AQUAMAN | CRÍTICA
Roteiro
Enredo
Direção
Efeitos Visuais
Fotografia
Figurino
4.0Pontuação geral
Avaliação do leitor: (2 Votos)

Por Diego Costa

Homem de Aço (2013), Batman vs Superman (2016) e Liga da Justiça (2017) fazem parte da herança do diretor Zack Snyder ao Universo DC nos cinemas que não funcionou e que recebe duras críticas até hoje. Em meio a essas produções nasce Mulher-Maravilha (2017), dirigida por Patty Jenkins, que levanta a moral dos maiores heróis do universo com a ajuda do empoderamento feminino, mas sem tirar o mérito da diretora, ainda com forte influência de Snyder. O que esperar agora de Aquaman, um dos super-amigos mais avacalhado durante décadas?

O enredo apresenta toda a mitologia dos Sete Mares, incluindo o reino de Atlântida, o nascimento de Arthur Curry, fruto do amor da Rainha Atlanna (Nicole Kidman) com o pescador Thomas Curry (Temuera Morrison), que para evitar uma guerra comandada por seu irmão, o rei Orm (Patrick Wilson), contra a superfície. A princípio, o herói está em negação com o seu dever, mas se vê obrigado a seguir em frente e ajudado por Mera (Amber Heard) e Vulko (Willem Dafoe) vai atrás da única forma de impedir os planos de seu irmão, encontrar o tridente do Rei Atlan e ser digno de governar os 7 Mares. 

Roteiro

É um filme de origem, mas que se localiza pós acontecimentos de Liga da Justiça, porém só o que podemos ver de ligação aos filmes anteriores é apenas duas falas que passam quase desapercebidas. O primeiro indicativo para afastar Aquaman do universo sombrio de Snyder. Os roteiristas conseguiram no geral trabalhar bem o enredo e de maneira inteligente utilizam de flashbacks para apresentar o crescimento e de onde veio sua habilidade para a luta, sem cansar o espectador. A passagem do primeiro ato para o segundo parece um pouco demorado e que no final se torna rápido demais, sendo que não compromete por conta das cenas de ação e aventura que elevam muito a cinematografia do longa, que flerta com referências como os filmes de Indiana Jones. James Wan (A Freira, 2018) aproveita bem o roteiro e segue a linha das referências para montar o seu universo. 

 

Direção

Como seria Atlântida na visão de Wan, já que trabalha mais com o terror e suspense? Essa foi uma dúvida. O diretor construiu o universo subaquático esteticamente e lindo de se ver, principalmente em IMAX. A fotografia cheia de luzes de neon à moda Avatar foi certeira, porque o fundo do mar já é sombrio por natureza e mesmo beirando ao brega, foi a melhor e mais linda escolha visual que poderia ajudar a retratar esse universo. O trabalho de direção de arte foi muito cuidadoso e nos faz lembrar Star Wars. Wan bebeu de muitas referências e usou a “zuerira” de anos com o personagem a seu favor, sendo o ponto alto do filme unido a ótimas cenas de ação e coreografia de lutas impressionante, onde podemos ver a marca do diretor como ótimos movimentos de câmeras. Agora, sem dúvida, a cafonice mais acertada é apresentar o Rei dos Sete Mares com o seu uniforme clássico, permitindo o êxtase do clímax ao fã de HQs.

Elenco

No geral, as atuações foram bem equilibradas, mas vale destacar o Willem Dafoe, Patrick Wilson e Yahya Abdul-Mateen II, que encarnaram muito bem os seus personagens e entenderam bem o peso um certo exagerado que deveria ser entregue. Nicole Kidman encarna uma rainha Atlanna forte e decidida, que protagoniza uma das melhores cenas de luta do filme e também a cena mais próxima a um dramalhão mexicano que já vimos em um filme de super-herói, mas que compõe muito bem o exagero de Aquaman. Amber interpreta uma Mera forte e com um tom de Jesse Huston (As Minas do |Rei Salomão, 1985). Jason Mommoa é bem mais carismático do que em Liga da Justiça. O ator convence como o Aquaman  e o torna um grande bad ass. 

Um filme de Comédia?

Acredito que um dos maiores medos dos fãs é a DC nos cinemas tentar trilhar o mesmo caminho da Marvel, mas não sabendo dosar o humor nas telonas. Fique tranquilo, porque as piadas são bem dosadas. Mesmo aquelas mais sem graças não prejudicam a aventura que o filme é. 

O universo DC nos cinemas sobrevive?

Essa é uma grande dúvida, mas com Mulher-Maravilha e agora com o belo trabalho de James Wan, podemos vislumbrar um possível futuro promissor. O que poderia virar uma grande galhofa, apostou bem em se manter mais próximo ao que podemos ver nas animações e HQs, incluindo os uniformes e a caracterização do personagens. Somente em ver o Aquaman com seu traje laranja e verde em cima de um cavalo marinho e se comunicando com os seres dos mares já vale o ingresso. Entrega a direção de tudo para o James Wan que teremos progressos. O que poderia ser uma grande galhofa se transformou em uma aventura digna do Rei dos Sete Mares. 

Ficha Técnica

AQUAMAN
Distribuidora: Warne Bros.
Gênero: Aventura, Ação, Fantasia
Classificação Etária: 12 anos
Data de Lançamento: 13 de Dezembro de 2018
Tempo de Duração: 2 h 24 min
Direção:  James Wan
Roteiro: James Wan, Paul Norris, Mort Weisinger, Geoff Johns, Will Beall, David Leslie Johnson-McGoldrick, Will Beall Produção: Zack Snyder, Khadija Alami, Jon Berg, Rob Cowan, Geoff Johns, Mark O’Neill, Peter Safran, Enzo Sisti, Deborah Snyder
Trilha sonora: Rupert Gregson-Williams
Direção de fotografia: Don Burgess
Edição: Kirk M. Morri
Design de produção: Bill Brzeski
Direção de arte: Bill Booth, Desma Murphy
Decoração de set: Danielle Berman
Figurino: Kym Barrett, Nicanor Mendoza III

Elenco: Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Temuera Morrison, Dolph Lundgren, Yahya Abdul-Mateen II, Patrick Wilson, Nicole Kidman

Sinopse:
Filho do humano Tom Curry (Temuera Morrison) com a atlante Atlanna (Nicole Kidman), Arthur Curry (Jason Momoa) cresce com a vivência de um humano e as capacidades metahumanas de um atlante. Quando seu irmão Orm (Patrick Wilson) deseja se tornar o Mestre dos Oceanos, subjugando os demais reinos aquáticos para que possa atacar a superfície, cabe a Arthur a tarefa de impedir a guerra iminente. Para tanto, ele recebe a ajuda de Mera (Amber Heard), princesa de um dos reinos, e o apoio de Vulko (Willem Dafoe), que o treinou secretamente desde a adolescência.


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