CRÍTICA | O CHAMADO 3
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‘ENTRETÉM GRANDES FÃS DE SAMARA, MAS FALHA COM NOVA REMESSA DE FÃS’

Uma grande leva de “clássicos modernos” de terror recebeu continuações, reboots ou qualquer outra forma de transportar mais uma vez essas obras ao cinema e, consequentemente, arrecadar grandes quantias. Essa nova leva de produções tem, em sua maioria, sido realizada em cima do detrimento de obras que, em suas produções originais, atingiram sucesso e certa qualidade.

Entre os diversos exemplos, o mais recente é O Chamado 3, continuação da obra que tirou Samara do fundo do poço e a catapultou como uma das personagens mais reconhecidas e icônicas das últimas décadas. Para quem não lembra, o primeiro filme, lançado em 2002, é uma adaptação do longa sul-coreano Ringu (1998). Essa produção se mantém como importante até hoje por ter iniciado esse intercâmbio cinematográfico entre oriente e ocidente.

Na terceira parte os personagens principais, com exceção da própria Samara, não estão presentes e Naomi Watts  (A Série Divergente: Convergente, 2016) não dá o ar da sua graça como Rachel Keller. Dessa vez o par principal é vivido por Matilda Lutz (Summertime, 2015) e Alex Roe (A 5ª Onda, 2016). A trama se inicia quando Holt (Alex Roe) parte para a faculdade e lá encontra um grupo, com grande influência da estética cyberpunk, que assiste de forma sistemática ao enigmático vídeo. Sua namorada, Julia (Matilda Lutz), assiste ao vídeo para salvá-lo da maldição e assim é posta como um ser de pura virtude, mas a cópia do vídeo assistida pela protagonista (cópia que graças às maravilhas tecnológicas foi feita com Ctrl+ C e Crtl+V) apresenta imagens que não constavam no vídeo original, revelando uma nova “profecia” envolvendo Samara.

Essa premissa poderia se desenvolver de forma satisfatória ao público, mas o resultado está longe disso. A profundidade é extremamente rasa e o desenvolvimento é muito deficiente. A motivação de todos é fraca e altamente questionável, além disso, o resultado final é um roteiro cheio de pontas soltas e buracos. O filme, em alguns momentos, se resume a uma colcha de retalhos de clichês do gênero terror que vem se fortalecendo desde os anos 90, mas que já estão totalmente desgastados e conhecidos pelo público.

Tenta-se também desenvolver uma nova história que se resume como busca ao passado de Samara, mas que não soa tão interessante e tem um fim bem insatisfatório. O resultado final dessa “investigação” acaba sendo uma grande porção de fan-service para satisfazer aqueles que se apaixonaram pelo primeiro longa.

As referências vão do terror claustrofóbico presente em A Bruxa de Blair (1999) as mortes inusitadas e inimagináveis até então, característica que marcou a franquia Premonição (2000). O resultado dessas cenas inspiradas em obras anteriores é bem ruim e beira o caricato. Resultado obtido parcialmente pelos efeitos visuais mal executados e pela trilha sonora óbvia e repetitiva. Um grande exemplo é a sequência de abertura que se resume como uma versão budget da saga Premonição.

Se no terceiro longa da história Bruxa de Blair, lançado ano passado, se percebe a atualização e modernização na forma de conduzir a história, além disso, a grande inserção e interferência tecnológica, como, uso de drones. Já em O Chamado 3 a interação com a tecnologia é ensaiada e pincelada no longa, mas o roteiro apresentado é tão irregular que esse tema, assim como tantas outras situações, não é desenvolvida e resulta no questionamento do espectador “ué, mas cadê aquela galera toda?”

Um dos maiores erros, além do próprio roteiro, é a direção de F. Javier Gutiérrez. O diretor espanhol, que tem sua estreia no mainstream cinematográfico, entrega cenas fraquíssimas, pois o filme não aprendeu tão bem com as obras que serviram de inspiração. Óbvio que o filme resulta em sustos, principalmente nos mais sensíveis, mas não apresenta nenhuma inovação ou cenas que seriam capazes que atribuir ao filme o reconhecimento qualitativo que O Chamado obteve no primeiro filme.

De forma geral, o resultado final é uma obra de gosto questionável e de qualidade duvidosa e que nos faz pensar: “será que esse encaminhamento era mesmo necessário?”, mas que mesmo com suas grandes falhas entretenha os grandes fãs de Samara, mas criar uma grande lacuna na tentativa de angariar uma nova remessa de fãs.

Ficha Técnica


O CHAMADO 3 (Rings)
Distribuidor/Produtora: Paramount Pictures
Gênero: Terror
Classificação etária: 14 anos
Data de Lançamento:   2 de fevereiro de 2017
Tempo de Duração: 1h 42min
Direção: F. Javier Gutiérrez
Roteiro: Akiva Goldsman, David Loucka, Jacob Aaron Estes
Produção: Laurie MacDonald, Guillermo del Toro, Neal Edelstein, Roy Lee, Mike Macari, J.C. Spink
Trilha Sonora: Matthew Margeson
Direção de Fotografia: Sharone Meir
Montagem: Steve Mirkovich

Elenco: Matilda Lutz (Julia), Alex Roe (Holt),Vincent D’Onofrio (Burke), Johnny Galecki (Gabriel), Aimee Teegarden (Sky), Laura Wiggins (Faith), Bonnie Morgan (Samara).

SINOPSE:

Julia (Matilda Anna Ingrid Lutz) fica preocupada quando seu namorado, Holt (Alex Roe), começa a explorar a lenda urbana sobre um vídeo misterioso. Lenda esta que diz que quem assiste morre depois de sete dias. Ela se sacrifica para salvar seu namorado e acaba fazendo uma descoberta terrível: há um “filme dentro do filme” que ninguém nunca viu antes.

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