CRÍTICA | LIGA DA JUSTIÇA
Direção
Roteiro
Elenco
Efeitos Visuias
Trilha Sonora
Fotografia
3.5Pontuação geral
Avaliação do leitor: (2 Votos)

“AVENTURA DE SUPER-HEROI QUE VOCÊ QUER ASSISTIR”

Finalmente os maiores super-heróis do universo (nem todos) estão reunidos nas telonas. Desviando de qualquer rixa sem sentido entre Marvel vs DC Comics, mas não deixando de lado o atraso em relação aos Estúdios Marvel, já era hora da Warner e do Universo Cinematográfico da DC acertarem os eixos e apresentar um produto melhor do que os anteriores Homem de Aço (2013) e Batman vs Superman – A Origem da Justiça (2016).  Já de cara posso trocadilhar: “Conseguiram dar liga com justiça”.

A história é simples: com a morte do Superman e a vulnerabilidade da Terra, o Lobo da Estepe retorna com um exército de Parademônios para juntar as três Caixas Maternas e simplesmente recriar o inferno no planeta. Batman e Mulher-Maravilha partiram numa “cruzada” para reunir os heróis e combater essa grande ameaça. Mais simples do que isso não há e de imediato foi o mais acertado nesse filme. Desde o Homem de Aço, a Warner tenta criar um ambiente tão dark e com tramas tão complexas, que precisam a todo momento explicar demais e se perdem no meio de tanta informação desconexas, características bem presentes em Batman vs Superman. Em Liga da Justiça, esses traços foram completamente abandonados, mas o que poderia ser uma catástrofe anunciada por milhões em redes sociais se transformou em uma grande surpresa para esse fim de ano.

O enredo e roteiro foram simplificados demais e isso poderia ser um grande tropeço, mas ao contrário disso foi super acertado e talvez seja graças ao toque de Joss Whedon (Os Vingadores – The Avengers, 2012), que traz mais leveza, mais alívio cômico e menos complexidade ao roteiro. A mudança de tom anunciada trouxe um grande pavor nos corações dos fãs, mas pode ficar despreocupado, porque foi realizada de maneira equilibrada e em pontos certeiros. Grande mudança, grande responsabilidade e grande acerto. O enfoque foi dado inteiramente na relação entre os heróis, que tinha tudo para ser complicada, mas apresenta uma ótima dinâmica entre os personagens. O filme simplesmente não é carregado nas costas por apenas um ou dois heróis (leia-se Batman e Mulher-Maravilha), porém o espaço para aparição de cada um é dado de maneira muito concisa. Contra a maré do que vem sendo feito, a Warner não se preocupou com filme de origem dos personagens antes de sua reunião, mas que aqui sintetizou a existência de todos em uma cena espetacular e isso já basta.

As grandes surpresas ficam a cargo de Ray Fisher como Ciborgue, que teve um peso mais dramático, que pode parecer até um pouco deslocado, mas com grande importância para a trama e tem tudo para carregar um filme solo. Não esperava nada de Ezra Miller, mas conseguiu me dar um verdadeiro soco na boca do estômago. Encarnou um Flash a cara da série animada mais famosa da Liga da Justiça e arrancou muitos risos sendo um ótimo alívio cômico. O Superman (sim, ele aparece com louvor e você sabia) de Henryl Cavill finalmente encarnou a essência do maior herói do universo e tirando sua inteiração com a Lois Lane (Amy Adams), que é sempre algo que destoa completamente no roteiro, Cavill está finalmente à vontade em seu personagem. Presenciamos ainda um Aquaman no estilo Drogo de ser de Jason Momoa de ser, que para alguns é ótimo e para outros é medonho, temos a Gal Gadot que está cada vez mais confortável nas cenas de ação como Mulher-Maravilha, mas que ainda escorrega um pouco na intensidade de interpretação de seus diálogos e um Batman de Bem Affleck menos tenso e que solta umas duas ou três piadinhas descaracterizando completamente o personagem, mas que aqui não faz grande diferença e funciona no contexto.

Tecnicamente o filme não é muito diferente em relação aos efeitos visuais já característicos do Universo DC. Particularmente, enxergo um descuido no tratamento dado principalmente em algumas cenas como as finais em que sempre enfrentam os vilões. É nítido o chroma key utilizado e que fica mal finalizado e contextualizado com a Fotografia, mas que no geral a maioria passa batido por isso. Agora os efeitos sonoros são o grande filé. Se você tiver oportunidade de assistir numa sala com a tecnologia Atmos não deixe de ir, porque vale muito. As nuances são perceptíveis com o ritmo do roteiro. Trilha Sonora assinada por Danny Elfman é de chorar e vibrar, principalmente quando ouvimos o tema do Batman de Michael Keaton e ao do Superman de Christopher Reeve. O cinema vai à loucura.

Liga da Justiça tinha tudo para dar errado, mas com grande surpresa entrega um filme simples e justo. Consegue cumprir com sua proposta principal que é dar dinâmica à reunião de seus heróis. Não consegue criar um vilão tão forte e inesquecível, mas que não é nada de diferente dos últimos filmes da Marvel. A intenção era valorizar a Liga e o fez. A expectativa era baixa, mas que surpreendeu com a mudança equilibrada do tom, com alívios cômicos certeiros e com um ritmo constante em todos os atos. Fez o feijão com arroz que não pode faltar nos pratos dos brasileiros e ouso a dizer que é melhor que o fatídico Capitão América: Guerra Civil (2016) e esse esquizofrênico Thor: Ragnarok (2017).

Ficha Técnica


LIGA DA JUSTIÇA (Justice League, 2017)
Distribuidor: Warner Bross
Gênero: Aventura, Ação
Classificação Etária: 12 Anos
Data de Lançamento: 15 de Novembro de 2017
Tempo de Duração: 2h
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Chris Terrio, Joss Whedon
Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Geoff Johns, Jon Berg, Ben Affleck, Chris Terrio, Christopher Nolan, Daniel S. Kaminsky
Trilha Sonora: Danny Elfman
Elenco: Ben Affleck (Batman / Bruce Wayne), Henry Cavill (Superman / Clark Kent), Gal Gadot (Wonder Woman / Diana Prince), Ezra Miller (Flash / Barry Allen), Jason Momoa (Aquaman / Arthur Curry), Ray Fisher (Cyborg / Victor Stone).

Sinopse: Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot) para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes – Batman, Mulher-Maraviha, Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) -, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.hor (Chris Hemsworth) está preso do outro lado do universo. Ele precisa correr contra o tempo para voltar a Asgard e parar Ragnarok, a destruição de seu mundo, que está nas mãos da poderosa e implacável vilã Hela (Cate Blanchett).

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Sobre o autor

Diego Costa
Capitão (Ger. do Site)

Jornalista e crítico de cinema, atua desde 2012 com audiovisual e com análise de filmes para canal do Youtube. Viciado convicto em Star Wars e um dos fundadores do CineSideral.