CRÍTICA | VELOZES & FURIOSOS 8
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‘MESMA FÓRMULA, PORÉM PERDE A CADA SEQUÊNCIA O CONJUNTO DE UM BOM FILME’

Nos três primeiros filmes da franquia Velozes e Furiosos, aquele clima de clandestinidade pairava em todas as boas e bem montadas cenas de corrida, e também no roteiro mais informal das noites mundo afora. A série se consagrava como uma das mais eletrizantes da época, usando carros turbinados, perseguições e um protagonista para dar ritmo à história.

A partir da quarta parte, na necessidade de estabelecer um novo universo que fugisse das perseguições noturnas contra a polícia, e também se adequar ao mercado que vinha crescendo, a franquia adotou a ação como principal propósito para seguir adiante. Quatro filmes depois, vários altos e baixos, e muito dinheiro envolvido, a série chega ao oitavo longa com a mesma fórmula, porém perdendo a cada sequência o conjunto de um bom filme.

Depois dos eventos de Velozes e Furiosos 7, Don Toretto (Vin Diesel) e Letti  (Michelle Rodriguez) vivem uma vida longe de toda a adrenalina em Cuba. Os problemas acontecem quando uma mulher misteriosa convence Don a trabalhar para ela, o forçando a trair sua família. O roteiro mais uma vez usa a família como alicerce para o desenvolvimento da trama. Nesse, entretanto, a profundidade da família, como Don insiste em enfatizar, não ganha a importância necessária. Com exceção de Letti, os outros personagens parecem não se importar muito com o conceito de irmandade estabelecido durante vários anos.

Com exceção de Letti, os outros personagens parecem não se importar muito com o conceito de irmandade estabelecido durante vários anos

Não há envolvimento emocional suficiente que ligue os personagens ao espectador, por isso em vários momentos o roteiro solta uma reviravolta ou revela algo escondido para segurar o público nas mais de duas horas e dez minutos de filme. Entre um ‘plot twist’ e outro, entretanto, a ação continua sendo o principal atrativo. Jason Staham (Os Mercenários 3, 2014) surpreende mais uma vez como típico espião inglês, suas cenas são muito bem coreografadas e a montagem ajudam na experiência – o personagem tem a melhor sequência corpo a corpo do filme.

Ainda na ação, o exagero é um recurso que se estabeleceu ao longo dos anos. Bem ou mal, fato é que, em Velozes e Furiosos 8, o irreal está ainda mais presente. Agente Hobbs (Dwayne ‘The Rock’ Johnson) logo se tornou o superpoderoso da franquia – literalmente. Há dois filmes que a série dá essa liberdade a The Rock de extrapolar na superforça e na camiseta apertada. É até parte do alívio cômico dos filmes ver os personagens desafiando as leis da vida para resolverem seus problemas. Os efeitos visuais ajudam ainda mais na irrealidade nas cenas, mas garantem um belo espetáculo – o clímax, apesar de bizarro, é arrepiante. O auge do filme fica na sequência das ruas de New York, onde começa a chover carros. Bizarrices à parte, é sensacional.

Os efeitos visuais ajudam ainda mais na irrealidade nas cenas, mas garantem um belo espetáculo

Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria, 2015) faz a antagonista como manda o figurino. Não pela vontade de dominar o mundo, mas pela representação na evolução do protagonista. A vilã é movida por vingança, usa a maior fraqueza do herói contra ele, avança na história, mas é derrotada no final. Vin Diesel (Franquia Velozes e Furiosos), por sua vez, talvez esteja no seu melhor estado dentro da franquia. Mesmo com os deslizes no desenvolvimento, e meio que superficial, o ator é o que mais evolui como personagem.

Mais personagens dessa vez contribuem ao alívio cômico do filme. Há aquelas tiradas que realmente tiram uma risada do espectador, as repetidas boas atuações de Tyrese Gibson (Velozes & Furiosos 7, 2015) e do próprio Dwayne Johnson fazem a diferença tanto positivo quanto negativamente – são eles também quem mais forçam uma piada. A rivalidade entre Dwayne e Staham, estabelecida no filme anterior, rende bons momentos também – aliás, o ex-vilão com sotaque inglês é a maior surpresa do filme, combinando ação e comédia muito bem.

Velozes e Furiosos 8 é um filme que desde o começo não se leva a sério. O contexto da trama, a relação família, ainda mais depois do dramático Velozes 7, não combinam com as piadas desenfreadas e da ação espalhafatosa. São propostas diferentes em que predominou as questões de mercado. Uma franquia grande precisa se reinventar para não cair na mesmice.

Ficha Técnica

VELOZES & FURIOSOS 8 (The Fate of the Furious)
Distribuidor: Universal Pictures
Gênero: Ação, Suspense
Classificação Etária: 14 anos
Data de Lançamento:  13 de abril de 2017
Tempo de Duração: 2 h e 16 minutos
Direção: F. Gary Gray
Roteirista: Chris Morgan
Produção: Vin Diesel, Neal H. Moritz, Chris Morgan, Chris Morgan
Montador chefe: Paul Rubell
Trilha Sonora: Brian Tyler
Elenco: Vin Diesel (Dominic Toretto), Dwayne Johnson (Hobbs), Jason Statham (Deckard Shaw), Michelle Rodriguez (Letty “Ortiz” Toretto), Tyrese Gibson (Roman Pearce), Charlize Theron (Cipher), Ludacris (Tej Parker), Nathalie Emmanuel (Ramsey).

Sinopse:

Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão curtindo a lua de mel em Havana, mas a súbita aparição de Cipher (Charlize Theron) atrapalha os planos do casal. Ela logo arma um plano para chantagear Dom, de forma que ele traia seus amigos e passe a ajudá-la a obter ogivas nucleares. Tal situação faz com Letty reúna os velhos amigos, que agora precisam enfrentar Cipher e, consequentemente, Dom.

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