CRÍTICA | COMO SE TORNAR O PIOR ALUNO DA ESCOLA
Direção
Roteiro
Elenco
Efeitos Visuais
Adaptação
4.2Pontuação geral
Avaliação do leitor: (17 Votos)

‘UMA COMÉDIA PARA QUEM AMA O POLITICAMENTE INCORRETO’

Quando foi anunciado o filme de Como se Tornar o Pior Aluno da Escola, logo me veio à mente os problemas que o filme teria – baseado nos problemas que o livro, lançado em 2009, teve. Depois de assistir ao longa, eu tenho certeza que ele será muito criticado pelos defensores do politicamente correto. E, quando isso acontecer, o objetivo do filme terá sido alcançado.

Este é o primeiro trabalho de Fabrício Bittar como diretor de cinema. Ele, porém, já trabalhou com Danilo Gentili na série Politicamente Incorreto, que foi produzida para o canal pago FX. A parceria entre os dois acabou por chegar às grandes telas por vontade do diretor, que quis adaptar o livro para o cinema. A partir daí, foram longos anos até que começassem as filmagens.

No meio do caminho, acabaram por ter um dos melhores nomes da comédia latina americana no elenco: Carlos Villagrán (Chaves) dá vida ao diretor que sofre com as pegadinhas cada vez mais pesadas que os garotos fazem. Sua atuação é boa, mas complicada de ser entendida por conta da barreira linguística. Nada que tire o brilho e a graça de sua personagem.

O filme em si conta com vários momentos com piadas fortes ou situações surreais. Não é demérito do filme, que faz questão de se colocar apenas como um “filme de comédia”, deixando de lado a ideia de fixar um público-alvo. Em alguns momentos, algumas piadas ou situações que poderão deixar o público defensor do politicamente correto muito irritado. Em todas as cenas há alguém fazendo uma trollada; se não é entre os personagens, é com os personagens e o público. O filme baseia-se nisso, e o faz de uma forma bem-humorada, como se ainda estivéssemos na escola.

A fotografia do filme, executada por Eduardo Makino, é ótima, pois esconde bem a ideia de que a trama não é rodada numa escola real – tudo é cenário. Além disso, o conjunto técnico traz uma sensação de filme americano de médio orçamento, coisa que poucos longas brasileiros do grande circuito comercial conseguiram fazer nos últimos tempos.

Na atuação, o destaque vai para os atores Bruno Munhoz, que interpreta Pedro, e Daniel Pimentel, como Bruno. Os protagonistas de Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola conseguem transpassar todas as inseguranças e atitudes de adolescentes que cansaram de ser certinhos. Além disso, não parecem em nenhum momento não ter a idade que seus personagens têm; Bruno, na época das gravações do filme, tinha 12 anos; Daniel, por sua vez, tinha 18 anos, mas seus papéis têm 14. Não me veio a cabeça a possibilidade dessa diferença de idade durante o filme.

 

Também há o destaque da maior estrela do filme, Carlos Villagrán, que faz uma participação especial com o personagem Ademar, diretor da escola. Mesmo que nem tudo o que o personagem diz possa ser entendido, há o esforço em falar Português. Mesmo não conseguindo, acaba por ser um tornar uma característica favorável ao personagem.

No final, Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola é uma união de piadas de duplo sentido e de bullying, característicos das nossas épocas de escola antes da década de 2010. O filme luta muito contra o politicamente correto que impera na sociedade nos tempos atuais. É um ótimo filme nacional, mas só é possível aproveitá-lo ao máximo se você desligar qualquer senso moralizador e simplesmente encarar que nada ali é, de fato, para ferir alguém, mas apenas para provocar risadas.

Ficha Técnica

Como se Tornar o Pior Aluno da Escola
Distribuidor: Paris Filmes
Gênero: Comédia, Aventura, Ação
Classificação Etária: 14 Anos
Data de Lançamento: 12 de Outubro de 2017
Tempo de Duração: 106min
Direção: Fabrício Bittar
Roteiro:  Danilo Gentili, André Catarinacho, Fabrício Bittar
Produção:  Paris Filmes, Clube Filmes, Warner Bros., Telecine
Elenco: Bruno Munhoz, Daniel Pimentel, Carlos Villagrán, Danilo Gentili

Sinopse: Bernardo (Bruno Munhoz) e Pedro (Daniel Pimentel) são estudantes e enfrentam as clássicas tarefas de cumprir as obrigações escolares, tirar boas notas, ter bom comportamento e cumprir as regras da escola, cada vez mais elaboradas graças ao diretor Ademar (Carlos Villagrán). Frustrados, Pedro acaba encontrando um diário de como provocar o caos na escola sem ser pego, o que leva os dois amigos a seguirem as dicas do caderno.

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