CRÍTICA | MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR
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Roteiro
Fotografia
Produção
Trilha Sonora
4.6Pontuação geral
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‘NÃO SE ENQUADRA A NENHUM CLICHÊ OU ESTEREÓTIPO JÁ EXISTENTE’

A descoberta da identidade é uma questão dolorosa e complexa para nós seres humanos. Passamos grande parte da vida tentando nos conhecer e nos encontrar, em uma tentativa de formar o indivíduo que desejamos ser. Alguns conseguem com mais facilidade, outros consideram um processo traumático e só alcançam com ajuda de terceiros, e tem aqueles que passam toda a sua existência na procura da aceitação e da sua identidade, sem ao menos conseguir encontrar sua essência.

Essa problemática humana é ainda mais crítica devido a pressão da sociedade, que insiste em rotular as pessoas e ditar a maneira que devemos viver e o preconceito que infelizmente ainda temos que lidar, mesmo sendo um assunto bem discutido nos meios de comunicação, nas redes sociais e nas artes. A arte inclusive, sempre teve o papel mais importante nessa luta, com a representatividade das minorias nas telas e o seu debate aberto, íntimo e sensível.

A descoberta da identidade é uma questão dolorosa e complexa.

O exemplo mais recente da participação do cinema no debate desta questão é o novo filme americano, do então, pouco conhecido diretor e roteirista Barry Jenkins (Medicine for Melancholy, 2008), denominado Moonlight: Sob a Luz do Luar, baseado no livro In Moonlight Black Look Blue. Com um elenco em sua totalidade negro, a produção é dividida em três partes: Little (Alex Hibbert), Chiron (Ashton Sanders) e Black (Trevante Rhodes), três representações da ideia que os outros tem sobre o personagem principal nas etapas da sua vida: Infância, adolescência e vida adulta.  Desde à criança negligenciada pela mãe drogada, passando pela adolescência vítima de bullying na escola, à adulto traficante de drogas cheio de atitude tóxica, em uma vivência do que as pessoas esperam que ele seja e não o que ele realmente quer ser.

Com oito indicações ao Oscar, Moonlight: Sob a Luz do Luar é um filme sensível e contemporâneo.

Com ajuda de seu mentor de infância Juan (Mahershala Ali – Luke Cage), Black tenta superar a vida difícil que leva na sua comunidade pobre de Miami com o surgimento do crack na região e o preconceito racial, ao mesmo tempo em que tenta lidar com sua opção sexual e a procura do autoconhecimento, algo inerente em todo nós, independentemente da cor ou de quem nos relacionamos. Essas questões ficam ainda mais interessante e complexas, quando transpostas em um universo propriamente masculino. Sendo essa o grande diferencial da produção. Fugindo das estereotipagem do traficante de drogas vilão e da generalidade da infância perdida dos jovens da região.

Os atores, principalmente os três que dividem o papel do protagonista, consegue trazer o público para dentro da história com toda a verdade da angústia e do sofrimento da personagem expressa no olhar e nas feições. Transformando a produção em um grande recorte da realidade, mas também uma celebração à liberdade individual e suas particularidades.

Com ajuda de seu mentor de infância Juan (Mahershala Ali – Luke Cage), Black tenta superar a vida difícil que leva na sua comunidade.

Sem uma regularidade, o enquadramento é espontâneo e descomplicado, mostrando sua característica logo na abertura com a cena do rodopio ao redor de Mahershala e sua não objetividade ao longo do filme, sempre muito bem iluminado. A trilha sonora segue o mesmo estilo, oscilando entre o hip-hop típico, música clássica e música Latina, com Caetano Veloso.

Com oito indicações ao OscarMoonlight: Sob a Luz do Luar é um filme sensível e contemporâneo, que não se enquadra a nenhum clichê ou estereótipo já existente. A angústia e o terror de querer ser, mas não ter aprendido como. Uma intimidade tão grande com a história e seus personagens, que sentimos que estamos a ultrapassar a privacidade de Little, Chiron e Black, sem perceber que no fundo, ele só quer que o abracemos.

Ficha Técnica

MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (Moonlight)
Distribuidor: Diamond Filmes
Gênero: Drama
Classificação etária: 16 anos
Data de Lançamento: 23 de Fevereiro de 2017
Tempo de Duração: 1h 51min
Direção: Barry Jenkins
Roteirista: Barry Jenkins
Autor da Obra Original: Tarell Alvin McCraney
Diretor de Fotografia: James Laxton
Produção: Adele Romanski, Dede Gardner e Jeremy Kleiner
Cooprodução: Andrew Hevia
Produtora Executiva: Sarah Esbere
Produtor Executivo: Brad Pitt e Tarell Alvin McCraney
Montadora Chefe: Joi McMillon

Elenco: Trevante Rhodes (Black), Mahershala Ali (Juan), Janelle Monáe (Teresa), Naomie Harris (Paula), Andre Holland (Kevin) e Jharrel Jerome (Kevin com 16 anos).

Sinopse:
Black (Trevante Rhodes) trilha uma jornada de autoconhecimento enquanto tenta escapar do caminho fácil da criminalidade e do mundo das drogas de Miami. Encontrando amor em locais surpreendentes, ele sonha com um futuro maravilhoso.

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