Não deveriam ter saído das sombras

O reboot de “As Tartarugas Ninjas” (2014), produzida por Michael Bay (Transformers: A Era da Extinção – 2014) e que teve a direção de Jonathan Liebesman (Fúria de Titãs 2 – 2012), recebeu cinco indicações ao Framboesa de Ouro 2015 (Golden Raspberry Awards), premiação que destaca o pior do cinema americano. Então, a pergunta que não quer calar: “Se é notório que o filme não foi um sucesso de crítica, por que produzir uma continuação?”. A resposta é simples. Apesar de obter certa rejeição crítica, o primeiro longa dessa nova franquia teve uma arrecadação mundial de mais de 1 bilhão de reais, motivação suficiente para os produtores arriscarem com “As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras”.

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Após o primeiro confronto com o Destruidor (Brian Tee, Assassino Profissional – 2014), as tartarugas continuam nas sombras e deixaram todo o crédito pela prisão do vilão, para o cinegrafista Vernon Fenwick (Will Arnett, As Tartarugas Ninja – 2014). Passado algum tempo, April O’Neal (Megan Fox, Transformers – A Vingança dos Derrotados – 2009) descobre um plano do Clã do Pé, auxiliado pelo Dr. Baxter Stockman (Tyler Perry, Garota Exemplar – 2014), para libertar o Destruidor durante uma transferência de prisão, essa que tem a liderança do agente prisional Casey Jones (Stephen Amell, seriado “Arrow”). As tartarugas ninja tentam impedir a fuga, mas o criminoso consegue escapar graças a um dispositivo criado pelo Dr. Stockman. Com uma fuga inusitada, Destruidor conhece o alienígena Krang e faz um acordo, para ajuda-lo a encontrar artefatos, que possibilitem o teletransporte de sua nave, que lembra muito a uma Estrela da Morte lego, ao planeta Terra, a fim de domina-lo e destruí-lo.

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Essa continuação tem a direção do novato Dave Green (curta Meltdown – 2009), que manteve basicamente a estética do filme anterior. Ponto positivo é que dessa vez a direção e o roteiro não apresentaram a personagem April O’Neal como a grande heroína, mas definiram as tartarugas como protagonistas da sua própria história. Green consegue desenvolver melhor os personagens Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello, mostrando cada personalidade, conflito e a individualidade de cada um na trama. Apesar da direção e roteiro nos presentear com algumas referências da animação dos anos 90, que agradam uma geração agora adulta, definir um andamento mais divertido e seu público, que é infantil, erram em simplesmente jogar algumas situações na tela sem a menor explicação. O roteiro do primeiro filme errou em explicar demais tudo que acontecia e o atual erra em explicar de menos. Ainda sobre esse quesito, podemos destacar o alívio cômico bem mais comedido e pontual, que é acertado, mas que não envolve muito bem no aspecto riso. As cenas de ação entretêm, mas faltou explorar mais o aspecto ninja. Por exemplo, não há sequer uma luta entre o clã do pé e as tartarugas. Sem contar a inserção e caracterização de alguns personagens, que ficou devendo um pouco na história.

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O destaque e desenvolvimento das tartarugas foram bem superiores ao do primeiro filme, mas não podemos dizer o mesmo de outros personagens. Fica claro que Stephen Amell, que interpreta Casey Jones, foi chamado para abocanhar um público que assiste a série americana “Arrow”, em que interpreta o Arqueiro Verde. Amell não prejudica o personagem, mas sua caracterização não é nada de diferente ao da série. Você olha e rapidamente lembra de Oliver Queen. O roteiro apresenta ainda um Casey Jones bem diferente da série mais consagrada e o diretor cita superficialmente o seu temperamento, não utilizando, por exemplo, a rixa que existia entre o personagem e Raphael.

