CRÍTICA | MAX STEEL
Direção
Roteiro
Elenco
Efeitos Visuais
Trilha Sonora
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‘REFERÊNCIAS É O CAMINHO DE MAX STEEL’

No fim da década de 90, surgia uma nova linha de brinquedos dedicada aos meninos com forte inspiração no antigo boneco Falcon, mas com um upgrade de superpoderes e uma capacidade extraordinária de expansão de seu universo. Nos anos 2000, Max Steel estourou com a criação de sua série animada que proporcionou uma publicidade enorme ao personagem, que em sua origem é um agente secreto da N-Tek e foi infectado depois de uma experiência, sendo popular entre as crianças. A série animada sofreu alguns reboots, para dar fôlego ao personagem e conseguir aumentar as vendas do brinquedo, mas sua origem não recebeu tantas alterações. Novamente o agente com superpoderes recebe um reboot na tentativa de reativar o grande sucesso perdido.

Max McGrath (Ben Winchell) é um adolescente que vive com sua mãe, Molly McGrath (Maria Bello), constantes mudanças de cidades até que ela resolve voltar a sua terra natal por um ideia do Dr. Miles Edwards (Andy Garcia), amigo e parceiro de pesquisa de seu falecido marido. Max se revela um adolescente atormentado por não conhecer o passado de seu pai e se vê em meio a muitos mistérios. Em contato com os ares de sua cidade natal, ele começa a manifestar uma grande energia em seu corpo e é surpreendido por uma forma tecnológica alienígena chamada Steel (voz – Josh Brener), que juntos formam a “dupla” Max Steel (grande trocadilho) e começa a busca por respostas a um passado nebuloso de seu pai Jim McGrath (Mike Doyle).

Armadura de Max Steel.

Inicialmente o filme tem um erro de proposta que começa pelo poster de divulgação, se a intenção era fazer mais dinheiro com vendas de brinquedos e produtos licenciados, foi um tiro no pé. O poster apresenta de forma mal executada a proposta de um filme mais adulto e sombrio, mas o que assistimos é um roteiro relaxado e totalmente desvirtuado dessa proposta. O roteiro é assinado por Christopher Yost, isso mesmo, roteirista de Thor: O Mundo Sombrio, no qual  é sustentado na divulgação de Max Steel. Na verdade, dá até um pouco de medo do que esperar de Thor: Ragnarok e no já anunciado Masters Of The Universe, em que é o roteirista.

Christopher foi super falho em descrever a origem do personagem, que é diferente da retratada pela história do brinquedo e animação. Todos os argumentos são super rasos e cheios de referências mal utilizadas de outros filmes de heróis. Chega a ser constrangedor ver a utilização não somente de ideias batidas no cinema, mas praticamente ser uma cópia precariamente realizada. Os clichês conhecidos e variados que trazem uma confusão sobre sua proposta, que são interpretadas pelo diretor de forma jocosa e preguiçosa, onde o expectador já sabe claramente no que vai se desenrolar. Sem falar que o desenvolvimento dos personagens seguiram a risca a falha de roteiro nesse filme.

Uma referência muito utilizada nos filmes de heróis.

O diretor Stewart Hendler (Pacto Secreto, 2009) teve participação fundamental para o fracasso desse filme, que certamente vai configurar na premiação do Framboesa de Ouro, tudo porque, mais uma vez bato na mesma tecla, não definiu a proposta, para ficar mais claro, não definiu o seu público-alvo. O filme é uma colcha de retalhos de clichês e repetições mal elaboradas do cinema. Ele flerta com referências como a origem do Homem-Aranha interpretado por Tobey Maguire e ainda consegue flertar com De Volta para o Futuro, onde Marty McFly é atropelado pela sua mãe no passado que não funcionam e deixam a interpretação dos atores de uma ingenuidade tamanha.

Se tratando da atuação, simplesmente acompanhou a qualidade do filme como um todo. Ben Winchell (A Última Aventura de Robin Hood, 2013) interpreta o protagonista Max. Teve uma atuação mediana dentro daquilo que foi direcionado a fazer. Existe o problema de ser um ator mais velho que interpreta um adolescente de 16 anos, que não te passa nenhum aspecto real de alguém dessa idade. Sua interação com a forma alienígena Steel chega ser em alguns momentos engraçada, mas que não são o bastante para salvar o enredo. Josh Brener (Os Estagiários, 2013) faz a voz de Steel, que é um alienígena que incorporou bem a forma de falar dos humanos. É sagaz e cheio de piadas e ironias, que a principio soam engraçadas, mas que com o passar da trama vai se tornando cansativo. A verdade é que os dois atores que se destacaram negativamente foram justamente os mais experientes.  Maria Bello  (Quando as Luzes se Apagam, 206) interpreta uma personagem que tem uma mudança de comportamento incoerente, que você se indaga: “Como assim?”. O diretor tenta dar um ponto de virada à personagem, mas que soa forçado demais. A atriz parece que está deslocada em alguns momentos. Mas, pode ter certeza, que nada se compara com a atuação de Andy Garcia (O Poderoso Chefão 3, 1990). Já tem um tempo que o ator vem em um declínio, que pode ser creditado ao número de trabalhos errados que tem aceitado. Aqui ele faz um vilão canastrão que no conjunto da obra parece vilões dos seriados da franquia Power Ranges. Uma cena em especial só pode ser definida em uma única palavra: tosco.

Efeitos Visuais questionáveis.

Tosco também são os efeitos visuais e o figurino dos heróis. A construção dos efeitos é mal contextualizada nas cenas e remetem produções televisivas, que em muitos casos são atrelados a falta de tempo da tv, mas que aqui fica claro a falta de técnica ou dinheiro. As armaduras dos personagens são de uma mal gosto e tentam em vão buscar referência em Homem de Ferro, mas acaba se tornando uma armadura mal feita do novo filme de Power Rangers (quando ver o Andy Garcia vestido, você vai rir).

Max Stell tinha tudo para ser um filme para ganhar dinheiro alavancando as vendas dos produtos licenciados, mas erra na direção da proposta e na má execução do roteiro e direção. Sem falar que o marketing que poderia ser gerado por essa franquia seria muito expansível, mas esbarrou na falta de execução. O filme nada mais é do que uma obra direcionada para o público infantil, porém não se sabe se as crianças que consomem a nova safra de filmes de heróis vão aceitar esse produto infantil.

Ficha Técnica


MAX STEEL
Distribuidor: Imagem Filmes
Gênero: Ação, Ficção científica
Classificação Etária:
Data de Lançamento:  26 de janeiro de 2017
Tempo de Duração: 1 h e 28 minutos
Direção: Stewart Hendler
Roteirista:Christopher Yost
Produção: Julia Pistor
Diretor de Fotografia: Brett Pawlak

Elenco: Ben Winchell (Max McGrath), Maria Bello (Molly McGrath), Andy Garcia (Dr. Miles Edwards), Ana Villafañe (Sofia), Mike Doyle (Jim McGrath), Billy Slaughter (Agent Murphy), Josh Brener (Steel).

Sinopse:

Max (Ben Winchell) é um adolescente de 16 anos que, como todas as pessoas da sua idade, está passando por um período de descobertas. Entretanto, as transformações na vida do jovem estão relacionadas aos incríveis poderes que ele descobre ter quando entra em contato com uma força extraterrestre.

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