Existem filmes que são retratos de uma geração. Eles representam a cultura, o estilo, a infância, juventude e vida adulta de toda uma época, como: O Clube dos Cinco para os anos 80, As Patricinhas de Beverly Hills para os anos 90. Mas, para ser fiel àquela geração, precisa ter sido feito na época retratada e com atores da geração? Gravar um filme hoje ambientado décadas atrás significa colocar uma visão atual do que foi o passado? É possível passar o clima da época fielmente? Jovens, Loucos e Mais Rebeldes responde a essas perguntas.

Escrito e dirigido por Richard Linklater (Boyhood, 2014), o filme traz o mesmo estilo e temática de “Jovens, Loucos e Rebeldes” (1993), também de Linklater. Apesar de não ser uma sequência direta de seu antecessor, é uma continuação espiritual. Dessa vez a história segue Jake, vivido por Blake Jenner (Glee), chegando à faculdade como calouro do time de beisebol e seus dias antes do começo do ano letivo.

Jovens, Loucos e Mais Rebeldes trata-se de acompanhar jovens atletas vivendo um dia normal

Diferente de filmes mainstream, o diretor não conta histórias de maneira tradicional. Este é um estilo que já o segue há muitos anos: mostrar o cotidiano ao invés de uma trama maior. Nada e muito acontecem ao mesmo tempo. Em Jovens, Loucos e Mais Rebeldes, ao invés de motivações maiores, trata-se de acompanhar jovens atletas vivendo um dia normal. Uma das vantagens dessa maneira de escrever é o aprofundamento dos personagens. A falta de uma trama principal dá muito tempo de tela para desenvolver as personalidades de cada um. No longa, cada um dos membros do time tem seu momento e sua personalidade bem definida, os atores, apesar de não serem conhecidos, apresentam um bom trabalho das caricaturas.

O filme se sustenta nos diálogos que não levam a lugar nenhum. São só conversas normais de amigos, tratando de assuntos, como, existencialismo quando estão usando drogas ou provocando uns aos outros. A inserção das falas foi feita em situações que se encaixam de maneira satisfatória, como o diretor já mostrou em diversos outros trabalhos.

Para se retratar uma época é preciso mais do que roupas e maquiagem

Outro acerto foi a ambientação temporal. Linklater mostra que para se retratar uma época é preciso mais do que roupas e maquiagem. O espírito da década, a maneira que as pessoas se comportavam, a música e todo o resto tem que contribuir para a ambientação.

Com algumas boas promessas, mas sem nenhum grande destaque na atuação, Jovens, Loucos e Mais Rebeldes é sobre os personagens, sem uma grande história por trás, mantém seu foco em definir muito bem cada um, sendo engraçado e caricato. Um filme com a cara de Richard Linklater, que talvez não ganhe espaço nos grandes cinemas, mas está presente no Festival do Rio 2016, e tem tudo para ser tão aclamado pela crítica quanto Jovens, Loucos e Rebeldes, que se tornou um clássico cult.

Ficha Técnica

jovens_loucos_e_mais-rebeldes-3JOVENS, LOUCOS E MAIS REBELDES ( Everybody Wants Some)
Distribuidor/ Produtora: California Filmes
Gênero: Comédia
Classificação Etária: 16 anos
Data de Lançamento: 20 de Outubro de 2016
Tempo de Duração: 1h 57 min
Direção: Richard Linklater
Roteiro: Richard Linklater
Produtores: Richard Linklater, Megan Ellison, John Sloss, Sean Daniel
Montadora: Sandra Adair
Trilha Sonora: Michael Giacchino

Elenco: Blake Jenner (Jake), Ryan Guzman (Roper), Tyler Hoechlin (McReynolds), Zoey Deutch (Beverly), Glen Powell (Finnegan), Jonathan Breck (Treinador Gordon)

Sinopse

1980. Jake (Blake Jenner) acaba de chegar à universidade e logo consegue uma vaga na equipe local de baseball, passando a morar na casa que serve de alojamento para o time. Lá ele faz vários novos amigos, entre novatos e veteranos, que o ajudam a se enturmar neste ambiente repleto de diversão, experiências e camaradagem.

CRÍTICA | JOVENS, LOUCOS E MAIS REBELDES
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Trilha Sonora
4.4Pontuação geral
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