CRÍTICA | O ASSASSINO: O PRIMEIRO ALVO
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“UMA PROPOSTA ESTRANHA, UMA EXECUÇÃO RUIM”

Por: Henrique Picanço

Um homem com um grande desejo de vingança e que luta sozinho contra terroristas do Estado Islâmico. Uma premissa estranha, mas que serve de pano de fundo para o filme O Assassino: O Primeiro Alvo. O filme, dirigido por Michael Cuesta (12 Anos e Pouca Solidão), é um velho misto de ação, aventura, tiros, porradas e romances jogados numa trama digna de um filme mais ou menos. E este não foge desta regra.

Explicando melhor, temos a vida de Mitch, que é sumariamente mudada após a morte devastadora da sua noiva. Tomado por um desejo de justiça, ele decide destruir o Estado Islâmico – por dentro. Para isso, agirá como um “agente infiltrado” por conta própria. Porém, a CIA acaba descobrindo o seu plano, e vê nele um grande agente para a caçada contra os terroristas. Ele se torna um espião, pronto para aniquilar os terroristas que vê pela frente, a qualquer custo.

O maior problema do filme está no roteiro. Desde o seu início, suas motivações são infundadas (por exemplo, não dá para saber a motivação para a morte de sua noiva) e o filme não se preocupa muito em explicar. A questão é que o roteiro trabalha para as situações que ocorrem – e não o contrário. Os problemas com roteiro mostram-se bastante irritantes com o passar da trama, até culminar num final que é conveniente ao filme, mas que não havia sido preparado para tal.

Os destaques vão para os personagens Mitch (Dylan O’Brien) e Ghost (Taylor Kitsch); os dois são, respectivamente, herói e vilão da trama, e se comportam como crianças birrentas brigando num parquinho. A motivação de Mitch para suas ações até que são válidas, mas a de Ghost, não. Em todo o tempo em que vemos os personagens explicando suas ações, há uma esquiva sobre o porque, e foco em seu objetivo.

O filme também utiliza-se de alguns efeitos gráficos e visuais que ficam bem debilitados quando vemos que o orçamento para a sua produção foram de módicos 30 milhões de dólares. No que tange efeito visual, há uma preocupação de fazer o seu melhor mesmo sem muito dinheiro. Nos efeitos gráficos, faltou verba para renderização, principalmente em um momento-chave da trama com a Marinha americana. Talvez com um pouco mais de dinheiro, poderiam ter trabalhado melhor essa questão.

Os personagens, ao que o roteiro lhes permite, são bem executados. O destaque aqui vai para o trabalho de Michael Keaton, que faz Stan, o “mentor” de Mitch. Sua presença de tela se destaca do personagem estourado de Dylan O’Brien (Mitch), que por força do script não tem um espaço para fazer um personagem mais pé-no-chão.

A direção de Michael Cuesta é interessante. Não faz muita coisa mirabolante, mas utiliza do velho arroz com feijão quando o assunto é gravar um filme de ação. Foca nos acontecimentos, não exatamente em detalhes, mas na pancadaria que ocorre. A fotografia também segue essa ideia de fazer o básico. Não ousa com algum tipo de enquadramento mais ousado, mas sempre foca em mostrar as cenas de luta de um modo onde toda a ação que está acontecendo seja enquadrada, e busca mostrar a tensão de uma operação de espionagem quando é necessária.

No fim, O Assassino: O Primeiro Alvo termina sendo um filme esquecível, raso demais para sua proposta e mal executado por conta do roteiro. Ainda que, quando você termina de assistir, percebe que todas as pontas soltas da trama sugerem que haverá uma continuação. Se isso acontecer, que seja algo bem melhor planejado que o seu primeiro filme.

Ficha Técnica

O ASSASSINO: O PRIMEIRO ALVO (American Assassin)
Distribuidor: Paris Filmes
Gênero: Ação, espionagem
Classificação Etária: 16 anos
Data de Lançamento: 21 de Setembro de 2017
Tempo de Duração: 1h 52min
Direção: Michael Cuesta
Roteiro:  Stephen Schiff
Produção:  CBS FilmsLionsgateDi Bonaventura Pictures
Elenco: Dylan O’Brien (Mitch), Michael Keaton (Stan), Taylor Kitsch (Ghost) 

Sinopse: Devastado pela morte da noiva diante de seus olhos em um atentado terrorista, Mitch Rapp (Dylan O’Brien) dedica-se incansávelmente à vingança, o que chama a atenção da CIA. Recrutado, o descontrolado rapaz é enviado para o rígido treinamento de Stan Hurley (Michael Keaton), veterano militar que prepara assassinos secretos de atuação internacional e tem sérias ressalvas à avaliação psicológica de Mitch.

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