CRÍTICA | MALASARTES E O DUELO COM A MORTE
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‘SAIU DA MESMICE DAS COMÉDIAS BRASILEIRAS’

Grande parte das produções brasileiras são comédias no mesmo molde e daí que nascem muitas das críticas aos nacionais. A falta de criatividade, de ideias diferentes e de espaço para os filmes que se diferenciam fazem muitas pessoas criarem certo preconceito com os filmes. Malasartes e o Duelo com a Morte traz um personagem clássico com uma ideia diferente tentando quebrar essa barreira.

Pedro Malasartes é um personagem clássico da cultura brasileira que é conhecido por ser um malandro, contador de histórias e enganador. Já tendo aparecido no cinema em 1960 com As Aventuras de Pedro Malasartes com Mazzaropi e na TV num especial de Renato Aragão (OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES – RUMO A HOLLYWOOD) com o quadro Didi Malasartes.

Nessa nova empreitada no cinema, Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) tem um relacionamento com Áurea (Isis Valverde), mas o irmão da moça, Próspero (Milhem Cortaz), não aprova e ainda cobra Pedro por uma dívida de seu pai ameaçando matá-lo. Mas no aniversário de 21 anos o rapaz espera a visita de seu misterioso padrinho com um presente, só que não sabia que era a própria Morte (Júlio Andrade) com um plano para se livrar de suas obrigações.

A história se passa em dois mundos: no real, dos homens, que é interior com direito aos estereótipos e todo o sotaque; e no mundo da morte que é talvez a maior tentativa de efeitos especiais em um filme brasileiro, o campo das velas, o ambiente e com exceção de pequenos cenários o resto é todo em tela verde criado em computação gráfica e funciona. Por ser um local mais lúdico de magia e da Morte, a fidelidade à perfeição não é necessária, deixa na verdade um tom mais fantasioso com as características até um pouco cartunistas.

A direção de Paulo Morelli é boa, mas fica numa linha muito tênue de não cair num estilo “novela de época” quando o filme se passa no mundo dos homens. Todos os estereótipos e as piadas estão ali, mas funciona porque é a proposta do filme esse tom lúdico e de conto brasileiro.

O elenco com rostos conhecidos pelo público e é liderado por Jesuíta Barbosa (Praia do Futuro) e conta com Isis Valverde (Faroeste Caboclo), Milhem Cortaz (Tropa de Elite), Leandro Hassum (Até que a Sorte nos Separe), Vera Holtz (Carlota Joaquina, Princesa do Brasil) e Júlio Andrade (Gonzaga: De Pai pra Filho). Todos apresentam uma atuação sólida e com veias cômicas, com destaque para o elenco do mundo dos homens que exploram muito bem o lado do interior do Brasil.

Malasartes e o Duelo com a Morte é um filme de comédia sobre um personagem clássico na cultura brasileira que não é conhecido por muitos pelo seu nome, mas o jeito malandro e enganador está no inconsciente popular por anos com personagens com características semelhantes e traz o diferencial da computação gráfica nunca usada desse jeito que proporcionam cenas muito bonitas e saem da mesmice das comédias brasileiras.

Ficha Técnica

MALASARTES E O DUELO COM A MORTE
Distribuidor: DOWNTOWN FILMES
Gênero: Comédia, Fantasia
Classificação Etária: Livre
Data de Lançamento:  10 de agosto de 2017
Tempo de Duração: 1 h e 50 minutos
Direção: Paulo Morelli
Roteiro: Paulo Morelli
Produção: Andrea Barata Ribeiro, Paulo Morelli, Bel Berlinck, Wellington Pingo, Bel Berlinck, Fernando Meirelles
Diretor de Fotografia: Adrian Teijido
Diretor de Arte: Tulé Peake
Elenco: Jesuíta Barbosa (Pedro Malasartes), Ísis Valverde (Áurea), Júlio Andrade (Morte), Leandro Hassum (Esculápio), Vera Holtz (Cortadeira), Milhem Cortaz (Próspero), Luciana Paes (Tecedeira), Julia Ianina (Fiandeira).

Sinopse:

Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) é um malandro que, por mais que seja apaixonado por Áurea (Ísis Valverde), não resiste a um rabo de saia. Devendo muito dinheiro a Próspero (Milhem Cortaz), irmão de sua amada, Malasartes precisa escapar dele ao mesmo tempo em que prega peças, sempre usando a inteligência, de forma a conseguir alguns trocados. Só que seu padrinho, a Morte (Julio Andrade) em pessoa, tem outros planos para ele.

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