“Disney e sua computação gráfica além do necessário”

 

“Necessário, somente o necessário” nunca foi a fórmula que a Disney utilizou em suas produções e seguindo a nova era de revisitar o seus clássicos, como Alice no País das Maravilhas (2010), Malévola (2014) e Alice Através do Espelho (2016 ) o estúdio traz mais uma aventura em versão live action para as telonas, a releitura da animação “Mogli – O Menino Lobo”, clássico de 1967 baseado no livro “The Jungle Book” de  Rudyard Kipling. Mas não se engane pensando ser uma cópia fiel à produção de 1967.

©2015 Disney Enterprises, Inc. All Rights Reserved.

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Sob a direção de Jon Favreau, que deu o tom ao universo Marvel com os filmes “Homem de Ferro” (2008) e “Homem de Ferro 2” (2010), “Mogli – O Menino Lobo” conta a história de um bebê abandonado na selva, que é criado por uma família de lobos. Alguns anos depois, já ambientado ao lugar, o menino vê sua alcateia sendo confrontada pelo tigre Shere Khaan, que percebe na figura de Mogli uma ameaça à harmonia da Selva. Então, a criança parte em sua jornada para encontrar o seu verdadeiro lar. A direção de Favreau não teve grandes problemas. O diretor já conhece os caminhos de um bom blockbuster e conseguiu dar uma nova perspectiva para a história. Nas cenas de ação, consegue utilizar bem os movimentos de câmeras tirando qualquer artificialidade ao filme, mas não pode evitar um início arrastado que possa ter sido provocado pelo roteiro simples de Justin Marks (Street Fighter – A Lenda de Chun-li / 2009), que tentou utilizar elementos do universo adulto, mas não conseguiu fugir da linha infantil. Não que seja ruim, mas não pense que se trata de um filme para reflexão adulta. Trata-se de um filme infantil.

© 2015 Disney Enterprises, Inc. Todos os direitos reservados.

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Falando de Infantil, o único de “carne e osso” é justamente o menino Mogli interpretado por Neel Sethi. Acredito que a escolha pelo ator mirim tenha sido dada pela semelhança a figura de Mogli na animação, porque em muitos momentos faltou mais expressão ao ator, prejudicando sua interpretação. Talvez por falta de cuidado do diretor na condução do protagonista. Todos os outros personagens são frutos de computação gráfica e dublados por atores de hollywood, mas para o público brasileiro, a Disney revela uma versão dublada por atores da constelação Global, como Marcos Palmeiras, Thiago Lacerda, Aline Morais e mais alguns. Portanto fica muito difícil analisar o produto original.

A dublagem peca em muitos momentos e principalmente nos dois únicos musicais do filme, que foram inseridos de maneira nada orgânica, só para agradar os fãs da animação. A Disney tem a cultura de chamar famosos atores brasileiros para a dublagem de seus personagens no cinema. Acredito que seja na tentativa de produzir veiculação espontânea na mídia, mas vale uma crítica a essa prática. A dublagem brasileira é considerada uma das melhores do mundo e não é graças aos atores de TV. Nesse caso específico, prejudicou muito o filme. Ainda bem que o CGI foi praticamente impecável.

Temos que tirar o chapéu para Jon Favreau e o diretor de fotografia Bil Pope (Homem- Aranha 3 / 2007, Homens de Preto 3 / 2012), porque conseguiram trabalhar muito bem na condução da equipe que criou praticamente todo o universo de Mogli, utilizando a mesma técnica do filme “As Aventuras de Pi” (2012). O CGI e a fotografia são a marca desse trabalho. “Mogli – O Menino Lobo” atingiu um novo patamar de realidade em computação gráfica e pode se tornar um parâmetro para novos trabalhos. A caracterização dos animais, todo o movimento e construção da selva foram tão realistas que você vai se sentir inserido nesse mundo de maneira natural e acreditando que é real, ainda mais com a ajuda da trilha sonora de John Debney, que mesmo não sendo nada espetacular, conduziu bem o ritmo do filme.

© 2015 Disney Enterprises, Inc. Todos os direitos reservados.

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Apesar de utilizar, sem muitas complicações, o roteiro com base na “jornada do herói”, “Mogli – O Menino Lobo” erra em tentar atingir dois públicos, levantar algumas questões morais e desprezar outras, tentando dar um ar mais adulto, porém está bem claro que o público principal é infantil. Apesar do uso de um tom mais violento, mas que é presente em qualquer produção da Disney.­

Ficha Técnica

 MOGLI – O MENINO LOBO (THE JUNGLE BOOK)

Distribuidor/Produtora: Disney

Gênero: Live-action, ação e aventura

Classificação Etária: 10 anos

Data de Lançamento: 14 de Abril 2016

Tempo de Duração: 1h 46 minutos

Direção: Jon Favreau

Produtores: Jon Favreau, Brigham Taylor

Roteiro: Justin Marks

Elenco: Bill Murray(Baloo), Ben Kingsley (Bagheera), Idris Elba (Shere Khan), Lupita Nyong’o (Rakcha), Scarlett Johansson (Kaa), Giancarlo Esposito (Akela), Neel Sethi (Mogli) e Christopher Walken (Rei Louie).

 SINOPSE:

Um menino criado por uma família de lobos, sente que não é mais bem-vindo na floresta quando o temido tigre Shere Khan, que carrega cicatrizes causadas por caçadores, promete eliminar o que ele considera uma ameaça. Forçado a abandonar o único lar que conhece, Mogli embarca em uma cativante jornada de autoconhecimento, guiado pela pantera e mentora Bagheera e pelo alegre urso Baloo.

Crítica | Mogli - O Menino Lobo
Roteiro
Direção
Dublagem
Edição
Efeitos Especiais
Trilha Sonora
Pontos Positivos
  • Direção
  • CGI
  • IMAX
Pontos Negativos
  • Ator Mirim
  • Roteiro
  • Dublagem
3.4Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

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