Crítica | Pica-Pau - O Filme
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Efeitos Visuais
2.8Pontuação geral
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‘UM FILME DE HOME VÍDEO COM STATUS DE BLOCKBUSTER NO BRASIL’

Quando anunciado, pareceu uma ideia meio estranha levar as aventuras de Pica-Pau aos cinemas. Na verdade, muitas pessoas torceram no nariz, pois não se sabia o que viria disso. Agora, temos disponível o tão falado filme, que traz o personagem numa roupagem que mistura computação gráfica e live-action, mesmo esquema de Zé ColmeiaAlvin e os Esquilos. A grande diferença de Pica-Pau: O Filme para estes dois é não ter uma história minimamente coerente.

Neste filme, temos Pica-pau, que vive sossegado numa floresta ao norte dos Estados Unidos. Até um dia encontrar o mal encarado Lance Walters (Timothy Omundson), que não gosta nada da natureza. A ideia de Walters é construir uma casa de alto padrão na área onde Pica-Pau mora, e é claro que o pássaro não iria achar isso muito bom.

A ideia central do filme não é nova. Existem várias outras história onde animais e humanos brigam por espaço na floresta. Geralmente, estes filmes são construídos sob a mesma fórmula. Pouco muda-se de um para o outro, a não ser a floresta em questão, os nomes dos personagens e como cada um vai se armar contra o outro. E Pica-Pau não se distancia disso.

As histórias paralelas são confusas. Por exemplo, o filho de Walters, acaba por ser tornar amigo de duas crianças na cidade onde fica a floresta. Não há uma pausa para tentar aprofundar, nem que seja apenas um pouco, a conexão entre estas crianças, e várias e várias vezes o texto se atrapalha em tentar dar um ar de naturalidade entre o tratamento entre eles. E olha, este é apenas um exemplo.

Um personagem que foi muito mal posto no filme foi a Wanessa (Thaula Ayala). Irritante, não há uma história por trás da personagem, que sai de cena no meio do filme para nunca mais ser vista. Apesar de seu nome constar como uma protagonista, sua participação é digna de uma ponta.

O roteiro até que poderia funcionar numa boa, se o filme fosse bem montado. Em muitos momentos há cortes abruptos de uma cena para outra, de forma que uma sequência não se encaixa na anterior e que esta não se encaixa na seguinte. Houve uma clara falta de cuidado ao montar o filme, e o que me estranha é terem aprovado o trabalho final mesmo assim. Além disso, as piadas do Pica-Pau não funcionam. São poucos os momentos que te fazem vontade de rir, e os que existem são mais para sorrisinhos de cantos de boca por entender a referência do que, de fato, uma piada.

A arte gráfica do Pica-Pau ficou estranha. O personagem foi mal animado, o que causa certa estranheza quando ele interage com algum objeto real. Aliás, o Pica-Pau em si neste filme é estranho. Sua feição nos remete ao do pássaro usada nos anos de 1960. Seu comportamento parece uma mistura de todas as suas versões, porque numa hora ele é maluco, noutra ele apenas faz uma confusão leve. Tentou-se trazer tudo o que remete ao Pica-Pau neste filme, que sofre em tentar mostrar algo realmente bom dessa junção.

A trilha sonora é um ponto até que bom nesta trama. Toda baseada em rock, traz em uma versão moderna os clássicos tema do emplumado, como Everybody Think I’m Crazy e seu tema de abertura original. Apesar de ter poucas músicas, o que o filme consegue usar bem o seu repertório.

A fotografia do filme não é de todo mal. Não há muito o que ambientar no longa, apenas uma floresta e uma pequena cidade. Nada muito difícil ou mais elaborado, e o filme nos deixa claro isso. O espaço onde quase o filme inteiro é rodado tem uma bela paisagem, justamente para enfatizar a ideia principal do filme. Neste ponto há uma escolha acertada.

A direção de Alex Zamm (Inspetor Bugiganga 2) é digna de filmes home vídeo, como o próprio Pica-Pau. O filme será lançado nos Estados Unidos diretamente em DVD e Blu-ray, e não era algo em que a Universal apostava muito, tanto que o filme é uma produção do seu braço de home-video Universal 1440 Entertainment, e não propriamente da Universal Studios. A decisão de levá-lo aos cinemas foi devido a sua enorme popularidade no Brasil, onde a série animada ainda é exibida pela RecordTV. No fim, Pica-Pau é um mix de filme ao estilo Sessão da Tarde com algo que lembra o pássaro famoso. Eu não aguardaria por uma continuação.

Ficha Técnica

Pica-Pau – O Filme (Woody Woodpecker – The Movie)
Distribuidor: Universal Pictures
Gênero: Animação, Família, Comédia
Classificação Etária: Livre
Data de Lançamento: 5 de Outubro de 2017
Tempo de Duração: 1h 41min
Direção: Alex Zamm
Roteiro:  Alex Zamm, William Robertson
Produção:  Universal 1440 Entertainment
Elenco: Timothy Omundson (Lance Walters), Thaila Ayala (Vanessa), Eric Bauza (Pica-Pau)

Sinopse: O brincalhão e travesso Pica-Pau está metido em mais uma de suas divertidas brigas por território, e dessa vez os inimigos são o vigarista Lance Walters (Timothy Omundson) e sua namorada Brittany (Thaila Ayala). Eles estão determinados a construir a sua grande casa dos sonhos mas, para isso, precisam derrubar a casa do Pica-Pau, que promete não deixar barato.

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