“Flerta com momentos cinematográficos muito belos”

Desde a sua criação, em 1912, pelo escritor Edgar Rice Burroughs, Tarzan é retratado inúmeras vezes nos cinemas, ganhando até uma animação muito simpática da Disney. Em 2016, o avanço da Computação Gráfica e as possibilidades que proporciona é a única justificativa que encontro, para levar mais uma história do “homem macaco” aos cinemas.

Segundo a sinopse de “A Lenda de Tarzan”, a história de John Clayton III (Skarsgard), o Lord Greystoke, isso mesmo, passaram-se anos desde que o homem conhecido como Tarzan deixou seu habitat, assumiu uma nova identidade como herança e vive feliz ao lado de sua esposa Jane (Robbie). Em meio a sua rotina aristocrática, recebe o convite para retornar ao Congo para servir como um emissário de comércio do Parlamento, sem saber que na verdade ele é uma peça usada em uma ação de ganância e vingança, organizada pelo Capitão belga Leon Rom (Waltz).

Samuel L. Jackson, Margot Robbie e Alexander Skarsgard.

Adam Cozad e Craig Brewer assinam um roteiro extremamente confuso. Eles tentam inserir um pouco da história de exploração do Congo pelos Belgas e mesclam com a de Tarzan, tornando as motivações que movem o filme um pouco desconexas. David Yates traz uma estética mais sombria à história, estética essa que reconhecemos em trabalhos anteriores do diretor (os quatro filmes finais de “Harry Potter”), mas assim como o roteiro, sua direção é bem confusa. Yates nos revela um Tarzan que ignora todo o mal que está acontecendo em sua volta, transformando o longa em um resgate enfurecido a Jane. O diretor proporciona imagens em closes de animais selvagens, que aparentemente são bens construídos em Computação Gráfica, mas na última parte do filme a qualidade é reduzida e fica claramente com aparência artificial.

TARZAN

Um dos momentos em que a Computação Gráfica foi bem.

O Elenco conta com bons atores como Alexander Skarsgard (série da HBO “True Blood”) que interpreta um Tarzan fisicamente impressionante, porém estranho, porque a personagem há muitos anos tem uma vida social mais tranquila, longe dos exercícios diários da selva (Será que tinha uma academia em casa?). No mais, Skarsgard não tem muita fala, é inexpressivo e sentimos uma empatia somente em alguns momentos do seu relacionamento com os animais. Samuel L. Jackson (Nick Fury dos filme da Marvel) encara o papel do americano Washington Willians, que convence ao protagonista voltar ao Congo. Esse personagem funciona como uma espécie de Samwise Gangee, que está o tempo todo ao lado de Tarzan e funciona como um bom alívio cômico, apesar de ser um pouco caricato e soltar desnecessárias referências aos filmes Marvel. Mesmo em um filme que dá sono, Christoph Waltz (“Bastardos Inglórios” – 2009, “Django Livre” – 2012) é o vilão Leon Rom, que consegue movimentar um pouco a trama. Margot Robbie (a tão esperada Arlequina em “Esquadrão Suicida”) traz sua beleza para a personagem Jane, que aparentemente tem uma personalidade forte e se apresenta bem independente, mas o roteiro acaba a tornando em uma donzela em perigo.

TARZAN

Boa fotografia, mas CGI ficou devendo.

“A Lenda de Tarzan” é um filme com boa fotografia assinada por Henry Braham (“A Bússola de Ouro” – 2007), mas que peca um pouco nos efeitos visuais, que aparentam artificiais em determinadas cenas. Flerta com momentos cinematográficos muito belos, porém o roteiro é muito confuso e o ritmo é bem arrastado com sucessão de cenas sem energia, que não despertam interesse. 

Ficha Técnica

TARZAN_CARTAZ

A LENDA DE TARZAN (The Legend of Tarzan)
Distribuidor/ Produtora: Warner Bros
Gênero: Aventura, Ação
Classificação Etária: 12 anos
Data de Lançamento:  21 de Julho de 2016
Tempo de Duração: 1h 50min
Direção: David Yates
Roteiro: Adam Cozad, Craig Brewer
Produtores: Alan Riche, Jerry Weintraub, David Yates
Fotografia: Henry Braham
Elenco:
Alexander Skarsgård (Tarzan), Margot Robbie (Jane), Christoph Waltz (Capitão Rom), Samuel L. Jackson (George Washington Williams), Djimon Hounsou (Chefe Mbonga), Ella Purnell (Jane – jovem), Jim Broadbent (Primeiro-ministro), Casper Crump (Capitão Kerchover).
Sinopse
Passaram-se anos desde que o homem conhecido como Tarzan (Skarsgård) deixou as selvas da África para trás para levar uma vida burguesa como John Clayton, Lorde Greystoke, com sua amada esposa, Jane (Robbie) ao seu lado. Agora, ele é convidado a voltar ao Congo para servir como um adido comercial do Parlamento, sem saber que na verdade ele é uma peça usada em uma ação de ganância e vingança, organizada pelo belga Leon Rom (Waltz). Porém, as pessoas por trás dessa trama assassina não fazem ideia do que estão prestes a desencadear.

CRÍTICA | A LENDA DE TARZAN
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Efeitos Visuais
Pontos Positivos
  • Elenco
  • Fotografia
Pontos Negativos
  • Roteiro
  • Direção
  • Efeitos Visuais
2.5Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

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