‘POR QUE NÃO RELEMBRAR AS ORIGENS DESSE QUE É UM DOS ENREDOS MAIS ADAPTADOS QUE EXISTE?’

Sob a direção de Antoine Fuqua (Nocaute), “Sete Homens e Um Destino” chega aos cinemas no próximo dia 22 com um elenco promissor. Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Lee Byung-hun, Vincent D’Onofrio, Manuel Garcia-Rulfo e Martin Sensmeier, são os mais novos “Magnificent Seven”**,   pistoleiros contratados para dar um fim ao vilão da trama. Enquanto não se ouve o sino do relógio da cidade que dará início a mais um duelo de vida ou morte no Oeste dos Estados Unidos do século XIX, por que não relembrar as origens desse que é um dos enredos mais adaptados que existe?

E acredite ou não, mas tudo começou em 1954 com o filme “Os Sete Samurais” de Akira Kurosawa. A trama se passa no século XVI e narra a judiação de um pobre vilarejo que sofria às custas de bandidos que constantemente a atacavam, e num ato desesperado, um pequeno grupo de homens sai de suas casas para buscar samurais que possam ajudá-los. Com muita dificuldade, encontram Kambei, que aceita o trabalho, e junta mais seis para ir com ele em defesa dos camponeses.

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“Os Sete Samurais” de Akira Kurosawa | Copyright Le Pacte

Considerado um dos maiores filmes já feitos, foi o mais caro de Akira Kurosawa, tendo as filmagens interrompidas várias vezes por estouro do orçamento e até por falta de cavalos para a cena da batalha final. Mas apesar das dificuldades,  “Os Sete Samurais” não só influenciou diretamente na releitura para o Western de 1960, “Sete Homens e Um Destino”, de John Sturges,  mas também na criação de novos conceitos para enredos e técnicas no Cinema.

A figura dos anti-heróis que lutam contra um mal maior, a introdução de personagens de caráter duvidoso nos filmes de faroeste (como os de Clint Eastwood) bem como as típicas cenas dos vilões se aproximando no horizonte montados em seus cavalos, o uso de câmeras espalhadas para a captura da imagem a partir de diversos ângulos nas cenas de ação e o uso da câmera lenta para o momento da morte e o detalhe da chuva torrencial em batalha, explorando assim a beleza estética até mesmo nas cenas de violência, são os pontos marcantes do épico japonês.

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George Lucas bebeu da fonte de Kurosawa para criar os Jedi da saga Star Wars

O próprio George Lucas citou ter sido influenciado pelo filme, tanto para a criação dos Jedi ( como o código de honra baseado no Bushido*** e o próprio termo “jedi” que veio do nome dado ao gênero de filme de época no Japão, “jidai-geki”) quanto para a do personagem Yoda, que coça a cabeça como o líder Kambei. Mas conquistar o Oeste e uma “galáxia muito muito distante” não foi tudo que a grande obra de Akira Kurosawa conseguiu. A comédia “¡Three Amigos!”, de John Landis, com Steve Martin, Martin Short e Chavy Chase, e a animação “Vida de Inseto”, da Pixar, podem ser citados como parte da lista.

Agora passa rolando no deserto aquela bola de feno, os coiotes começam a se preparar para o uivo enquanto o sol se põem, e embora não se veja, não se admita, o medo da cidade deixa o ar mais denso, e olhos ansiosos buscam o relógio de vez em quando, e enquanto os ouvidos não escutam o sino que selará um destino, o filme “Os sete samurais” fica como dica.

Confira um trailer de “Os Sete Samurais”:


*”Agora somos sete” (fala do filme faroeste “Sete homens e um destino”)
** “Os sete magníficos” (alusão ao nome  original do filme faroeste “Sete homens e um destino”)
***código de honra e estilo de vida dos samurais

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