CRÍTICA | GHOST IN THE SHELL (ANIMAÇÃO)
Direção
Roteiro
Animação
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Trilha Sonora
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TRAZ REFLEXÕES INTERESSANTES E UMA ANIMAÇÃO RICA EM DETALHES’

Publicado em 1991, pelo japonês Masamune Shirow, o mangá Ghost in the Shell, no qual a animação homônima de 1995 se baseia, não poderia ser mais atual. Estamos em uma era em que a tecnologia nos consome, onde pedimos pela senha do Wi-Fi antes do cardápio em um restaurante, e um simples sinal de bateria fraca em um smartphone é o suficiente para causar pânico. E o avanço vai muito além do que vemos ou utilizamos no nosso dia a dia. Hoje,  já são fabricadas próteses biônicas totalmente controladas pelo cérebro, assim como implantes de chips que ampliam a capacidade humana, nos aproximando da realidade apresentada por Shirow.

Sob a direção do conceituado Mamoru Oshii (Avalon, 2001; The Sky Crawlers, 2008), a animação cyberpunk* Ghost in The Shell tem uma premissa relativamente simples – polícia persegue bandido. O que torna o filme interessante, porém, é a discussão a respeito das implicações do uso desenfreado da tecnologia e do que define vida e consciência.

Discussão a respeito das implicações do uso desenfreado da tecnologia e do que define vida e consciência.

A trama se passa em 2029, em um mundo dominado pelos avanços tecnológicos. A serviço da Seção 9, divisão da polícia que lida com crimes cibernéticos, a Major Motoko Kusanagi e sua equipe enfrentam o cyber-terrorista “Puppet Master”, que hackeia cérebros informatizados para acessar redes secretas do governo. Durante a busca, a Major, que é uma ciborgue completa, questiona a sua própria existência. Com a maior parte do corpo robotizada e a mente tecnologicamente aprimorada, o que realmente lhe dá vida? Seria o que restou de sua sua consciência (ghost, ou alma, na tradução) o suficiente para que seja considerada humana?

Com tais reflexões como ponto central do longa, os personagens não tem um background desenvolvido – o que realmente importa são os questionamentos. Com muitos diálogos e longas sequências que enfatizam o teor filosófico da história, o filme não se prende às cenas de ação. Além disso, afasta-se do lado mais leve e do humor característicos do mangá.

Aparência humana, mas frios e sem vida.

A qualidade técnica da animação impressiona, assim como a preocupação com os mínimos detalhes nos cenários e personagens, ambientando bem o espectador. A trilha sonora de Kenji Kawai só surge quando realmente necessária, mas é forte e intensifica os sentimentos e ideias que as cenas transmitem. A frieza do local e dos seres humanos robotizados ganham destaque em uma sequência em que passeamos lentamente pela cidade, terminando com um take de diversos manequins em uma loja – aparência humana, mas frios e sem vida. A mensagem não poderia ser mais clara.

Em uma época em que nos acostumamos a depender cada vez mais da tecnologia, Ghost in The Shell traz reflexões interessantes e uma animação rica em detalhes. Vale a pena conferir antes do lançamento da versão em live action, que estréia no Brasil no dia 30 de Março e tem Scarlett Johansson como protagonista.

*Cyberpunk – Subgênero da ficção científica no qual a alta tecnologia se sobrepõe à uma sociedade degradada.
Ficha Técnica

GHOST IN THE SHELL
Distribuidor: Shochiku
Gênero: Anime, Ficção Científica
Classificação etária:
Data de Lançamento: 19 de Julho de 1996
Tempo de Duração: 1h 23 min
Direção: Mamoru Oshii
Roteiro: Kazunori Ito, Masamune Shirow
Produção: Mitsuhisa Ishikawa, Ken Iyadomi, Ken Matsumoto, Yoshimasa Mizuo, Shigeru Watanabe, Andy Frain, Teruo Miyahara, Takashi Mogi
Trilha Sonora: Kenji Kawai

Elenco: Atsuko Tanaka (Major), Richard Epcar (Bateau), Okio Otsuka (Batô), Koichi Yamadera (Togusa), Tamio Oki (Chefe Aramaki)

Sinopse: Em 2029, em uma cidade dominada pela tecnologia, a Major Motoko Kusanagi comanda uma equipe policial especializada em crimes cibernéticos em uma busca por “Puppet Master”, um cyber-terrorista que usa lavagem cerebral e conexões neurais para invadir a rede de informações do governo.

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Sobre o autor

Renata Fernandes
Navegadora (Crítica)

Cineasta, crítica de Cinema e estudante de Jornalismo. Respira Cinema e é uma nerd de carteirinha.