NETFLIX | FRONTIER - TEMPORADA 1 (CRÍTICA)
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‘JASON MOMOA NO SEU MELHOR ESTILO EM BOM DRAMA DE ÉPOCA’

O ator Jason Momoa, que se destacou na Indústria com seu personagem Khal Drogo, em Game of Thrones, e agora será o rei dos mares Aquaman em Liga da Justiça, está em seu melhor momento na carreira – não é à toa, talento e simpatia ele tem de sobra. Aproveitando a ascensão do característico ‘monstrengo’, a Netflix em parceria com a emissora Discovery Channel  estreia a série de época Frontier, um drama sangrento sobre o comércio de pele no século XVII que protagoniza o astro em todos os sentidos.

Em primeiro momento, a impressão que dá é de que série fosse ter uma narrativa semelhante a Game of Thrones. Pelo contrário, a trama de Frontier é mais simples do que parece. No século XVII, o comércio de peles anda a todo vapor e as diversas empresas que comercializam procuram uma rota diferente para obterem vantagem. Diante dessa premissa, Decklan Harp (Jason Momoa), um ex-funcionário do governo inglês e agora o homem que controla o sistema na fronteira com os territórios nortenhos, terá de estabelecer um acordo com os índios, donos da floresta, para desviar o comércio das peles, enquanto a companhia inglesa, comandada por Lorde Benton (Alun Armstrong), e outros oportunistas, tentam encontrar Harp e dominar o mercadejo.

Jason Momoa teve liberdade tanto como protagonista quanto produtor executivo para imprimir sua identidade.

O clima temporal é ainda mais caracterizada pelos métodos usados nas negociações. Harp e Lorde Benton são o típico anti-herói e antagonista do programa. Jason Momoa teve liberdade tanto como protagonista quanto produtor executivo para imprimir sua identidade: um homem intensamente brutal e que impõe respeito, justo como o papel que lhe lançou ao mundo. Aqui, o temperamento sangrento de Harp é justificado por seu passado, de perdas e angústia, e pela sua sede de vingança, rapidamente ativada quando o nome do responsável é mencionado. Do outro lado, Lorde Benton segue pelos mesmos motivos que seu ex-funcionário, mas com intensidades diferentes: o antagonista quer vingança por Harp tê-lo traído enquanto da Companhia. Ao longo dos 6 episódios encomendados, o conflito dramático entre os dois se torna o verdadeiro argumento de Frontier, rendendo boas cenas de ação e diálogos fortes e profundos.

Capitão Chesterfield (Evan Jonigkeit) transparece um homem perverso e ambicioso.

Como tema central que desencadeia as emoções pessoais dos principais, a trama das negociações também não faz feio, apesar de ter furos no roteiro. Pode ser devido ao número reduzido de episódios ou simplesmente por descuido dos roteiristas, não dando muita atenção se determinadas escolhas no roteiro não fazem muito sentido e também não se importa em explicar – Harp faz o que quer na cidadezinha onde toda Companhia está instalada e ninguém o vê.  O lado positivo são os personagens que compõem essa parte da história, papéis ricos que são introduzidos, mas pouco desenvolvidos; o ombro direito de Lorde Benton, Capitão Chesterfield (Evan Jonigkeit), transparece um homem perverso e ambicioso;  Samuel Grant (Shawn Doyle) e seu guarda Cobbs Pond (Greg Bryk), manipuladores e poderosos americanos; Grace Emberly (Zoe Boyle) e Elizabeth (Katie McGrath) – aliás, vale a pena ficar de olho nas duas, pois elas mostraram muito potencial e sangue frio. Há também o destaque da temporada, o jovem Landon Linborion (Hemlock Grove), que interpreta o corajoso Michael Smith. Esse personagem é o responsável por conduzir toda ação direta até um desfecho surpreendente e aberto.

Os cenários bastante temporais e sólidos fazem um belo contraste com o vermelho tanto do sangue quanto do uniforme da Companhia. A ação bem dirigida, com muita violência e 0 de pudor, dão um show à parte e garantem um bom entretenimento. Continuando as lembranças de Game of Thrones, Jason Momoa em Frontier está mais para um Khal Drogo com roupas mas igualmente cruel – suas cenas de ação são de longe as melhores e mais pesadas.

Cenários bastante temporais e sólidos

Quanto a parte histórica, a série recebeu críticas de que fidelidade não é um ponto em que se destaca, mas não chega a incomodar  porque os criadores Brad Peyton e os irmãos Blackie fizeram com que o roteiro não criasse tantas referências, e sim jogando conflitos em cima dele.

No final, os seis episódios satisfazem em questão de expectativa para a segunda temporada – que já está em produção. Frontier é uma boa e violenta série de drama, cheia de papéis ricos e com potenciais para crescerem nos próximos anos. O problema é que Jason Momoa leva o programa nas costas, porque os outros personagens não tiveram espaço suficiente para brilhar. Após os eventos do primeiro ano, o sensato seria focar nos coadjuvantes e desenvolver a trama comercial, que pode render um bom e grande alvoroço e balançar a série.

Ficha Técnica


FRONTIER
Distribuidor: Netflix
Gênero: Aventura, Ação, Western
Classificação Etária: 18 anos
Data de Lançamento: 20 de Janeiro de 2017
Tempo de Duração: 46 minutos
Direção: Brad Peyton, Ken Girotti
Criador: Brad Peyton
Roteiro: Peter Blackie, Rob BlackieRob Blackie
Produtores: Brad Peyton, Jeff Fierson, Peter Blackie, Rob Blackie

Elenco: Alun Armstrong (Lord Benton), Evan Jonigkeit (Captain Chesterfield), Jason Momoa (Declan Harp), Jessica Matten (Sokanon), Landon Liboiron (Michael Smyth), Shawn Doyle (Samuel Grant), Zoe Boyle (Grace Emberly), Allan Hawco (Douglas Brown), Breanne Hill (Mary), Charles Aitken (Capitão Johnson), Christian McKay (Father James Coffin), Diana Bentley (Imogen), Greg Bryk (Cobbs Pond), Jean-Michel Le Gal (Commander Everton), Katie McGrath (Elizabeth Carruthers), Michael Patric (Malcolm Brown), Neil Napier (Xavier), Paul Ewan Wilson (Vanstone), Paul Fauteux (Jean-Marc Rivard), Raoul Max Trujillo (Machk), Stephen Lord (Cedric Brown), William Belleau (Dimanche).

Sinopse:
Diversos jogadores se envolvem no comércio de peles da fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos. O mercado no qual discussões de negócios costumam acabar em machadadas, ainda entrará em conflito com povos nativos, ás custas de muitas vidas de ambos os lados.

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