CRÍTICA | A TORRE NEGRA
Direção
Roteiro
Edição
Elenco
Efeitos Visuais
2.2Pontuação geral
Avaliação do leitor: (3 Votos)

‘DIVERTIDO E INTRIGANTE, NIKOLAJ ARCEL FALHA AO TENTAR DESENVOLVER UM UNIVERSO VASTO E RICO DE DETALHES.’

Jake Chambers (Tom Taylor) é um garoto que, após a morte de seu pai, começa a ter pesadelos e visões perturbadoras que não são compreendidas pela sua família e amigos. Dentro desses sonhos e visões, desastres e terremotos que vem acontecendo em seu mundo começam a fazer sentido. O chamado mundo-chave (Terra) está diretamente ligado a outros universos paralelos através de uma torre, a Torre Negra, que protege todos esses mundos de forças malignas que existem além da escuridão. O Homem de Preto (Matthew McConaughey) quer a todo custo destruir essa torre, para então libertar os seres malignos e poder liderar todos esses universos.

Partindo deste ponto, dá-se início à adaptação da série de livros de Stephen King com mesmo nome. Um filme que tinha potencial para se tornar um grande título, mas por descuido da produção ou falta de interesse do estúdio, talvez, desperdiçou todo esse potencial com uma adaptação mediana e que não cria empatia nenhuma com o público. Somos apresentados de maneira rápida e sem profundidade a Walter, o homem de preto, e Roland, o Pistoleiro (Idris Elba), e ambos tem motivações fracas e unidirecionais – enquanto Walter que destruir a Torre Negra para trazer fogo e escuridão aos universos, Roland quer apenas sua vingança após o vilão ter matado seu pai. Em meio a isso tudo, Jake surge como o escolhido, a criança capaz de definir o rumo da completa destruição ou salvação do universo. Falando de forma clara, o filme é bem clichê e não inova em nada.

Deve ser citada a forma como o filme é ambientado, por ser uma adaptação de oito livros, todo o vasto desenvolvimento da trama literária foi mal explicado no filme – durante toda a trama você se questiona o motivo dos fatos apresentados estarem ali. Personagens secundários que são totalmente indiferentes ao enredo, histórias desconexas, cenas picotadas e que dão a sensação de não fazerem parte daquele contexto, além de muitas pontas soltas que sequer dão indício de uma continuidade ou franquia. A equipe de roteiristas (Akiva Goldsman, Jeff Pinkner, Anders Thomas Jensen, Nikolaj Arcel) aqui parece não se importar com a expectativa do público que não conhece as histórias de Stephen King, e muitas coisas são jogadas de forma estranha no filme.

A edição torna a história muitas vezes confusa. Cortes secos e viradas bruscas, sem uma transição sútil entre os mundos, sempre parece estar faltando algo no filme, como um grande quebra-cabeça sem as peças fundamentais para o entendimento do todo. Outro fator que incomoda é a trilha sonora, que em meio a cenas de ação notamos músicas que não tem nexo naquele estilo de narrativa – é como se colocássemos uma trilha orquestrada de Harry Potter em um filme de comédia pastelão sem motivo aparente, o que não gera uma aproximação do espectador com os personagens do filme.

Por mais estranho que seja, A Torre Negra não é de todo ruim. O filme proporciona momentos de diversão e o pano de fundo é no mínimo interessante, todo o misticismo desse universo mágico com trevas e luzes que a todo o momento se enfrentam. A fotografia do filme também é bem bonita, e as cenas de ação (com exceção da cena final que falhou miseravelmente por ser mal resolvida, dando a impressão de que o filme é uma grande enrolação quando tudo poderia ter sido resolvido logo de início) são bem empolgantes, com efeitos em slow motion mostrando as habilidades do Pistoleiro com as armas, lembrando um pouco, talvez, jogos de faroeste como Callof Juarez: Gunslinger, onde um homem enfrenta exércitos sozinho com maestria tremenda.

A Torre Negra é um filme que propõem uma ideia e apresenta outra totalmente diferente. É divertido e intrigante, mas que falha ao tentar desenvolver um universo vasto e rico de detalhes. Se você procura um filme como passatempo e diversão pelos efeitos e cenas de ação, esse filme irá te satisfazer. Agora, caso a trama seja um chamariz para você, fique longe de A Torre Negra.

Ficha Técnica

A TORRE NEGRA (The Dark Tower)
Distribuidor: Sony Pictures
Gênero: Ficção Científica, Ação, Aventura
Classificação Etária: 12 anos
Data de Lançamento: 24 de Agosto de 2017
Tempo de Duração: 1h 35min
Direção: Nikolaj Arcel
Roteiro: Akiva Goldsman, Jeff Pinkner, Anders Thomas Jensen, Nikolaj Arcel
Produção: Akiva Goldsman, Brian Grazer, Ron Howard, Stephen King
Elenco: Idris Elba (Roland), Matthew McConaughey (Homem de Preto), Tom Taylor (Jake), Katheryn Winnick (Laurie)

Sinopse: O último pistoleiro, Roland Deschain (Idris Elba), é eterno rival de Walter O’Dim – também conhecido como O Homem de Preto (Matthew McConaughey) – e determinado a impedir que este destrua a Torre Negra, que mantém a união e estabilidade dos mundos, conhece JakeChambers, um garoto que aparenta ser a chave para total destruição ou salvação do mundo. Quando o destino dos mundos está em perigo, bem e mal irão colidir numa batalha decisiva; e Roland é o único que pode proteger a Torre do Homem de Preto.

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