CRÍTICA | ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD
Roteiro
Enredo
Direção
Elenco
Efeitos Visuais
Mixagem de Som
3.2Pontuação geral
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‘O que resta é esperar os próximos capítulos de Animais Fantásticos’

Por Diego Costa

Animais Fantásticos e Onde Habitam mostrou que repetir o sucesso da franquia Harry Potter seria uma tarefa árdua e depois de dois anos do seu lançamento, o caminho se mostra confuso e cansativo em os Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald.  A história tem o  ponta pé inicial na fuga do feiticeiro Gellert Grindelwald (Johnny Depp) da prisão em Nova York e o enredo gira em torno do personagem de Ezra Miller, Credence, que tenta descobrir a sua origem.  Desse ponto, o roteiro de J.K. Rowling trabalha diversas tramas não resolvidas e confusas que são desnecessárias para o ponto principal do filme que é a descoberta de quem é Credence. A inserção de tantas histórias e referências para o mais fiel fã do universo de Harry Potter deixam o ritmo do filme lento, cansativo sem a entrega de um grande clímax. Apesar disso, a autora e roteirista continua na mesma fórmula e aborda questões políticas interessantes e bem atuais. Asim como em nossa atual política brasileira, no filme há uma polarização e um discurso que não é possível ficar neutro ou em cima do muro. Vale a reflexão, mas para por aí.

Efeitos Visuais carregam o filme

Um ponto positivo a se destacar são os efeitos visuais, que estão infinitamente melhores que o seu antecessor. Particularmente, não sou um grande fã do 3D, porque se tornou na maioria dos casos apenas um caça-níquel, mas pela minha surpresa nessa produção contribuiu para algumas ambientações e cenas onde podemos assistir a ação do animais fantásticos de Newt, que apesar de terem mais destaque aqui do que no primeiro filme da franquia, ainda possuem uma participação bem tímida. A fotografia esteticamente mais luminosa e em combinação com uma direção de arte impecável, contribuíram muito para uso da tecnologia e ambientação da década de 20. Um ótima pedida é assistir em IMAX, porque proporciona uma experiência de imersão bem melhor do que numa sala comum, mas no quesito experiência sonora ficou devendo. Assistindo em IMAX fica bem mais claro as variações da mixagem de som e ficou bem mais evidente em alguns momentos em que diretor Dave Yates precisou que os atores regravassem algumas falas em estúdio, mas o seu trabalho como todo foi bom até porque já está alinhado ao trabalho de Rowling e um ponto bem a se destacar é a sua direção dos atores.

 

Os atores aqui é algo a se falar. Vale destacar a atuação impecável de Johnny Depp, que em seus últimos trabalho se tornou um pouco enfadonho em personificar sempre da mesma forma alguns personagens, mas aqui encontrou o equilibro no tom caricato de Gellert GrindelwaldUma construção que remete muito ao ditador nazista Hitler e o interessante é que o filme trabalha em uma época pós primeira guerra mundial e uma abordagem do medo em uma próxima possível guerra. O personagem de Depp seduz de uma tal forma que você pode até balançar em escolher o lado errado. Bem diferente do vilão Voldemort, que se apresenta em um tom bem mais agressivo.

Albus Dumbledore

Do outro lado temos a tão aguardada aparição do jovem Albus Dumbledore, interpretado pelo competente Jude Law. Na trama ele ainda é apenas um professor de Hogwarts, mas tem uma  grande importância e apesar de pontuais aparições já demonstra ser um dos focos principais no desenvolvimento da franquia.  Low cria a sua própria visão do jovem Dumbledore que carrega segredos, mas com alma aparentemente leve e carismática. Eddie Redmayne volta com o seu carismático Newt Sacamander e continua com uma ótima construção desse personagem. Redmayne já demonstrou que sua experiência no teatro proporciona uma bela performance em personagens com características fortes, carismáticas ou aparentemente esquisitas como Newt. Ezra Miller tem uma excelente atuação como Credence e consegue nos entregar um personagem  que está em constante conflito em sua autodescoberta. O elenco no geral vai bem suas atuações, mas vale destacar negativamente a atriz Zoë Kavitz como Leta Lestrange, que não cria empatia ao público com sua personagem e não transmite a força que o nome Lestrange pede.

 

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald é certamente um filme que agradará os mais fanáticos fãs de J.K. Rowling e toda sua saga, porque a autora e escritora encheu de fan service, mas um filme não se conduz apenas assim e o roteiro não consegue dividir bem os atos e nos entregar o clímax e um bom desfecho. Você poderia dizer que é uma história de transição, mas na verdade não funciona. Os efeitos visuais são fantásticos e em parceria com o elenco é o que consegue dar um pouco de ritmo ao filme.  O que resta é esperar os próximos capítulos de Animais Fantásticos.

Ficha Técnica

 

ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS CRIMES DE GRINDELWALD (Fantastic Beasts: The Crimes Of Grindelwald, 2018)
Distribuidor: WARNER BROS.
Gênero: Aventura, Fantasia
Classificação Etária: 12 anos
Data de Lançamento: 15 de Novembro de 2018
Tempo de Duração: 2h 14 min
Direção:  David Yates

Elenco: Eddie Redmayne (Newt Scamander ); Katherine Waterston (Tina Goldstein); Alison Sudol (Queenie Goldstein); Dan Fogler (Jacob Kowalski); Jude Law (Alvo Dumbledore); Johnny Depp (Gellert Grindelwald).

 

 

 

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