‘UMA VEZ POR ANO EM UMA NOITE TODOS OS CRIMES SE TORNAM LEGAIS’

Apesar de sua ambientação distópica, num Estados Unidos fascista dominado pelo ideal de utilizar a violência como forma de expurgar o mal, a franquia The Purge nos apresenta questionamentos que trazem a possibilidade de reflexões que podem muito bem serem aplicadas à nossa realidade atual.

A história mostra ambientação distópica, num Estados Unidos fascista

A história mostra uma ambientação distópica, num Estados Unidos fascista

Uma vez por ano há uma noite em que todos os hospitais, delegacias e corpos de bombeiros deixam de funcionar  e, durante doze horas, todos os crimes se tornam legais, incluindo o assassinato. A justificativa para tal iniciativa do governo, liderado pelo NPFA (Novos Países Fundadores da América) é a de que liberando todo o ódio e a raiva, inerentes à natureza humana,  através da violência no purge day, a sociedade seria expurgada de toda sua maldade, evoluindo e assim avançando rumo a um futuro melhor.

Escrito e dirigido por James DeMonaco, os dois primeiros filmes da trilogia possuem uma abordagem mais direta sobre como as pessoas lidam e são afetadas pelo dia do expurgo, entretanto, em 12 Horas para Sobreviver: O Ano da Eleição, a proposta do diretor muda: há um  aprofundamento no plano de fundo ideológico da história, nos mostrando a real justificativa por trás do purge day; muito além da máscara de expurgar o mal da sociedade, há toda uma motivação política e econômica, cujo real objetivo é eliminar as classes mais baixas da sociedade, composta pelos pobres, negros e imigrantes latinos, que são os alvos mais fáceis durante a noite do expurgo, como é deixado evidente nos filmes anteriores.

O filme é escrito e dirigido por James DeMonaco

O filme é escrito e dirigido por James DeMonaco

No contexto do terceiro filme surge uma candidata à presidência dos Estados Unidos, Charlie Roan (Elizabeth  Mitchell, da série Lost), cujo principal objetivo é  por fim ao dia do expurgo. Porém, para isso ela terá de enfrentar as tentativas de NPFA de eliminar sua concorrência e a ameaça que ela representa aos planos deste partido de “renovar” a América. Frank Grillo retorna neste terceiro filme no papel de Leo Barnes, guarda costas de Charlie e responsável por mantê-la viva, e os dois trabalham muito bem juntos. Porém, o filme peca na superficialidade com que nos apresenta o elenco coadjuvante, como Laney Rucker (Betty Gabriel), Joe Dixon (Mykelti Williamson) e Marcos (Joseph Julian Soria), personagens interessantes e bem interpretados, porém mal abordados.

Produzido por Jason Blum, Michael Bay, Brad Fuller , Andrew Form e Sébastien K. Lemercier, The Purge: Election Year, o terceiro  filme e (talvez?) desfecho da franquia, segue uma linha um tanto diferente de seus antecessores, que puxavam mais para o terror/suspense (especialmente o primeiro) e indo mais para o lado da ação, sendo menos sangrento,  porém ainda sim violento e eletrizante. A Trilha Sonora, produzida por Nathan Whitehead casa perfeitamente com o filme, dando um complemento impecável às cenas de ação, que também não deixam a desejar. James DeMonaco surpreendeu-se com a repercussão e sucesso da franquia e, recentemente, foi confirmado que The Purge será transformado em série.

The Purge será transformado em série.

The Purge será transformado em série

Apesar de pecar na abordagem dos personagens coadjuvantes, cujas histórias poderiam ter sido um complemento a favor do aprofundamento de uma crítica à desigualdade social explorada com superficialidade, ainda assim o longa consegue nos fazer refletir acerca das questões que propõe, e principalmente a pensar sobre até que ponto é necessária, ou melhor, se é realmente necessária a utilização da violência como forma de controlar a sociedade.

Ficha Técnica

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12 HORAS PARA SOBREVIVER: O ANO DE ELEIÇÃO (The Purge – Election Year)
Distribuidor/ Produtora: Universal Filmes
Gênero: Ação, horror, sci-fi, suspense
Classificação Etária:  16 anos
Data de Lançamento:  6 de outubro de 2016
Tempo de Duração: 105 minutos
Direção: James DeMonaco
Roteiro: James DeMonaco
Fotografia: Bruno Delbonnel
Produção: Jason Blum, Michael Bay, Brad Fuller e Andrew Form e Sébastien K. Lemercier
Trilha Sonora: Nathan Whitehead

Elenco: Elizabeth Mitchell (Charlene ‘Charlie’ Roan), Frank Grillo (Leo Barnes), Betty Gabriel, Mykelti Williamson (Joe Dixon), Joseph Julian Soria (Marcos), Terry Serpico (Earl Danzinger), Edwin Hodge (Dante Bishop)

Sinopse:

Já se passaram dois anos desde que Leo Barnes (Frank Grillo) deu fim a uma ação de vingança lamentável em uma noite de expulsão. Servindo agora como chefe de segurança para a Senadora Charlie Roan (Elizabeth Mitchell), sua missão é protegê-la durante sua corrida para a presidência e sobreviver ao ritual anual que tem como alvo os pobres e inocentes. Mas quando uma traição os força a sair às ruas da capital em uma noite onde nenhuma ajuda é disponível, eles devem continuar vivos até o pôr do sol… ou ambos serão sacrificados por seus pecados contra o Estado.

CRÍTICA | 12 HORAS PARA SOBREVIVER: O ANO DA ELEIÇÃO
Direção
Roteiro
Elenco
Fotografia
Efeitos Especiais
Trilha Sonora
3.0Pontuação geral
Avaliação do leitor: (2 Votos)

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