‘FOTOGRAFIA LUMINOSA E DE TEMÁTICAS FILOSOFICAMENTE INTRIGANTES’

Para aqueles que gostam do cinema de fotografia luminosa e de temáticas filosoficamente intrigantes, vamos falar hoje de um filme que pode ser, muito bem, descrito como um bom exemplar de beleza dinamarquesa. O Diretor Thomas Vinterberg –  responsável também por “Festa de Família”(1998), “A Caça” (2012), “Longe Deste Insensato Mundo” (2015) – foi bem sucedido em seu melodrama de uma nova família moderna, reatando laços teleológicos com o movimento hippie e a anarquia. Ao  conseguir recriar uma atmosfera de família e de aconchego, ou rede proteção do indivíduo, independente de laços sanguíneos, Vinterberg dá voz a um discurso de proteção de novas formas de afeto. E, ao retratar um coletivo sem líderes e papéis definidos, ele reaviva o posicionamento de esquerda.

Na Copenhague dos anos setenta, um casal com uma filha de quatorze anos, que sempre viveu em uma confortável propriedade, decide abrir aos amigos, e depois a terceiros, a moradia naquele lar, que passa a ser de todos, que decidem as coisas juntos, festejam juntos e adoecem juntos. O nó central da trama está no relacionamento a três que Erik (interpretado por Ulrich Thomsen) passa a manter com sua esposa de sempre Anna Moeller (Trine Dyrholm), a famosa jornalista que é avançada em seus pensamentos e ações, e a aluna sensual Emma (Helene Reingaard Neumann). Temos a impressão de estarmos assistindo a pessoas evoluídas e fortes emocionalmente, mas a verdade é que eles não seguram a onda de tanta inovação sentimental. O bicho acaba pegando.

Fotografia bem luminosa

Fotografia bem luminosa

A história assume tons tristes ao abordar a saúde de um pequeno menino agregado ao grupo. É um filme melancólico, apesar das cenas de felicidade coletiva, das cenas de sexo, das belas tomadas e da luz que só o cinema nórdico produz. Ainda, são parte do panorama, um casal jovem composto pela filha de quatorze anos, Freja (Martha S. W. Hansen) e um rapaz da vizinhança, um imigrante, um falastrão e duas mulheres de personalidade tragicômica. Não estamos falando de uma linguagem de grandes exageros cênicos, tanto de interpretação quanto de direção, mas existem algumas performances bastante interessantes e uma concatenação de quadros prodigiosa.

É interessante notar como o olhar otimista de Anna passa à confusão e ao desespero conforme o filme avança. Alguns silêncios ilustram a dificuldade de entendimento, porque passam os personagens e o filme conta com um humor que só é notado em alguns poucos instantes, dando alívio à tensão reinante. As cenas à mesa são sempre oportunidades de ver que um trabalho preciso por parte de atores bem escolhidos e já conhecidos dos diretor faz toda a diferença, para nos transportar àquela realidade. E, também, de estabilizar a curva dramática por momentos.

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Moradia aberta aos amigos e terceiros

Como pontos negativos, temos talvez a falta de originalidade no sentido de que é um coletânea de situações já vistas antes no cinema, só colocadas de forma atrativa na frente de quem assiste. Também pode ser um problema para alguns a ausência de um clima mais solar: o filme pode sofrer de uma morbidez sem tamanho em certa hora.

Mas o balance geral é positivo. “A Comunidade” (The Commune), é um bom programa para aquele sábado chuvoso que ninguém te chama para sair. É interessante sobretudo perceber como as coisas são feitas em outras partes do mundo e, por isso, é uma experiência cara àqueles que querem ir além das sessões pipoca. Por último, vale notar que estamos falando de um time de artistas de primeira e que sair de casa para refletir sobre relações interpessoais sem hierarquia e com muito sentimento nunca foi tão fácil.

Ficha Técnica

A_COMUNIDADE (1)A COMUNIDADE (Kollektivet
Distribuidor/ Produtora: California Filmes
Gênero: Drama
Classificação Etária: 14 anos
Data de Lançamento:  01 de setembro de 2016
Tempo de Duração: 2h 10min
Direção: Thomas Vinterberg
Roteiro: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm
Produtores: Sisse Graum Jorgensen, Morten Kaufmann, Jessica Ask
Montadores: Janus Billeskov Jansen, Anne Østerud
Trilha Sonora: Fons Merkies
Elenco:
Ulrich Thomsen (Erik), Trine Dyrholm (Anna), Lars Ranthe (Ole), Fares Fares (Allon), Julie Agnete Vang (Mona), Ole Dupont (Personagem : Cavalheiro elegante), Mads Reuther (Jesper), Morten Rose (Funcionário da edição).

Sinopse:

Na década de 1970, Erik (Ulrich Thomsen) e Anna (Trine Dyrholm) são um casal de acadêmicos cheio de sonhos. Junto com a filha, Freja, eles montam uma comuna em um elegante bairro de Copenhague para dividir a casa e viver em conjunto com outras pessoas. Querendo estar no centro da história e realizar o sonho de viver em grupo, eles realizam jantares, reuniões e festas. Levados pelo mesmo sonho, um caso de amor abala a pequena comunidade, fazendo com que esse grupo de sonhadores e idealistas acordem para a realidade.

CRÍTICA | A COMUNIDADE
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Cenografia
Trilha Sonora
3.4Pontuação geral
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