CRÍTICA | PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
CGI
Trilha Sonora
4.2Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

‘A GUERRA QUE SURPREENDE A CADA MOMENTO’

A franquia O Planeta dos Macacos, que teve seu início em 1968, sempre me pareceu fascinante. Lembro da primeira vez que assisti em uma tarde do Cinema em Casa do SBT e fiquei tão impressionado com toda a ambientação e impactado com o desfecho do primeiro longa, que fui procurar mais a respeito e vi que tiveram várias sequências. Certamente aos poucos fui buscando ver os outros filmes, algo que não era tão fácil como na era da internet, mas graças a Deus existiam ótimas locadoras VHS para isso. Enfim, toda a história sempre gerou muita imaginação e teorias miraculosas em roda de conversas com os amigos e principalmente com meu pai, que sempre me apresentou ótimas obras do Cinema.  O último filme da série original foi A Batalha do Planeta dos Macacos e o retorno dos símios veio justamente 38 anos depois em Planeta dos Macacos – A Origem (2011), que conta o início que levou aos acontecimentos e ambientação do filme de 1968 estrelado magistralmente por Charlton Heston. Minhas teorias vieram todas à lembrança e o ar nostálgico veio com tudo. Agora, com o último filme dessa trilogia moderna sobre os “apecalypse now”, Planeta dos Macacos: A Guerra vem para dar um bom desfecho ao personagem César (Andy Serkis) e a origem de uma nova sociedade, mas também deixar pontas soltas para nossa imaginação.

A história é ambientada após anos dos acontecimentos de Planeta dos Macacos: O Confronto, onde vemos um César mais velho e cansado protegendo seu lar e povo de constantes caçadas realizadas por uma força paramilitar liderado por um impiedoso coronel (Woody Harrelson), que acredita que a evolução símia é a futuro do extermínio dos humanos. Um evento faz com que César lute contra seus instintos, saia em uma caçada em busca de vingança e proteger definitivamente sua espécie.

O enredo é muito interessante, porque a primeiro momento o subtítulo “A Guerra” é bem sugestivo a uma ação desenfreada e sangrenta batalha campal entre macacos e humanos, mas aqui o que podemos ver é algo bem diferente. Não é que não tenha ação e um ambiente de batalha, porém é bem diferente do que temos no filme de 1973. O roteiro de Mark Bomback revela em conjunto com a direção de Matt Reeves uma ação bem mais profunda. Na verdade, uma ação complexa e interior de cada personagem, principalmente César. Reeves dar um tom western ao filme e leva o personagem do líder símio a uma travessia de luta moral aos instintos mais humanos que fazem cada vez mais parte da sua personalidade. Sentimentos que sempre buscou afastar, estão presentes por um propósito: trazer a reflexão de todas as nossas atitudes que alteram a harmonia da sociedade e onde isso poderá nos levar. É impressionante como nos identificamos com os macacos em contrapartida aos humanos. Reeves faz essa inversão de forma espetacular. Ele utiliza sim de estereótipos e clichês, mas que são exatamente um retrato da realidade absurda que assistimos diariamente na mídia e que conhecemos na história da humanidade. Chega a assustar ao pensar que poderemos chegar no mesmo “fim” como sociedade, se não mudarmos diariamente nossas atitudes como cidadão. Esse filme está longe de ser uma mera obra de alta tecnologia, CGI e explosões técnicas, mas sim uma metáfora onde nos leva a refletir a ganância humana por poder.

A fotografia é bela e acompanha a direção de Reeves revelando ótimas imagens que lembram por exemplo “Os Oito Odiados” de Tarantino. Fotografia que não precisa de uso de IMAX para te imergir à película, mas faz esse trabalho simplesmente pela beleza plástica e história. Falar do uso de tecnologia nesse filme já ficou em segundo plano, porque sempre melhora mais, entretanto já não é o mais importante. O CGI no primeiro filme dessa trilogia nos surpreendeu pela perfeição do personagem de César e pela maestria de Andy Serkis que o tornou um especialista em atuar utilizando a captura de movimentos. A computação gráfica já está tão orgânica, que simplesmente você esquece que ela existe e concentra toda a sua atenção na interpretação dos atores e na forma como a história está sendo contada, que é a beleza nesse filme.

Dentre as atuações posso destacar a de Serkis e de Woody Harreson. Esse último, interpreta o Coronel que proporciona ótimos diálogos com César e também vive uma guerra interior com sua moral e seus medos e de forma caricata, porém não tão absurda, apresenta um retrato do que estamos presenciando por exemplo na ditadura Venezuelana. Vale destacar também a personagem de Nova, interpretada pela jovem Amiah Miller, que tem um papel importante na religação sentimental de César com os humanos e é uma forte referência a personagem da franquia clássica. Mesmo em meio ao drama do filme, Reeves não esqueceu do alívio cômico e apresentou um novo personagem que preenche uma lacuna. Outros macacos fora do ambiente de César também foram atingidos pelo vírus e ficaram inteligente? Bem, aqui o diretor apresenta o Macaco Mau, interpretado por Steve Zahn que é conhecido de alguns filmes de comédias. O ator interpretou de forma bem engraçada e foi um acerto pontual para as quebras de tensão.

Apesar de alguns problemas de ritmo que o filme apresentou, principalmente o segundo ato sendo demasiadamente extenso e apesar da falta de um link final mais assertivo com o primeiro filme da série original de 1968, para realmente levar os conhecedores ao êxtase,  Planeta dos Macacos: A Guerra tem o desfecho que contempla bem essa trilogia e é um filme bem reflexivo que vale muito assistir no cinema pelo seu enredo, plástica e uma trilha sonora que acompanha todas nuances dos acontecimentos.

Ficha Técnica


PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA (War For The Planet Of The Apes)
Distribuidor: Fox Film do Brasil
Gênero: Drama, Ficção Científica, Ação, Aventura
Classificação Etária: 14 anos
Data de Lançamento: 13 de julho de 2017
Tempo de Duração: 2h 20min
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Mark Bomback
Produção: Peter Chernin, Rick Jaffa, Amanda Silver
Trilha Sonora: Michael Giacchino

Elenco: Andy Serkis (César), Woody Harrelson (Coronel), Steve Zahn (Macaco Mau), Karin Konoval (Maurice), Terry Notary (Rocket), Amiah Miller (Nova), Judy Greer (Cornelia), Michael Adamthwaite (Luca).

Sinopse: Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

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