Os conflitos familiares são temas recorrentes dos filmes do canadense Xavier Dolan, considerado um dos jovens prodígios de Hollywood. A conturbada relação entre mãe e filho foi o centro do aclamado Eu Matei Minha Mãe (2009), um reflexo da vida do próprio Dolan. Homossexual, o protagonista se vê preso a um relacionamento que transita entre o amor e o ódio. Já em Mommy (2014), lançado cinco anos depois, o conflito vem do temperamento difícil dos personagens, e da luta da mãe e do rapaz adolescente com um transtorno mental.

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Conflitos familiares são temas recorrentes dos filmes do canadense Xavier Dolan

Com seis longa metragens dirigidos no currículo, Dolan tem uma lista considerável de prêmios na prateleira. Baseado na peça Jean-Luc Lagarce, de mesmo nome, É Apenas o Fim do Mundo (Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes – 2016) mostra o reencontro do escritor Louis (Gaspard Ulliel) com sua família, após doze anos de trocas limitadas de correspondências. O protagonista está a beira da morte, e planeja usar a visita para contar pessoalmente. Sua “última ceia”, porém, é pontuada por conflitos quando as mágoas de cada personagem são expostas à mesa.

Conhecendo a família, fica fácil entender porque Louis manteve a distância por tanto tempo. Durante todo o filme, o clima é propositalmente desagradável e tenso. Os cômodos da casa da mãe, onde a maior parte do longa se passa, são escuros e entulhados, criando um ambiente claustrofóbico. A montagem é ágil, assim como os diálogos, mas o excesso de closes em cada personagem, em imagens fechadas, contribui para a criação de uma atmosfera angustiante.

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Protagonista está a beira da morte, e planeja usar a visita para contar pessoalmente

Apesar de pequeno, o elenco é excelente. A veterana Nathalie Baye (Lawrence Anyways, 2012) interpreta a matriarca da família, enquanto Vincent Cassel e Léa Seydoux, recentemente um casal em  A Bela e a Fera (Christophe Gans, 2014) assumem os papéis de Antoine e Suzanne, os ressentidos irmãos de Louis. Marion Cottilard fecha o grupo como a cunhada insegura. A dinâmica familiar é apresentada de forma interessante, mas falha ao apostar na violência e gritaria. Apesar dos doze anos longe, Louis parece ser o culpado por todos os fracassos da família, sem qualquer razão. Os personagens não se comunicam realmente. Apenas jogam seus sentimentos e frustrações aleatoriamente, sem preocupação alguma em ouvir o que os outros tem a dizer. Antoine e Suzanne parecem sequer saber falar sem agressividade (o clímax entre Louis e o irmão chega a ser doloroso nesse aspecto). Em meio a uma família histérica, o protagonista é apenas uma sombra passiva, incapaz de se expressar.

Apesar de tecnicamente excelente, É Apenas o Fim do Mundo falha justamente no roteiro. Carregados de mágoa e cheios de questões mal resolvidas, os personagens do longa tinham tudo para dar profundidade à trama. Infelizmente perdem-se diante de um desenvolvimento raso e da gritaria gratuita.

Ficha Técnica

e_apenas_o_fim_do_mundo-1É APENAS O FIM DO MUNDO (Juste La Fin Du Monde)
Distribuidor/ Produtora: California Filmes
Gênero: Drama
Classificação Etária:
Data de Lançamento: 24 de Novembro 2016
Tempo de Duração: 1h 39 minutos
Direção: Xavier Dolan
Roteiro: Xavier Dolan
Produtores: Xavier Dolan, Nathanaël Karmitz, Michel Merkt
Trilha Sonora: Antonio Pinto
Diretor de Fotografia: André Turpin
Montador: Xavier Dolan

Elenco: Gaspard Ulliel (Louis), Nathalie Baye (A mãe), Léa Seydoux (Suzanne), Vincent Cassel (Antoine), Marion Cotillard (Catherine).

Sinopse:

Longe de casa há doze anos, o escritor Louis (Gaspard Ulliel) vai ao encontro da mãe, da irmã, do irmão e da cunhada para informá-los que irá morrer em breve. No entanto, o roteiro da curta reunião, idealizado por Louis, sairá de seu controle assim que as mágoas, as memórias, as brigas e as lágrimas do passado começarem a ressurgir entre a família.

CRÍTICA | É APENAS O FIM DO MUNDO
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Montagem
3.9Pontuação geral
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