CRÍTICA | BELEZA OCULTA
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Edição
Trilha Sonora
3.5Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

‘AMOR, TEMPO E MORTE’

A morte é, e sempre foi, o grande medo da humanidade. Durante toda a nossa existência, a ciência vem tentando descobrir resposta para ela, criando teorias e tornando esse processo menos doloroso. Por outro lado, temos a religião, que de uma forma bem diferente, também tem a promessa de diminuir esse medo e a dor deixada por ela.

Apesar de ser um assunto triste e que poucos gostam de comentar, é inevitável e até bonito, quando tratado romanticamente. E é na arte que a morte toma essa forma e disfarça o seu verdadeiro significado. Livros, peças, músicacinema, dão o tom cor de rosa para esse assunto tão preto e branco, ajudando as pessoas que passam por esse momento tão difícil.

Will Smith, Edward Norton, e o diretor David Frankel nas gravações de ‘Beleza Oculta’

Assim também acontece em Hollywood, que a tempos vem inserindo a morte e os grandes mistérios da vida em seus roteiros, atraindo fãs e quebrando tabus da sociedade. Essa fórmula é um dos grandes sucessos da indústria cinematográfica, sendo usado mais uma vez como no enredo no novo filme de Will Smith.

A produção que leva o nome de Beleza Oculta, tem como protagonista o publicitário Howard Inlet (Will Smith – Esquadrão Suicida, Um homem Entre Gigantes), que junto com o seu sócio Whit Yardsham (Edward Norton – Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância) é dono de uma agência famosa em Nova York. Após alguns anos de sucesso, uma tragédia assola sua vida, sua filha de 6 anos morre decorrente de um câncer raro no cérebro. Fato que destrói a vida de Howard por completo, levando ao divórcio e a uma grande depressão.

Sem saber lidar com a situação, Howard adota um hábito curioso, ele começa a mandar cartas para o Amor/Amy (Keira Knightley – O Jogo da Imitação), o tempo/Raffi (Jacob Latimore – Maze Runner: Correr ou Morrer) e a morte/ Brigitte (Helen Mirren – A Rainha, Trumbo: Lista Negra), na esperança de conseguir uma explicação pelo ocorrido. O que Howard não esperava era que eles iriam responder seus questionamentos na forma de atores contratados por seus colegas de trabalho Claire (Kate Winslet – O Leitor , Steve Jobs) e Simon (Michael Peña – Perdido em Marte), que estão tentando salvar a empresa da falência.

Will Smith é o protagonista da história

Com tantos atores indicados ao Oscar e de grande prestígio, a produção não erra na hora de escalar o elenco, dando ao filme tudo para ser uma grande aposta para premiações, se não fosse a má qualidade do roteiro, que rebaixa o talento dos atores, resumindo a produção em uma autoajuda de natureza duvidosa. O roteirista Allan Loeb (Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, Quebrando a Banca) toca em assuntos importantes como a relevância da vida, o motivo pelo qual vivemos e sentimentos que ligam todos os indivíduos, mas não consegue ponderar o elemento “drama” na história, se perdendo na conclusão e não repetindo a qualidade dos seus trabalhos anteriores, sendo o grande responsável pelo o título de pior filme do ano, segundo os grandes críticos de cinema dos Estados Unidos.

Já a direção de David Frankel (Marley e Eu, Diabo Veste Prada), acompanha a qualidade da atuação dos atores, linear e temporal. Assim como a edição de Andrew Marcus (American Ultra: Armados e Alucinados),  que utiliza cortes e diálogos curtos, rápidos e sempre importantes para o contar da história. Sem desperdiçar nenhum minuto do filme ou usar cenas desnecessárias, mantendo o ritmo dos seus trabalhos anteriores. A trilha sonora fica por responsabilidade de Mychael Danna (As Aventuras de Pi) com uma escolha de músicas mais lentas, também carregada de drama, dando um olhar mais carregado e sombrio para a história. Principalmente nas cenas de dor do protagonista, acompanhadas de descobertas e da evolução da história.

Filme forte, com uma carga elevada de drama e atuações exemplares, repletos de estrelas e rostos conhecidos de Hollywood, desde seu elenco, até sua equipe técnica. Fator que não impede que o filme não funcione pelo fraco argumento no roteiro, desapontando as expectativas dos críticos e falhando ao entregar sua mensagem principal. Apesar de ser dramático e ser tocante emocionalmente em alguns momentos, não oferece mais do que o óbvio, se tratando de filmes com essa temática. Oportunidade para acompanhar os maiores atores de Hollywood juntos, sem esperar nada além.

Ficha Técnica

BELEZA OCULTA (Collateral Beauty )
Distribuidor: Warner Bros
Gênero: Drama
Classificação Etária: 14 Anos
Data de Lançamento:  26 de Janeiro de 2017
Tempo de Duração: 1h e 37 min
Direção: David Frankel
Roteiro: Allan Loeb
Produção: Anthony  Bregman, Bard Dorros, Kevin Scott Frakes, Allan Loeb, Michael Sugar, Ankur Rungta  e Toby Emmerich
Diretor de Fotografia: Maryse Alberti
Trilha Sonora: Mychael Danna

Elenco: Will Smith ( Howard Inlet), Kate Winslet ( Claire), Keira Knightley (Amy), Helen Mirren ( Brigitte), Edward Norton ( Whit Yardsham), Naomie Harris (Madeleine), Michael Peña (Simon), Jacob Latimore (Raffi), Enrique Murciano (Stan), Kylie Rogers (Allison Yardsham), Ann Dowd (Sally Price) e Shirley Rumierk (Fiona)

Sinopse:

Após uma tragédia pessoal, Howard (Will Smith) entra em depressão e passa a escrever cartas para a Morte, o Tempo e o Amor – algo que preocupa seus amigos. Mas o que parece impossível, se torna realidade quando essas três partes do universo decidem responder. Morte (Helen Mirren), Tempo (Jacob Latimore) e Amor (Keira Knightley) vão tentar ensinar o valor da vida para o protagonista.

Comentários

comentários