CRÍTICA | O CÍRCULO
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‘NO PAPEL PRINCIPAL, EMMA WATSON NOVAMENTE PROVA SUA VERSATILIDADE’

Em um mundo consumido pela tecnologia, é natural que as discussões a respeito de seu impacto, positivo ou negativo, sejam tema recorrente no cinema e na literatura. O tópico não é novo (1984, livro publicado no final da década de 40, está aí para provar isso), mas nossa realidade cada vez mais próxima da ficção científica reacende o debate extremamente necessário. Até que ponto permitimos que a tecnologia nos exponha ou domine? E é exatamente sobre isso que O Círculo, baseado no livro homônimo de Dave Eggers, trata.

Na trama, Emma Watson (A Bela e a Fera, 2017) interpreta Mae Holland, uma jovem de família simples, com um trabalho pouco satisfatório. A moça ainda precisa lidar com os caros custos do tratamento do pai (Bill Paxton, Titanic – 1997), que sofre de esclerose múltipla. Quando sua amiga Annie (Karen Gillan, Guardiões da Galáxia – 2014) lhe consegue uma entrevista na poderosa empresa de tecnologia Círculo, Mae acredita estar diante da maior oportunidade de sua vida.

Mae é uma jovem simples, que acredita estar diante da maior oportunidade de sua vida.

A princípio, O Círculo parece ser a companhia dos sonhos: no campus os funcionários encontram tudo o que precisam, de uma clínica médica a palestras educacionais e eventos gratuitos. Mais de perto, porém, a empresa se assemelha a uma seita, praticamente isolando os funcionários do mundo exterior e induzindo-os a aceitarem os ideais que lhes são propostos.

O conceito da companhia é simples: a tecnologia deve ser utilizada como uma ferramenta de unificação e “transparência total”. Ao se registrar online, o usuário tem seus dados reunidos em uma única rede com múltiplas funções, que incluem compra, comunicação, vigilância, etc. Envolvida com as possibilidades grandiosas de justiça e verdade, Mae logo percebe que nem tudo é como imaginou.

Com quase duas horas de duração, o longa, dirigido por James Polsoldt (O Fim da Turnê, 2015), se perde ao gastar muito tempo ilustrando a superexposição da protagonista em seu experimento de transparência. Acompanhamos o dia a dia de Mae de forma arrastada (até mesmo enquanto ela escova os dentes!), embora seja interessante que os comentários de seu público apareçam a todo instante na tela, imergindo o espectador no universo virtual no qual a jovem está inserida.

O excelente elenco é subaproveitado.

E assim falta tempo para os personagens, o que torna o excelente elenco subaproveitado. No papel principal, Emma Watson novamente prova sua versatilidade, e mostra uma personagem emotiva e cheia de ideais. É uma pena que Mae se entregue com tanta facilidade ao Círculo – ela parece ser inteligente demais para isso. Já Tom Hanks é Eamon Bailey, o carismático homem de negócios à frente da empresa que, como a maioria dos poderosos, coloca-se acima das regras que procura impor aos outros. Karen Gillan e John Boyega (Star Wars: O Despertar da Força, 2015) estão apagados em papéis que deveriam ser importantes para a trama, mas acabam simplesmente colocados lá para justificar o andamento da história.

As falhas de roteiro, porém, não tornam o filme menos interessante. O tema é atual, e com a humanidade cada vez mais dependente da tecnologia, a discussão proposta é, de fato, necessária. Vale a pena deixar as redes sociais de lado por algumas horas e correr para o cinema.

Ficha Técnica

O CÍRCULO (The Circle)

Distribuidor: Imagem Filmes
Gênero: Suspense, drama
Classificação Etária: 12 anos
Data de Lançamento:  22 de Junho de 2017 (Brasil)
Tempo de Duração: 1h e 50 minutos
Direção: James Ponsoldt
Roteiro: James Ponsoldt, Dave Eggers
Produção: Anthony Bregman, Gary Goetzman, Tom Hanks, James Ponsoldt

Elenco: Emma Watson (Mae Holland), Tom Hanks (Eamon Bailey), John Boyega (Ty Lafitte/Kalden), Karen Gillan (Annie Allerton), Ellar Coltrane (Mercer), Patton Oswalt (Tom Stenton), Glenne Headly (Bonnie Holland), Bill Paxton (Vinnie Holland)

Sinopse: The Circle é uma das empresas mais poderosas do planeta. Atuando no ramo da Internet, é responsável por conectar os e-mails dos usuários com suas atividades diárias, suas compras e outros detalhes de suas vidas privadas. Ao ser contratada, Mae Holland (Emma Watson) fica muito empolgada com possibilidade de estar perto das pessoas mais poderosas do mundo, mas logo ela percebe que seu papel lá dentro é muito diferente do que imaginava.

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