‘VOLTA POR CIMA DE MEL GIBSON’

Há muito os grandes atores de ação dos anos 80 vêm tentando se reafirmar com novos sucessos e há muito eles vêm falhando. O mundo cinematográfico, de fato, mudou, mas de quem seria a culpa: do novo paradigma decorrente dos sucessos dos super-heróis ou estariam nos brucutus velhos demais? Sylvester Stallone talvez tenha se reencontrado com Rocky em “Creed” (2015), mas a boa e velha fórmula não tem mais dado tão certo. Essa foi a vez de Mel Gibson tentar.

Herança de Sangue não traz absolutamente nada de novo. Conta a história do ex-presidiário John Link (Mel Gibson, de Coração Valente – 1995), que se vê arrastado de volta à antiga e perigosa vida para proteger sua filha, Erin Moriarty (Os Reis do Verão – 2013), de traficantes mexicanos. Link é o típico “badass” solitário que está tentando se livrar da bebida e buscar a redenção depois dos problemas causados pelo alcoolismo (qualquer semelhança com a vida pessoal do ator é mera coincidência).

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Mel Gibson de volta à ação

Falando em Mel Gibson, uma questão que não se pode negar é o seu carisma. O ator foi o ponto alto do filme e caiu perfeitamente bem como o velho ranzinza. Além de ser um bom ator de ação e não ter envelhecido mal, como Schwarzenegger, Gibson ainda conta com pequenas doses de humor e sarcasmo, que já mostrou como Martin Riggs na saga “Máquina Mortífera“. Fora o ator, não temos grandes destaques no elenco, apesar de passarem bem, fazem o feijão com arroz básico. Nesse ponto, faltou uma mão mais presente do diretor Jean-François Richet (Inimigo Público nº1 – 2008), que também não conseguiu criar um clima de tensão mais forte como fez em “Assalto à 13ª DP” (2005).

O filme não apresenta nada de novo: a busca por redenção, o velho em sossego, a jovem em perigo e todo o modelo já conhecido desse gênero. Mas é uma história bem amarrada e fechada com algumas boas pitadas, como, as piadas e tiradas sarcásticas, que infelizmente são poucas. A Trilha Sonora é um ponto fraco e faz pensar se músicas pesadas combinariam mais com as cenas, pois temos o clima motoqueiro e a falta da sonoridade tematizada deixa a desejar.

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Mel Gibson e Erin Moriarty

Apesar de nenhuma grandeza, “Herança de Sangue” é um bom filme. Utiliza um formato conhecido, mas usa bem, não se perde e não foge ao prometido. Já Mel Gibson é o algo a mais, seu carisma e talento não se perderam com o tempo. O físico e a experiência em filmes de ação também foram pontos para o ator. Assim como no filme, o personagem busca a redenção e esperamos que esse seja o primeiro passo para a volta por cima de Gibson no Cinema.

Ficha Técnica

heranca_de_sangue-3HERANÇA DE SANGUE (Blood Father)
Distribuidor/ Produtora: California Filmes
Gênero: Ação, Suspense
Classificação Etária: 14 anos
Data de Lançamento:  08 de setembro de 2016
Tempo de Duração: 1h 28 min
Direção: Jean-François Richetodd Philips
Roteiro: Peter Craig e Andrea Berloff
Produtores: Chris Briggs, Pascal Caucheteux, Peter Craig, Sebastien Lemercier, Jennifer Roth
Fotografia: Robert Gantz
Trilha Sonora: Sven Faulconer
Elenco:
Mel Gibson (John Link), Erin Moriarty (Lydia), Diego Luna (Jonah), Michael Parks (Preacher), William H. Macy (Kirby Curtis), Dale Dickey (Cherise), Thomas Mann (II) (Jason), Miguel Sandoval (Arturio Rios)

Sinopse:

John Link (Mel Gibson) vive em meio ao deserto na Califórnia onde seu trailer também serve como estúdio de tatuagem. Vivendo longe de drogas e violência, ele tem seu cotidiano afetado com a chegada de sua filha desaparecida que está jurada de morte por traficantes. Ele fará de tudo para protegê-la.

 

CRÍTICA | HERANÇA DE SANGUE
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Trilha Sonora
3.0Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

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