CRÍTICA | VIDA
Roteiro
Direção
Elenco (Personagens)
Fotografia
Trilha Sonora
2.9Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

‘ASSISTA SEM GRANDES EXPECTATIVAS, IGNORE AS INCOERÊNCIAS E DIVIRTA-SE’

Vivemos em um pequeno planeta localizado em uma galáxia dentre milhões já descobertas. A vastidão do espaço, assim como nosso pouco conhecimento em relação a ele, sempre despertou a curiosidade humana, povoando nosso imaginário e dando origem a inúmeras pesquisas e tentativas de comunicação com seres intergalácticos. Estaríamos mesmo sozinhos no universo?

Em Vida, dirigido por Daniel Espinosa (Protegendo o Inimigo, 2012), um grupo de seis astronautas de diferentes nacionalidades trabalha em uma estação espacial em missão de exploração. Inicialmente suas pesquisas são consideradas bem-sucedidas após uma sonda enviada a Marte revelar a existência de um organismo vivo em estado de hibernação. O alienígena, batizado de Calvin, se mostra inteligente e desenvolve-se depressa, passando de uma única célula a uma criatura que interage ativamente com os cientistas e o espaço à sua volta.

Ambiente de gravidade zero é bem aproveitado.

Desde a primeira sequência, a câmera, que parece flutuar pela estação espacial, situa o espectador na trama, aproveitando o ambiente de gravidade zero de forma inteligente. A fotografia de Seamus McGarvey (Os Vingadores, 2012) e os efeitos especiais bem trabalhados contribuem ainda mais para a excelente técnica do filme. O roteiro, porém, peca ao optar por soluções fáceis e situações de risco clichês.

Apesar do ritmo lento, o início de Vida parece promissor. A descoberta da existência de formas de vida inteligentes em outro planeta é apresentada de forma verossímil, levando o espectador a “comprar” a ideia proposta. No entanto, quando Calvin se revela um ser hostil e agressivo, a trama assume um tom mais voltado para o suspense e o roteiro começa a escorregar. Como qualquer criatura, o alien depende de uma série de condições ideais para manter-se vivo, como alimento e oxigênio. Tais condições, porém, são ignoradas sempre que conveniente para intensificar a ameaça aos personagens.

O roteiro fraco é sustentado pela qualidade técnica e nomes conhecidos.

Personagens que, aliás, não tem desenvolvimento algum. O elenco de peso é subaproveitado em papéis com pouco carisma e sem história própria, que não geram identificação alguma com o espectador. Na pele do engenheiro americano Rory Adams, Ryan Reynolds (Deadpool, 2016) é mais uma vez o cara engraçadinho, claramente o alívio cômico do filme (os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, aliás, são os mesmos do filme do anti-herói da Marvel. Coincidência?). Já Jake Gyllenhaal (Nocaute, 2015) interpreta o Dr. David Jordan, um inexpressivo ex-militar frustrado com a humanidade que se envolve em um (quase) romance sem química alguma com Miranda (Rebecca Ferguson), a médica da equipe. O biólogo Hugh Derry (Ariyon Bakare, Rogue One – Uma História Star Wars) é possivelmente o personagem mais interessante, representando o cientista que, fascinado pela descoberta, não percebe os riscos envolvidos até que seja tarde demais.

Não espere por uma trama original ou um final surpreendente. Vida é cheio de situações previsíveis, o roteiro fraco sustentado pela qualidade técnica e nomes conhecidos envolvidos na produção. Assista sem grandes expectativas, ignore as incoerências da trama e divirta-se.

Ficha Técnica


VIDA (Life)
Distribuidor: Sony Pictures
Gênero:Ficção científica, suspense, terror
Classificação Etária:
Data de Lançamento:  20 de abril de 2017
Tempo de Duração: 1h e 44 minutos
Direção: Daniel Espinosa
Roteiro: Rhett Reese e Paul Wernick
Produção: David Ellison, Dana Goldberg, Bonnie Curtis, Julie Lynn

Elenco: Jake Gyllenhaal (Dr. David Jordan) Rebecca Ferguson (Dr. Miranda North), Ryan Reynolds (Rory “Roy” Adams), Hiroyuki Sanada (Sho Murakami) Ariyon Bakare  (Hugh Derry), Olga Dihovichnaya (Ekaterina Golovkina)

Sinopse: Uma equipe de seis astronautas da Estação Espacial Internacional descobre sinais de vida inteligente em Marte e a investigação do fato gera consequências inimagináveis.

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