CRÍTICA | MULHER-MARAVILHA
Direção
Roteiro
Elenco
Efeitos Especiais
Trilha Sonora
4.5Pontuação geral
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‘MULHER-MARAVILHA ERA O EMPURRÃO QUE A LIGA PRECISAVA’

O maior desafio da Warner Bros. quando iniciou, em 2013, o seu Universo Cinematográfico baseado nos quadrinhos da DC Comics, era levar os maiores heróis da Terra às telonas da melhor e mais fiel forma possível. Era de se esperar que todas as adaptações que o estúdio viria a apresentar fossem vistas com muito mais cuidado e expectativa do que qualquer outra. E não deu outra; Homem de Aço (2013) não foi um dos melhores filmes de super-herói; Batman vs Superman: A Origem da Justiça  (2016) não justificou tanta expectativa; e Esquadrão Suicida (2016) decepcionou até quem não fazia ideia do que se tratava.

Por tantos escorregões no passado, Mulher-Maravilha (2017) era uma aposta que não poderia dar errado. O solo da heroína precisava entregar um conteúdo que, além de apresentar pela primeira vez no cinema uma personagem tão icônica quanto a Amazona, teria que provar também aos fãs que o DCCU ainda tinha esperança. Essa missão foi dada a Patty Jenkins (do premiado Monster – Desejos Assassinos, 2003), que usa toda a força e beleza da protagonista em um longa simples, otimista e cheio de amor.

No segundo longa-metragem da carreira da diretora em que a protagonista é feminina – na sua estreia, mesmo com falhas, Monster – Desejos Assassinos deu o Oscar de Melhor Atriz para a até então pouco conhecida Charlize Theron -, o fardo de ser a primeira diretora a dirigir um solo da Mulher-Maravilha no cinema não pareceu ser um problema para Jenkins, que focou única e exclusivamente na apresentação da personagem à massa. O filme todo acontece dentro de um lampejo de Diana Prince, que a leva para quando era apenas uma pequena princesa que sonhava em ser uma guerreira. O roteiro de Allan Heinberg (quadrinhos Mulher-Maravilha) tampouco se arrisca: a proposta em reproduzir uma evolução e conhecimento pessoal da personagem estão presentes de forma redonda, claramente recorrendo a soluções mais simples e o humor aqui e ali.

Aliás, a simplicidade de Mulher-Maravilha é sem dúvida o diferencial que faltava no Universo DC/Warner. O tom de flashback, com tons neutros na maior parte dos eventos, combina com a época em que a trama se ambienta (a velha e aterrorizada Londres durante a Primeira Guerra Mundial). Sem destoar também do tom fantasioso, a Ilha de Themyscera é magnífica e cheia de cor – os dois cenários conseguem juntos transmitir o poder do homem de corromper o ambiente em sua volta. O solo da Amazona deixa de lado também a grande característica da DCCU até o momento: o tom sombrio (escancarado em Batman vs Superman).

Com a maior parte da trama acontecendo durante o dia tanto nos climas nebulosos de Londres quanto nos campos de batalha da Europa – algo que lembra algumas cenas vistas em Até o Último Homem (2016) -, o clímax ocorrendo durante à noite causa até uma certa estranheza. Assim como a tentativa frustrada da FOX na nova versão de Quarteto Fantástico (2015), o terceiro ato destoa de quase todo o restante do filme, na falta de crença da Warner em acreditar que Wonder Woman pudesse funcionar sem uma luta final rica em efeitos espalhafatosos – que não necessariamente precisa acontecer, mas que se tornou um padrão em filmes do gênero. Não que o resultado final tenha sido ruim – os efeitos especiais são de uma beleza sem igual e a quantidade de detalhes é impressionante -, mas percebe-se claramente uma necessidade de engrandecer um filme que por si só já seria grande.

A inserção dos personagens é outro grande diferencial do longa, visto que todos participam da evolução da heroína. A ingenuidade em relação ao mundo vem de sua mãe Hipolita (Connie Nielsen), que nunca a preparou para grandes feitos, apesar de saber o que a aguardaria; sua tia Antiope (Robin Wright), que representa sua referência guerreira, deu a ela a crença de fazer a diferença sobre um mundo cruel; o interesse romântico Steve Trevor, que a apresentou o amor e o mundo exterior, funciona muito bem com a protagonista; e o restante do grupo também a ajudou a entender o porquê das coisas acontecerem. Mas sem dúvida, Ares, o Deus da Guerra, é o que melhor representa o antagonismo de um filme de herói até o momento. Mais pelo motivo do personagem em ser, de fato, o vilão, do que pelos seus feitos em si, Ares se destaca entre todas as referências. E até cai como uma luva a ambientação em que a trama é inserida, aliás, que melhor momento para um Deus da Guerra agir como um do que na Primeira Grande Guerra?

A heroína amazona de Gal Gadot injeta na personagem características que a fez conhecida em Hollywood. Ex-modelo e ex-soldado do exército israelense, sua Mulher-Maravilha é forte e – trocadilho – maravilhosa. Sua ideologia de como vê o mundo segue durante o filme todo, movida pelo único propósito de salvar pessoas. Gadot prova aos desacreditados que era digna do papel desde o anúncio. Os diálogos, as frases de efeito e a solução da trama apresentada, deixam claro o posicionamento da heroína frente ao mundo tão cruel na época – o que pode parecer meloso inicialmente, mas que no final tornou a mensagem otimista e inspiradora. Além disso, Jenkins usa muitos movimentos de câmera circulares e o slow motion, que combinado a coreografia das cenas de ação intensifica a boa performance da atriz – várias momentos parecem ter saídos de uma página de HQ. Vale mencionar aqui o ótimo trabalho que Ruppert Gregson-Williams fez com a música no longa, que arrancou suspiros em cada cena que foi introduzida.

Mulher-Maravilha era o empurrão que a DCCU precisava para os fãs manterem suas esperanças no Universo. Setenta e cinco anos depois de sua primeira aparição pública, a heroína amazona ganha também uma digna primeira adaptação da grandiosidade da personagem. No fim, o que realmente prevaleceu foi a sensação de pé no chão da produção, que executou da melhor forma possível o simples trabalho que lhe foi dado.

Ficha Técnica


MULHER-MARAVILHA (Wonder Woman)
Distribuidor: Warner Bros.
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Classificação Etária:
Data de Lançamento:  1 de Junho de 2017
Tempo de Duração: 2h e 21 minutos
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Allan Heinberg
Produção: Deborah Snyder, Zack Snyder, Charles Roven, Richard Suckle, Geoff Johns, Rebecca Steel Roven
Diretor de Fotografia: Matthew Jensen

Elenco: Gal Gadot (Diana Prince / Mulher-Maravilha), Chris Pine (Steve Trevor), Connie Nielsen (Hipólita), Robin Wright (Antiope), Danny Huston (Ludendorff), David Thewlis (Sir Patrick), Elena Anaya (Dr. Maru), Lucy Davis (Etta).

Sinopse: Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince (Gal Gadot) nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

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