CRÍTICA | A MÚMIA
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‘CRUISE JUSTIFICA SEU PROTAGONISMO PELO TEMPO EM TELA’

O Universo Cinematográfico Sombrio da Universal Pictures estava planejado para iniciar em 2014, com o Drácula – A História Nunca Contada. O estúdio planejava fazer uma releitura das criaturas mais icônicas do cinema e estabelecer uma conexão entre elas, assim como a Marvel Studios faz com seu MCU, a Warner Bros. com o DCU e Legendary Pictures e seus monstros Godzilla e Kong. A tentativa, entretanto, mesmo com todo charme de Luke Evans (A Bela e a Fera, 2017), não agradou a maior parte dos espectadores, e obrigou o estúdio a repensar os conceitos do seu universo.

Anos se passaram e a Universal anunciou uma série de projetos que comporia o universo sombrio, que começaria com a nova versão de A Múmia, de 1999. Dirigido por Alex Kurtzman  (Star Trek, 2009; O Espetacular Homem-Aranha, 2012), a refilmagem tenta fugir da película dos anos 90, e, salvo a algumas boas tiradas de ação e easter eggs que conectam aos próximos possíveis projetos da série, não justifica a falta de crença na criatura mais forte do universo.

Uma das únicas semelhanças, senão a única, em relação a sua inspiração é a própria múmia, aqui interpretada por Sofia Boutella (Kingsman: Serviço Secreto, 2014). O visual do monstro é bastante parecido com a Múmia interpretada por Patrícia Velásquez, mas não podemos dizer o mesmo pela participação, já que é deixada em terceiro plano no seu próprio filme. Boutella até se esforça quando lhe permitem com sua sedução e beleza, mas o roteiro compartilhado pelo grupo David Koepp (Mortdecai: A Arte da Trapaça, 2015), Christopher McQuarrie (Missão Impossível: Nação Fantasma, 2016) e Dylan Kussman (Jack Reacher: O Ultimo Tiro, 2012), força a identidade dupla de Tom Cruise (franquia Missão Impossível) após Imhotep (Arnold Vosloo) o possuir.

Cruise justifica seu protagonismo pelo tempo em tela, mas demonstra um personagem vazio e sem profundidade, não conseguindo interpretar tanto seu papel brucutu como uma pessoa tendo que lidar com uma possessão poderosa. Todo desenvolvimento do novo Múmia é baseado em decisões simples e sem sentido – a resolução do terceiro ato é risível visto o que tinha sido apresentado até o momento. Os outros personagens são tão vazios quanto a falta de foco de Kurtzman em querer iniciar uma franquia. No segundo ato, por exemplo, toda estrutura dramática, até então quase sem construção, desaparece por completo, quando o “Nick Fury” da Universal, aqui interpretado por Russell Crowe (Noé, 2012), é apresentado junto a uma interessante imitação da base Vingadores.

Se por um lado toda base dramática de um primeiro de muitos filmes não chegou nem perto de se estabelecer, por outro as cenas de ação conseguem arrancar bons momentos de aflição, como a excelente cena em gravidade zero da queda do avião que coloca sua adrenalina nas alturas – a cena é ainda mais intensificada graças a tecnologia da nova sala 4DX da UCI New York, inaugurada justamente com A Múmia. No geral, Cruise se limita em algumas cenas bem coreografadas de brigas e sacadas aqui e ali de um alívio cômico forçado e sem timing, jogadas apenas para esconder a falta de empatia com seu personagem. A fotografia também é outro ponto em que o longa se distancia da sua inspiração. O novo filme foge do tom egípcio dos anos 90 e pende mais para uma tentativa de suspense de terror, com cores mais neutras e sombrias – não há tensão nenhuma nas cenas de susto, exceto por alguns momentos com a verdadeira Múmia de Bouttela, que salvam do desastre total.

Se o maior vampiro do universo não teve força para dar o pontapé inicial que a Universal Pictures precisava para iniciar seu universo cinematográfico, o novo A Múmia pode ter conseguido com apenas uma cena – quando “Nick Fury” (Russell Crowe) apresenta sua instalação com várias amostras das criaturas famosas – e muita esperança de que possa dar certo no futuro. Filme por filme, não deixaram a Múmia mostrar a que veio, e nem o rei das missões impossíveis conseguiu carregar o longa sozinho.

Ficha Técnica

A MÚMIA (The Mummy)
Distribuidor: Universal Pictures
Gênero: Aventura, Fantasia, Terror
Classificação Etária: 12 anos
Data de Lançamento:  8 de Junho de 2017
Tempo de Duração: 1h e 51 minutos
Direção: Alex Kurtzman
Roteiro: David Koepp, Christopher McQuarrie
Produção: Alex Kurtzman, Chris Morgan, Sean Daniel, Roberto Orci
Montador Chefe: Paul Hirsch
Diretor de Arte: John Frankish

Elenco: Tom Cruises (Nick Morton), Sofia Boutella (Ahmanet / A Múmia), Annabelle Wallis  (Jenny Halsey), Russell Crowe (Henry Jekyll), Jake Johnson (Chris Vail), Courtney B. Vance (Coronel Gideon Forster), Marwan Kenzari (Malik), Stephen Thompson (First Man).

Sinopse: Na Mesopotâmia, séculos atrás, Ahmanet (Sofia Boutella) tem seus planos interrompidos justamente quando está prestes a invocar Set, o deus da morte, de forma que juntos possam governar o mundo.  Mumificada, ela é aprisionada dentro de uma tumba. Nos dias atuais, o local é descoberto por acidente por Nick Morton (Tom Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson), saqueadores de artefatos antigos que estavam na região em busca de raridades. Ao lado da pesquisadora Jenny Halsey (Annabelle Wallis), eles investigam a tumba recém-descoberta e, acidentalmente, despertam Ahmanet. Ela logo elege Nick como seu escolhido e, a partir de então, busca a adaga de Set para que possa invocá-lo no corpo do saqueador.

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Sobre o autor

Diego Sousa
Trooper (Redator)

Estudante de Jornalismo, a paixão por filmes e séries aumentou depois que passou a ser referência dos amigos na hora de assistir uma boa obra. Tem como recorde pessoal ir ao cinema 63 vezes no ano e assiste mais de 20 séries ao mesmo tempo. Ele só gosta de comentar sobre tudo.