CRÍTICA | JOGOS MORTAIS: JIGSAW
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‘NOVO FILME É UM COMPILADO DE TODOS FILMES DA FRANQUIA’

A franquia Jogos Mortais foi criada em 2004 pelo – na época – desconhecido James Wan (Invocação do Mal, Aquaman). O primeiro longa fez o maior sucesso tanto em crítica quanto em bilheteria, pois conseguiu aliar uma trama simples, sangrenta e redondinha, com pouco dinheiro. Ali começava o que seria uma das maiores sagas do gênero de todos os tempos.

Os anos se passaram e as continuações foram saindo. Até Jogos Mortais III (2006), quando a trama principal se encerrava, a série estava em seu auge. A partir de Jogos Mortais IV (2007), as críticas e bilheterias foram despencando gradativamente até o vergonhoso Jogos Mortais – O Final (2010), cujo filme, já pelo título, dava a entender de que seria o fim da franquia de terror. Mas só dava mesmo, pois, em 2017, a Lionsgate reviveu Jigsaw (Tobin Bell) com Jogos Mortais: Jigsaw, um filme que serve mais como uma homenagem do que um recomeço.

O LEGADO

Muitos fragmentos dos filmes anteriores estão presentes em Jogos Mortais: Jigsaw. Na trama, dois detetives precisam lidar com a aparição de corpos pela cidade, ao mesmo tempo em que cinco pessoas, presas em um celeiro, têm que se ajudarem para escapar de diversas armadilhas à la John Krammer. O roteiro de Peter Goldfinger (Piranha, 2010) consegue homenagear os três primeiros filmes da franquia ao identificar ideais e conceitos do protagonista ao longa; a idealização dos jogos mortais, as armadilhas e o desenvolvimento deste arco lembram bastante os primórdios da série. Do outro lado da moeda, o arco policial com os detetives e médicos tenta honrar o que foi apresentado do IV em diante. O ‘plot’ do filme, na verdade, é o famoso ”caça ao rato”, o qual leva o espectador a acreditar na volta de John Krammer (Tobin Bell)Callum Keith Rennie (50 Tons de Cinza, 2015) e Clé Bennett (Como Ela Dança, 2007), embora genéricos, fazem bem o papel padrão de conduzir a trama, sem deixá-la viajar demais. O interessante neste roteiro é o que ele induz o espectador a pensar.  Todos os personagens têm seus demônios e motivos para desconfiança, e, apesar das obviedades do script, a reviravolta consegue até ser interessante.

BOAS MORTES, MAS NEM TANTO

De fato, o maior chamariz da franquia Jogos Mortais são as mortes. O conceito do Krammer para os jogos, estabelecido do I ao III, era organizá-los de maneira que as vítimas tivessem a escolha de sofrerem muito ou pouco, de acordo com as suas atitudes. Do IV ao VII, entretanto, o intuito do novo idealizador dos jogos era só de matar, por isso armadilhas mais elaboradas e cenas mais ‘gores’ foram introduzidas. Em Jogos Mortais: Jigsaw, as mortes ficam como pano de fundo para o desenvolvimento do arco policial. Não há inovação, já que o longa instiga o espectador pela nostalgia de rever elementos e objetos que já foram vistos nos longas anteriores. E há o pudor, pois, mesmo com classificação 18 anos,  a obra esconde seu maior trunfo (as vísceras saindo e as dilacerações) com ‘blur’ e transições rápidas de cena. Apesar disso, a trama substitui muito bem, porém, para o fã, pode fazer falta.

Jogos Mortais: Jigsaw estreia sete anos após o último filme para homenagear a grande franquia de terror que o nome se tornou. Com muitos ‘services’ para fazer o fã lembrar tanto da época de ouro(que foi do I ao III) como dos medíocres IV ao VII, este novo longa pode também agradar o não-fã, pegando mais pelo lado da simples trama policial e um ‘plot twist’ satisfatório. Uma volta digna.

Ficha Técnica

JOGOS MORTAIS: JIGSAW (Jigsaw, 2017)
Distribuidor: Paris Filmes, Lionsgate
Gênero: Terror, suspense, policial
Classificação Etária: 18 anos
Data de Lançamento: 30 de Novembro de 2017
Tempo de Duração: 92 min
Direção: Spierig’s Brothers
Roteiro: Peter Goldfinger, John Stolberg
Produção: Twisted Pictures
Elenco: Matt Passmore, Tobin Bell, Callum Keith Rennie, Clé Bennet, Hannah Emily Anderson

Sinopse: Depois de uma série de assassinatos, todas as pistas estão sendo levadas a John Kramer (Tobin Bell), o assassino mais conhecido como Jigsaw. À medida que a investigação avança, os policiais se encontram perseguindo o fantasma de um homem morto há mais de uma década.

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