“Surpreende ao apresentar uma Alice feminista”

Mais uma empreitada da Disney em adaptar histórias que, geralmente, destinam-se ao público infantil. Dessa vez a adaptação é “Alice Através do Espelho”, baseada no livro homônimo de Lewis Carroll lançado em 1871. A sequência vem com a missão de repetir o sucesso do primeiro filme “Alice no País das Maravilhas” (2010), que arrecadou mais de 1 bilhão de dólares ao redor do mundo.

A história se inicia com o retorno de Alice a Londres, após seguir os passos de seu pai e navegar o mundo. A personagem é surpreendida por um espelho mágico que a transporta para Wonderland e reencontra seus amigos: Rainha Branca, Gato Risonho, Coelho Branco, a lagarta Absolem e o Chapeleiro Maluco, sendo esse o precursor da motivação do desenvolvimento da história. O personagem está correndo perigo e a nova missão de Alice é salvá-lo. Existe também a inserção de um novo personagem: o Tempo.

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Nesse filme podemos contemplar uma Alice ainda crente no “des-possível”, com uma perspectiva infantilizada e, consideravelmente, dócil, mas em contraponto a protagonista é responsável por levantar questões de cunho social da atualidade, como, empoderamento feminino, igualdade de gênero e participação da mulher no mercado de trabalho. As temáticas, que podem parecer desconexas com o restante da história, revelam-se como um dos pilares mais interessantes e de suma importância para sustentar o roteiro, que, diferente do primeiro filme, não é tão confuso.

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A temática feminista foi trazida pela roteirista Linda Woolverton, responsável pela adaptação do primeiro longa e por diversos sucessos, como, “A Bela e a Fera” (1991), “O Rei Leão” (1994) e “Malévola” (2014), filme que também apresenta a proposta de reinterpretação de clássicos da Disney. O roteiro apresenta também “lições de moral” de interpretação ambígua, pois assim afetam crianças e adultos. Vale ressaltar que os mais sensíveis podem se emocionar. Mesmo assim sente-se que algumas motivações e desdobramentos do filme são rasos e desnecessários, mas em um balanço final o roteiro se define mediano.

Os efeitos visuais, que são parte fundamental para criar o País das Maravilhas e as criaturas não surpreendem e variam entre o bom e o regular. A carência maior se apresentou nos momentos de recriar texturas ou algo mais realista. Para equilibrar, algumas criaturas fantásticas ganharam um tom de realismo maior, principalmente com o auxílio do 3D, que em maior parte do filme mostrou-se válido. A direção de arte é impecável e conta com figurinos exuberantes, que revelam e ressaltam a personalidade dos principais personagens, cenários que são um deleite aos olhos e podem ser infinitamente observados por conter uma quantidade enorme de detalhes.

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A direção ficou a cargo de James Bobin, que tem em seu currículo “Os Muppets” (2011) e “Muppets 2: Procurados e Amados” (2014). O diretor manteve todos os elementos da produção anterior e pode, facilmente, ser confundido como mais um filme de Tim Burton, cineasta responsável pelo primeiro longa, mas que dessa vez participou como produtor. James não complicou, soube usar os elementos de um blockbuster a favor do filme, conduziu bem os atores, inseriu alguns movimentos de câmeras e enquadramentos que buscavam inovação, mas que se perdiam no meio de tantos elementos espalhafatosos.

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A trilha sonora é facilmente reconhecida como sendo de Danny Elfman, responsável pela música incidental de quase todos os trabalhos de Tim Burton e de outros sucessos, como, “Chicago” (2002) e “Missão: Impossível” (1996). A mistura do estilo gótico com elementos de fanfarra dão o tom certo para o filme e casa com os personagens e ambientes tão caricatos.

Vê-se na tela a maior parte do elenco de “Alice Através do Espelho” e a adição de Sacha Baron Cohen, conhecido pelo personagem Borat, mas que já provou suas habilidades em produções de maior complexidade, como os musicais, “Os Miseráveis” (2012) e “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007). Sacha interpreta Tempo, um personagem que fundamenta o conceito de time travel e desenvolve todo o roteiro. A atuação cumpre com o que se propõe e é capaz de divertir e fazer gargalhar aos que tem riso solto.

Mia Wasikowska retorna como protagonista e dá conta do recado, mas o destaque certamente é para as personas exacerbadas, como, a Rainha Vermelha, vivida novamente por Helena Bonham Carter que conseguiu dar novas dimensões emocionais à personagem. Anne Hathaway permanece com os movimentos fluidos da Rainha Branca, o que pode incomodar alguns, mas que garantem a expressão da ambivalência de Mirana. O Chapeleiro Maluco fica por conta de Johnny Depp que garante uma interpretação superior à vista no primeiro filme, pois vivencia situações de extrema emoção que se adaptam aos trejeitos peculiares do, já icônico, personagem.

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“Alice Através do Espelho” surpreende ao apresentar uma Alice feminista e dar maior dimensão aos personagens. Aos que viram o primeiro filme e sentiram-se decepcionados, vale uma tentativa de assistir a sequência. De forma geral o filme é mediano, mas cumpre totalmente com a função de criar um filme para entreter crianças e adultos.

 

Layer 0ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO (ALICE THROUGH THE LOOKING GLASS)
Distribuidor/Produtora: Walt Disney Pictures
Gênero: Aventura / Drama
Classificação Etária: Livre
Data de Lançamento:26 de Maio de 2016 ( Brasil )
Tempo de Duração: 1h 50 minutos
Direção: James Bobin
Roteiro: Linda Woolverton
Produtores: Joe Roth, Suzanne Todd, Jennifer Todd, Tim Burton
Trilha Sonora: Danny Elfman
Diretor de Fotografia: Stuart Dryburgh
Montador chefe: Andrew Weisblum
Elenco: Mia Wasikowska (Alice Kingsleigh), Johnny Depp (Chapeleiro Maluco), Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha), Anne Hathaway (Rainha Branca) e Sacha Baron Cohen (Tempo), Rhys Ifans (Zanik Hightopp), Matt Lucas (Tweedledee / Tweedledum), Ed Speleers (James Harcourt), Stephen Fry (voz – Gato Risonho), Toby Jones  (voz – Wilkins), Alan Rickman (voz – Lagarta), Michael Sheen (voz – Coelho Branco) Timothy Spall (voz – Bayard).

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SINOPSE:

Alice (Mia Wasikowska) retorna após uma longa viagem pelo mundo, e reencontra a mãe. No casarão de uma grande festa, ela percebe a presença de um espelho mágico. A jovem atravessa o objeto e retorna ao País das Maravilhas, onde descobre que o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) corre risco de morte após fazer uma descoberta sobre seu passado. Para salvar o amigo, Alice deve conversar com o Tempo (Sacha Baron Cohen) para voltar às vésperas de um evento traumático e mudar o destino do Chapeleiro. Nesta aventura, também descobre um trauma que separou as irmãs Rainha Branca (Anne Hathaway) e Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter).

 

Crítica | Alice Através do Espelho
Roteiro
Direção
Elenco
Efeitos Especiais
Trilha Sonora
Pontos Positivos
  • Roteiro
  • Trilha Sonora
  • Elenco
Pontos Negativos
  • Efeitos Especiais
3.9Pontuação geral
Avaliação do leitor: (4 Votos)

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