NETFLIX | DEATH NOTE (CRÍTICA)
Direção
Roteiro
Elenco
Efeitos Visuais
Adaptação
2.8Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

‘FALHA EM SER UMA ADAPTAÇÃO, FALHA EM SER UM FILME ORIGINAL’

Por: Henrique Picanço

Quando anunciado pela Netflix, o filme de Death Note começou a dividir opiniões. Alguns, diziam que americanos não sabiam fazer adaptações de mangás, vide o fracasso de Dragonball Evolution. Outros diziam, que por ser da Netflix, havia de ter uma maior liberdade do diretor em explorar mais as ideias originais da história para desenvolverem o filme. Bem, para azar de quem se identifica com o segundo, o filme de Death Note consegue não ser só bom, como destoa muito de qualquer referência anterior da franquia.

Light Turner é um estudante estudioso. Num dia, acaba encontrando um Death Note, caderno capaz de matar uma pessoa apenas tendo o nome e o rosto da vítima. Ele se utilizará disso para vingar-se e tornar o mundo um lugar justo para pessoas corretas. Para começar, é difícil analisar este filme como não sendo uma adaptação. Death Note pela apenas a síntese principal da história (o caderno) e alguns personagens do original para criar uma história quase que completamente diferente. Light, que originalmente é um estudante exemplar, estudioso e inteligente, torna-se um rapaz que usa da sua inteligência para ganhar uma grana – e ainda assim não parece ser muito, com o decorrer da história. Misa, uma idol que é submissa a Light, torna-se Mia, uma garota com ambição e que acaba por gostar do poder que tem em mãos. L, investigador tão calculista quanto Light, centrado e calmo, e que faz o contraponto da história, vira um investigador que não consegue manter a calma ao primeiro sinal de que as coisas saíram de seu controle.

A história é corrida, parecendo que o filme buscou contar a maior quantidade possível da história em apenas uma hora e quarenta minutos de filme. Além disso, alguns elementos foram retirados. Originalmente, Death Note é uma história centrada em uma guerra de psiques, onde o primeiro a fazer um passo em falso será pego – aqui, o que correr mais rápido ganha. O senso de justiça que também motiva a série é removido no filme. O enredo perde o charme do mangá e do anime, e torna-se apenas uma colcha de retalhos, tentando ser um filme de romance adolescente, com investigação e ação.

A direção de Adam Wingard também decepciona. A adição de cenas gore a trama é jogada e não combina com a história, além de escolhas estranhas de enquadramento de câmera, muitas vezes tentando imitar o anime, mas sem sucesso. A trilha sonora também não combina. A história se passa em algum momento depois de 2005 – O celular flip de Light Turner deixa uma dúvida sobre isso.

No fim, Death Note consegue ser apenas uma junção de elementos típicos de filmes americanos para jovens, com uma pegada de anos 80 em pleno anos 2000, e que esquece de tentar ser cult, como o mangá e anime originais, e assume-se involuntariamente como trash. Ruim, do seu início ao seu fim.

Ficha Técnica


DEATH NOTE (Death Note)
Distribuidor: Netflix
Gênero: Aventura, Ação, Fiçcão
Classificação Etária: 16 anos
Data de Lançamento: 25 de Agosto de 2017
Tempo de Duração: 1h 41min
Direção: Adam Wingard
Roteiro:  Charley Parlapanides,  Vlas Parlapanides
Produção:  Lin PicturesVertigo Entertainment
Elenco: Nat Wolff (Light Turner), Lakeith Stanfield (L), Margaret Qualley (Mia), Shea Whigham (James), Willem Dafoe (Ryuk)

Sinopse: Seattle, Estados Unidos. Light Turner (Nat Wolff) é um estudante brilhante que, um dia, encontra um caderno que repentinamente cai do céu. Trata-se do Death Note, que permite ao seu portador matar qualquer pessoa que conheça a partir da mera anotação do nome do alvo numa de suas páginas. Sob a influência de Ruyk (Willem Dafoe), o dono do caderno, Light passa a usá-lo para eliminar criminosos e pessoas que escaparam da justiça. A súbita onda de assassinatos faz com que ele seja endeusado por muitos, que o apelidaram de Kira, mas também atrai a atenção de um enigmático e também brilhante detetive, chamado L (Lakeith Stanfield).

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