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Outro que teve uma aparição muito pífia é o personagem Destruidor (Brian Tie). A questão não é a atuação, mas a forma como o personagem é inserido na história. O roteiro e direção não o aproveitam bem e o colocam como uma figura ingênua usada pelo alienígena Krang, que por sua vez tem uma caracterização que nos remete a um game antigo das tartarugas (joguei muito no Mega Drive), mas que simplesmente foi jogado na trama sem uma motivação bem explicada. Dessa vez, Megan Fox não foi o destaque e sua atuação como April O’Neal é simplesmente igual a qualquer personagem, na minha memória, que já tenha interpretado no cinema. Cabe ainda ressaltar mais uma falha no roteiro. Como a jornalista em nenhum momento entra em contato com sua Redação ou simplesmente não exerce a sua função? Durante todo o enredo nem lembramos que a personagem é jornalista. Parece que os roteiristas esqueceram esse pequeno detalhe e em uma espécie de “Ih, lembrei”, a colocam no final como tal.

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A técnica de captura de movimentos utilizada para os personagens das tartarugas é a mesma trabalhada nos tão aguardados personagens Bebop (Gary Anthony Williams, série Chozen) e Rocksteady (Stephen Farrelly, O Escapista – 2008), que funcionam como alívio cômico, mas infelizmente assistimos apenas uma cena de luta com mais impacto visual entre os dois e as tartarugas. Falando de visual, a Fotografia é bem limpa e mais colorida do que o primeiro longa e em muitas cenas a computação gráfica assume uma estética mais próxima aos games. Não dando spoiler, vale destacar a cena, que foi divulgada antecipadamente pela Paramount, das tartarugas saltando de um avião em pleno voo. A cena é esteticamente bem produzida, porém mais uma vez o roteiro fica devendo, porque o contexto é totalmente irrelevante a toda trama.

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Cowabunga! Cheguei ao fim! As Tartarugas Ninjas – Fora das Sombras peca muito no quesito roteiro e até o momento no qual os ninjas mutantes saem das sombras é jogado como um clichê de aparição de super-heróis, que nesse caso não funciona. Essa nova franquia está longe de ser o que foi a franquia dos anos 90, e sinceramente não deveriam ter saído das sombras.

Ficha Técnica

AS_TARTARUGAS_NINJA_FORA_DAS_SOMBRAS_CARTAZAS TARTARUGAS NINJA  – FORA DAS SOMBRAS (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows)
Distribuidor/Produtora:  Paramount Pictures
Gênero: Ação, Aventura
Classificação Etária: 10 anos
Data de Lançamento: 16 de Junho de 2016
Tempo de Duração: 1h 52 min
Direção: Dave Green
Roteiro: Josh Appelbaum, André Nemec
Produtores: Michael Bay, Andrew Form, Brad Fuller, Galen Walker, Scott Mednick, Josh Appelbaum, André Nemec
Diretor de Arte: Bret McKenzie
Diretor de Fotografia: Lula Carvalho
Cenografia: Martin Laing
Elenco:
Megan Fox (April O’Neil), Stephen Amell (Casey Jones), Pete Ploszek (Leonardo), Noel Fisher (Michelangelo), Alan Ritchson (Raphael), Jeremy Howard (Donatello), Brian Tee (Destruidor), Stephen Farrelly (Rocksteady), Gary Anthony Williams (Bebop), Tyler Perry (Baxter Stockman), Laura Linney (Rebecca Vincent), Will Arnett (Vernon Fenwick), Alessandra Ambrósio (Namorada de Vernon).

Sinopse
Michelangelo, Donatello, Leonardo e Raphael voltam aos cinemas para uma batalha ainda maior, com vilões da pesada e com a ajuda de April O’Neil (Megan Fox), Vern Fenwick (Will Arnett), e o recém chegado justiceiro Casey Jones (Stephen Amell). O mundo fica em perigo depois que o supervilão Shredder foge da justiça e junta forças com Baxter Stockman (Tyler Perry), um cientista louco que arquiteta um plano diabólico para conquistar o mundo junto com seus dois capangas, Bebop (Gary Anthony Williams) e Rocksteady (WWE Superstar Stephen “Sheamus” Farrelly). À medida que as Tartarugas se preparam para combater Shredder e sua nova equipe, eles se deparam com um inimigo ainda maior do que imaginavam: o terrível Krang.

 

Crítica | As Tartarugas Ninja - Fora das Sombras
Roteiro
Direção
Elenco
Efeitos Especiais
Fotografia
Pontos Positivos
  • Fotografia
  • Referências
Pontos Negativos
  • Roteiro
  • Direção
2.5Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

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