CRÍTICA | INTERNET – O FILME
Direção
Enredo
Roteiro
Elenco
Edição / Montagem
2.5Pontuação geral
Avaliação do leitor: (2 Votos)

‘PRODUÇÃO NÃO TEM OUTRA DIREÇÃO EXCETO AGRADAR AOS FÃS’

Em época que o mais importante no cinema brasileiro é ganhar dinheiro com dezenas de comédias de baixo orçamento e qualidade, na maioria risível, e que tenta fisgar uma parcela da população mais adulta que se identifica com as propostas sociais e econômicas, Internet – O Filme apresenta um outro conceito da atual situação do país. Rafinha Bastos custeou e escreveu um longa ousado, que foca em um público-alvo até específico demais, e não se esforça para alcançar outros olhos.

Com uma premissa interessante e ampla que o título sugere, o longa já começa decepcionando. A obra de Fillipo Cappuzi Lapietra (Noite Perdida, 2012, e The House Job, 2014) é de longe sobre Internet em geral,  mas sim sobre uma ainda em crescimento – mesmo que rapidamente – “era dos vlogs”. O roteiro escrito pelo ainda novato no assunto, Rafinha Bastos (co-roteirista em Superpai, 2010) faz um grande encontro de forma satírica dos canais mais famosos do YouTube, além de celebridades de outras plataformas digitais. Essa reunião acontece durante uma convenção chamada WebMeet, onde todos os astros da internet comparecem em uma semana de festa.

Com uma premissa interessante e ampla que o título sugere, o longa já começa decepcionando.

As tramas que se desenvolvem durante essa uma semana brincam com as características dos youtubers de modo que aos fãs assistir seus ídolos em uma telona seja um presente. E talvez seja mesmo; Felipe Castanhari, Júlio Cocielo, Cellbit, Christian Figueiredo, Pathy dos Reis e PC Siqueira, usam todo improviso e talento que mostram nos vlogs, zuando tudo e todos na mídia brasileira, que vai de Felipe Neto até eles próprios. Os memes também estão presentes, mesmo já um pouco atrasado, em momentos pontuais do filme. Eles não são um incômodo até o momento que batem na mesma tecla até cansar – se exibido mais nas periféricas, seria menos forçado. A “sofrência” ocorre na construção dramática; todos os arcos são rasos e sem profundidade alguma, com diálogos sem sentido que força uma piada sem graça e, muitas vezes, de mau gosto. Os “atores” também não ajudam e a superficialidade ronda a cada take. A hipótese onde o filme conquista pode ser imaginada se o espectador entrar na sessão imaginando que vai assistir um vídeo de seu ídolo em tela 30 vezes maior e com duração estendida.

Paulinho Serra não decepciona, embora seu personagem sofra no roteiro de Rafinha.

Alguns desses “atores” de Internet – O Filme até surpreendem em seus papéis, provavelmente não pelo talento florescendo, mas sim pela carisma. A snapchater Thaynara OG, que no filme não se representa apenas no papel, usa sua simpatia e identidade numa personagem que traz o nordeste inteiro para dentro da tela; o vlogger Victor Meyniel também deixa sua marca, e mesmo tendo somente uma cena, diverte mais que outros com mais tempo em cena. A atuação de Paulinho Serra também não decepciona, embora seu personagem sofra no roteiro de Rafinha. Há espaço até para a participação especial de Mr. Catra, fazendo uma óbvia referência a O Todo Poderoso (2003).

Intencional ou não, a experiência visual que Lapietra usa no filme ajuda a manter um contato mais similar a um vídeo no YouTube. A edição e montagem é feita exatamente não para parecer uma obra cinematográfica, mas sim um vlog de mais de uma hora reunindo todos os astros da internet. Efeitos exagerados, gatinhos dj e memes estampados na tela são muito usados no longa. É forçado, mas os vlogs também são, não é? O impacto negativo do roteiro no filme minimiza a experiência final, na medida em que o espectador vá ao cinema apenas pra prestigiar seus ídolos.

A snapchater Thaynara OG usa sua simpatia e identidade numa personagem que traz o nordeste inteiro para dentro da tela.

Internet – O Filme se assume como uma bagunça que tenta divertir única e exclusivamente seu público-alvo. Por esse motivo, o script força ao se direcionar ao jovem de forma pesada, mascarado na edição descolada. Uma geração Z que não percebe e acha quase toda forma de insulto engraçada, como certos bullyings e ‘zuação’, Rafinha recheia os diálogos de frases preconceituosas e desrespeitosas, e vai muito além de um filme recomendado para maiores de 14 anos. Rafinha parece não ter percebido que ele não estava gravando para o seu canal.

Sem dúvida alguma, o filme deve ser conferido àqueles que são fãs do Cocielo, Christian Figueiredo, Felipe Castanhari entre outros. Lapietra e Rafinha o desenvolveu diretamente a você que curte esses tipos de conteúdos na internet, e queira ver seus ídolos fora da telinha do computador. Agora, aos outros públicos, que ao menos esperam por uma comédia, ali, só para entretenimento no final de semana, um conselho: fujam.

Ficha Técnica


INTERNET – O FILME
Distribuidor: Paris Filmes
Gênero: Comédia
Classificação Etária: 14 anos
Data de Lançamento:  23 de fevereiro de 2017
Tempo de Duração: 2h e 12 minutos
Direção: Filippo Capuzzi Lapietra
Roteiro: Rafinha Bastos
Produção: Sandi Adamiu, Márcio Fraccaroli

Elenco: Julio Cocielo (Tito), Felipe Castanhari (Mateus), Patrícia dos Reis (Natalia), Rafinha Bastos (Cesinha Passos), Cauê Moura (Robson), Thaynara OG (Malu), Rafael Cellbit (Paulinho), Mr. Poladoful (Humberto).

Sinopse:

Construído através da coletânea de oito esquetes, “Internet – O Filme” traz a irreverência e a espontaneidade dos conteúdos de humor audiovisual das redes sociais e da internet para o cinema. Em uma convenção de youtubers, os personagens entram em vários conflitos uma vez que todos eles estão em busca da fama a qualquer preço.

 

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