Mais um filme de “Sessão da Tarde”

Em meio a uma grande leva de adaptações cinematográficas de best-sellers surge “Como Eu Era Antes de Você”, adaptação do livro homônimo, escrito por Jojo Moyes, lançado em 2012. Percebe-se um padrão nas obras literárias e em suas adaptações ao cinema:  uma garota desastrada que está em um momento derradeiro de sua vida, encontra de forma aleatória um par romântico. Os personagens masculinos possuem características similares: beleza padronizada aos moldes de editoriais da Vogue, dinheiro e sempre uma peculiaridade, como, particularidades sexuais, poderes sobrenaturais ou alguma limitação física.

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Sam Claflin interpreta Will e Emilia Clarke dá vida a Lou.

No caso de “Como Eu Era Antes de Você” a limitação física de Will Traynor é o que introduz Louisa Clark, uma jovem de 26 anos contratada para ser cuidadora do rapaz que ficou tetraplégico após um acidente de trânsito. O casal de protagonistas já é conhecido pelo público-alvo do filme. Sam Claflin, que interpreta Will, participou da saga “Jogos Vorazes” e Emilia Clarke, que dá vida a Lou, é conhecida como “Mãe dos Dragões” pela série “Game of Thrones”.

O relacionamento que os dois desenvolvem, juntamente com a condição física de Will, é o que desencadeia todos os acontecimentos do filme e o foco é especificamente nisso, limitando assim o desdobramento de outros personagens, tornando-os desinteressantes e alguns momentos beirando à chatice. Um exemplo claro é Patrick (interpretado por Matthew Lewis que é conhecido pela sua participação como Neville Longbottom em todos os filmes da saga “Harry Potter”), um triatleta que é namorado de Lou. O primeiro par romântico da protagonista tem aparições tão desconexas com o enredo, que incomodam.

Relacionamento desenvolvido a partir da limitação física de Will

O restante do elenco foi usado para a história ser um pouco mais crível e como trampolim para cenas “emocionantes”. A busca por lágrimas do espectador parece que foi a principal motivação do longa. Foram usados todos elementos clichês que o público já conhece: música melodramática e diálogos lúdicos que expressam sintonia e intimidade entre o casal. Essas cenas apresentaram também a limitação das atuações, direção e roteiro. Falando no quesito roteiro, esse é outro ponto fraco do filme. Uma rápida busca por profundidade e se percebe a bi dimensionalidade do enredo apresentado.

A roteirista foi a própria escritora Jojo Moyes e mesmo o filme tendo menos de duas horas de duração o seu desenrolar fica arrastado e extremamente previsível e recheado de diálogos com pouca naturalidade. A direção ficou a cargo de Thea Sharrock, uma estreante no cinema, mas com uma carreira de grande sucesso no teatro. A diretora certamente tenta abocanhar os leitores que devoram livros com histórias românticas ou espectadores em busca de lágrimas no cinema. Talvez essa missão tenha sido um sucesso, mas o filme certamente não convence a mais nenhuma parcela de público. Questões técnicas enfraquecem ainda mais a produção. Em determinada cena percebe-se o fracasso de recriar um ambiente natural para dar impressão de que o registro foi feito fora de estúdio.

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A personagem de Emilia Clarke com ares infantiloides

Sente-se que a atuação de Emilia Clarke não foi bem trabalhada. Sua personagem, Louisa, ficou com ares infantiloides, além disso, não expressa naturalidade, pois está sempre sorrindo ou com feição extremamente contraída demonstrando choro. O trabalho de Sam Claflin mostrou-se ainda mais deficiente. Will é posto a emoções de extrema complexidade e sofrimento, mas o ator não conseguiu traduzir isso.

De forma geral o filme é extremamente fraco e todo o enredo se baseia em estereótipos, clichês e se limita a ser mais um “conto de fadas moderno”. A trama apenas esqueceu do poder que um filme com tanto buzz tem, não abordou de forma alguma as dificuldades que um cadeirante ou qualquer pessoa com limitações psicomotoras e apenas retrata o cotidiano irreal de um milionário que mora em um castelo.

Para aqueles que possuem tempo de sobra nas tardes, uma excelente notícia: “Como Eu Era Antes de Você” certamente é um novo lançamento que irá integrar o catálogo de filmes da “Sessão da Tarde”.

Ficha Técnica

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COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ (Me Before You)
Distribuidor/Produtora: 
Warner Bros
Gênero:
Romance, Drama
Classificação Etária
10 anos
Data de Lançamento: 
16 de Junho de 2016
Tempo de Duração: 
1h 52 min
Direção:
Thea Sharrock
Roteiro:
Jojo Moyes
Produtor:
Alison Owen, Karen Rosenfelt, Sue Baden-Powell
Fotografia:
Remi Adefarasin
Montador:
John Wilson
Elenco:
Emilia Clarke (Louisa Clark), Sam Claflin (William Traynor), Janet McTeer (Camilla Traynor), Charles Dance (Steven Traynor), Brendan Coyle (Bernard Clark), Jenna Coleman (Katrina Clark), Matthew Lewis (Patrick), Vanessa Kirby (Alicia), Stephen Peacocke (Nathan), Samantha Spiro (Jodie Clarke), Joanna Lumley (Memorable Wedding Guest).

Sinopse
Rico e bem sucedido, Will (Sam Claflin) leva uma vida repleta de conquistas, viagens e esportes radicais até ser atingido por uma moto, ao atravessar a rua em um dia chuvoso. O acidente o torna tetraplégico, obrigando-o a permanecer em uma cadeira de rodas. A situação o torna depressivo e extremamente cínico, para a preocupação de seus pais (Janet McTeer e Charles Dance). É neste contexto que Louisa Clark (Emilia Clarke) é contratada para cuidar de Will. De origem modesta, com dificuldades financeiras e sem grandes aspirações na vida, ela faz o possível para melhorar o estado de espírito de Will e, aos poucos, acaba se envolvendo com ele.

Crítica | Como Eu Era Antes de Você
Direção
Roteiro
Elenco
Direção de Arte
Montagem
2.3Pontuação geral
Avaliação do leitor: (6 Votos)

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