CRÍTICA | BOHEMIAN RHAPSODY
Enredo
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‘QUEEN E UM SAUDOSISMO ATRAENTE’

Produzido em meio há polêmicas de escalação de atores e no fim notícias de abuso sexual envolvendo o diretor Bryan Singer (Os Suspeitos, 1995), você poderia pensar que a história de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos e com o seu controverso e genial vocalista seria explosivamente retratada no cinema, mas um caminho mais suave é a escolha da produção desse longa. O seu enredo conta a história de Freddie Mercury e o nascimento da Banda Queen até sua apresentação no show beneficente Liv Aid, percorrendo pontos importantes que foram claramente escolhidos por Brian May e Roger Taylor, integrantes da banda e também produtores de Bohemian Rhapsody, mas de cara deixa de lado a importante participação na trilha dos filmes Flash Gordon e Highlander da icônica Who Wants To Live Forever.

O roteiro, escrito pelo mesmo roteirista de A Teroria de Tudo (2014) Anthony McCarten, tem uma estrutura narrativa circular na qual inicia no importante show no estádio de Wembley, na Inglaterra, seguindo para os acontecimentos antes desse evento e retornando para o ponto inicial num fim apoteótico. Muito criticado e dividindo opiniões lá fora, o roteiro não se aprofunda na vida polêmica do vocalista e nem no processo criativo da banda, tornando-se mais um longa do gênero com apenas momentos de entusiasmo saudosistas. A ideia realmente foi contar uma história mais acessível ao público geral, tonando-a mais suave possível.  Essa suavidade é possível ver como os excessos e a vida íntima de Mercury e a sua relação com os integrantes da banda são retratados, sendo em alguns momentos um tanto artificiais. A exemplo disso são alguns diálogos, principalmente entre o vocalista e o seu primeiro amor Mary (Lucy Boyton), onde em uma cena que retrata o afastamento e solidão do cantor soa com uma superficialidade que é desnecessária ao longa.

Voltando a questão da vida íntima de Mercury, não vejo como negativo não se aprofundar em algumas questões que digam respeito a sua intimidade, mas essa mesma falta de profundidade no processo criativo da banda foi decepcionante.  Na autoria e produção da música que carrega o nome do longa, o roteiro flerta com essa profundidade, mas acaba apenas apresentando uma pequena parte da genialidade de Freddie Mercury e da guitarra de Brian May e o equilíbrio perfeito banda. O roteiro também erra e muito na cronologia da história do Queen e alguns momentos se perde nela. O filme retrata a vinda banda ao Rock in Rio numa fase bem antes de 1985, inclusive a caracterização de Mercury aparece por aqui sem bigode, mas esse momento se mostra importante para a história da banda e certamente agradará os fãs brasileiros.

A caracterização dos personagens não foi perfeita, mas é bem fiel. Diferente de Brian May, a produção de Bohemian Rhapsody sofreu para achar o seu vocalista. Antes da escolha de Rami Malek (Mr, Robot, 2015), Sacha Baron Cohen (eterno Borat) foi escalado para o papel principal. Ele certamente seria retrato fiel de Freddie Mercury, mas decidiu deixar o papel por conta da direção que o roteiro estava traçado. Malek tem um boa atuação como o vocalista, mas em alguns momentos apresenta a pessoa de Mercury um tanto caricata. A química entre Malek e Gwilyam Lee (O Turista, 2011) funciona muito bem e apresenta uma dinâmica bem interessante entre Freddie Mercury e Brian May.

Direção

Apesar da saída de Bryan Singer antes da finalização do longa, ainda é possível ver a assinatura do diretor, principalmente nas cenas de performance nos palcos. Sempre com um tom apoteótico que você vai conferir na apresentação da banda no Live Aid, que arrecadou dinheiro para África. Singer também evidencia bem a relação da banda que tem personalidades diferentes, sendo um diferencial  para que o Queen desse certo.  A  edição dá uma visão bem episódica e por incrível que pareça isso influencia exatamente nas melhores partes, que são os musicais, porque acabam sendo retalhos das músicas e dos shows.

Saudosismo

Bohemian Rhapsody poderia ter sido genial como o Queen e a sua rainha Freddie Mercury foi não só na história do Rock, mas sim na história da música. Entre recortes cinematográficos do que foi essa grande banda, fica o saudosismo em ver e ouvir trechos dos grandes hits. E para quem viveu a época, resta chorar com um lindo sorriso revivendo o frescor e a intensidade que Mercury e companhia trouxeram ao cenário pop em um final apoteótico e emblemático.

Ficha Técnica

 

BOHEMIAN RHAPSODY (2018)
Distribuidor:  FOX FILM
Gênero: Biografia, Drama
Classificação Etária: 14 anos
Data de Lançamento: 01 de Novembro de 2018
Tempo de Duração: 2h 15min
Direção: Bryan Singer

Elenco: Rami Malek (Freddie Mercury); Gwilym Lee (Brian May); Ben Hardy (Roger Taylor); Joseph Mazzello (John Deacon); Lucy Boynton (Mary Austin); Aidan Gillen (John Reid); Tom Hollander (Jim Beach); Allen Leech (Paul Prenter).

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