramentos, a fotografia (Walter Carvalho), a direção de arte (Marcos Pedroso) e a edição sonora trazem uma beleza incomum as cenas dos protagonistas e da cidade. Vilamarim nos traz enquadramentos muito bonitos, conseguindo na maioria das vezes dar um toque de poesia as cenas. Walter Carvalho com sua fotografia, consegue imagens impressionantes de um lugar comum e sem muita beleza no seu dia a dia. A direção de arte (Marcos Pedroso) faz os cenários e os personagens serem muito bem retratados no contexto da história. E a edição sonora, por exemplo, com a passagem do trem cortando a cidade, une os personagens com  a narrativa.

Redemoinho é um passo ousado na carreira de José Luiz Villamarim. Comparando com suas últimas produções de TV, temos os mesmos erros e acertos. Os aspectos técnicos são muito bem desenvolvidos, enquanto o roteiro peca pelos motivos citados acima. A parte estética vai sempre muito bem, já o desenvolvimento da história e dos personagens nem tanto.

Ficha Técnica

REDEMOINHO
Distribuidor: Vitrine Filmes
Gênero: Drama
Classificação Etária: Não recomendado para menores de 14 anos
Data de Lançamento:  09 de fevereiro de 2017
Tempo de Duração: 100 minutos
Direção: José Luiz Villamarim
Roteirista: George Moura
Diretor de Fotografia: Walter Carvalho
Produção: Vania Catani
Direção de Arte: Marcos Pedroso

Elenco: Irandhir Santos (Luzimar), Cássia Kis Magro (Marta), Julio Andrade (Gildo), Dira Paes (Toninha), Démick Lopes (Zunga), Inês Peixoto (Suzi), Camilla Amado (Bibica), Cyria Coentro (Hélia).

Sinopse:
Baseado no livro “O Mundo Inimigo – Inferno Provisório Vol. II”, de Luiz Ruffato. Em Cataguases, cidade de Minas Gerais, dois amigos acabam se reencontrando após muito tempo separados. Na véspera de Natal, os dois se reúnem para uma conversa regada a muita bebida, que desperta em Luzimar e Gildo, a oportunidade de reavaliar seus caminhos e de falar sobre suas lembranças, seus remorsos e suas alegrias.

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