‘ENTREGUE-SE AO COLORIDO DE TROLLS’ 

A felicidade em muitos casos está ligada à conquista: a busca incessante de um bom emprego, a vitória de um diploma, a compra de um automóvel, uma casa confortável, uma bela esposa e a vida seguindo esse rumo. Curiosamente, nessa semana li um conto budista sobre o ego e segundo mestre Ramana Maharshi (Advaita Vedanta), a felicidade não é algo que se conquiste, mas simplesmente é a própria pessoa. Quando dependente da externalidade, é porque algo está errado e pode ser consequência do nosso ego.

Trolls, a nova animação da DreamWorks, fala justamente sobre essa maravilha que tantos procuram. Já são vinte anos desde que os Trolls escaparam dos Bergans, que acreditam que a única forma de conquistar a felicidade é comer um troll. Os pequeninos formaram uma comunidade secreta na floresta e vivem felizes em uma atmosfera bem colorida, musical e cheia de abraços. A Princesa Poppy (Anna Kendrick), filha do Rei Peppy (Jeffrey Tambor) que liderou a libertação dos Trolls, organiza uma festa com muita música alta e brilho, para comemorar o grande feito do rei, mas não contava que tal comemoração fosse entregar a localização do esconderijo troll e vê parte de seu povo sequestrado por Bergans para que o Rei Gristle (Christopher Mintz-Plasse) conquiste a tão sonhada felicidade. Sentindo-se responsável, Poppy sai em uma missão para resgatá-los, e Tronco (Justin Timberlake), um troll bem diferente dos demais, o qual havia avisado que esse terrível mal poderia atingir a todos, vai a contragosto acompanhar a princesa nessa aventura suicida.

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Os coloridos Trolls.

O roteiro de Jonathan Aibel e Glenn Berger (Kung Fu Panda 3) vem com uma mensagem clara sobre a felicidade, mas de forma bem sútil é possível perceber um pouco da filosofia vegana em torno do enredo. São experientes roteiristas de animação e já dominam a fórmula do mercado. Apesar da estrutura ser muito parecida com outros de seus trabalhos, aplicam forte tensão em momentos do enredo, que em conjunto com a direção pode causar uma verdadeira depressão na sala de cinema, mas com um fechamento divertido e com a clara mudança de perspectiva.

Os diretores Mike Mitchell e Walt Dohrn já trabalharam juntos em outra animação divertida do estúdio, o Gato de Botas (2011). O dois conseguiram acertar em um ponto fundamental nesse filme, a paleta de cores. Criaram muito bem os dois núcleos da história. De um lado temos os Trolls super felizes e amáveis que são representados por uma gama de cores, que deixa a tela do cinema bem psicodélica (lembrei um pouco dos pôneis malditos da Nissan). Do outro lado, Bergans tristes, deprimidos e verdadeiros zumbis sendo representados por cores bem cinzentas, que imerge o expectador ao universo depressivo dos ogros. Conseguiram equilibrar os pontos de tensão, segurar bem os segredos por trás de algumas histórias e revelar no momento oportuno de forma orgânica. A música é presente e peça fundamental do roteiro e sucesso da animação. Em sua maioria, os diretores conseguiram equilibrar os pontos de entrada, complementar os diálogos e dar o ritmo certo ao enredo. No início da jornada da personagem principal, a passagem para o momento musical foi um pouco agressiva, chegou a ficar um pouco cansativa, mas não prejudicou o todo.

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Os Cinzentos Bergans.

A Produção Musical, ponto alto da animação, ficou a cargo de Justin Timberlake, que escreveu  Can’t Stop The Feelin especialmente para o filme e que estreou nos Estados Unidos no topo da Billboard Hot 100. A maior parte das músicas foram adaptadas para a versão brasileira, mas o tema principal e mais outras três foram mantidas no original. A questão da dublagem adaptada ao país pode ser ponto negativo para os adultos, mas talvez seja essencial para o público infantil. No caso dos personagens, todos receberam dubladores brasileiros, que não prejudicaram o trabalho da direção e mantiveram a química dos personagens principais.

Trolls, tem um ritmo implacável e consegue cumprir com a proposta que confronta com o pensamento egocêntrico do nosso século e de quebra deixa uma filosofia vegana no ar. É uma animação muito divertida, com uma coleção de músicas que a torna bem pop e é bem positiva para crianças e adultos. Entregue-se ao colorido de Trolls e vá ao cinema sem em medo de sorrir.

Ficha Técnica

trolls-1TROLLS (Trolls)
Distribuidor/ Produtora: DreamWorks / Fox Film Brasil
Gênero: Animação
Classificação Etária: Livre
Data de Lançamento: 27 de Outubro de 2016
Tempo de Duração: 1h 33min
Direção: Mike Mitchell, Walt Dohrn
Roteiro: Jonathan Aibel, Glenn Berger
Produtor: Jonathan Aibel, Glenn Berger, Andrew Adamson
Trilha Sonora: Christophe Beck
Produção Musical:Justin Timberlake

Elenco Original: Anna Kendrick (Princesa Poppy), Justin Timberlake (Tronco), Gwen Stefani (DJ Suki), Kunal Nayyar (Guy Diamante), Russell Brand (Creek), James Corden (Biggie), Zooey Deschanel (Bridget), John Cleese (King Gristle).

Sinopse

Tronco (Justin Timberlake) parte para uma jornada de descobertas e aventuras ao lado de Poppy (Anna Kendrick), líder dos Trolls. Inicialmente inimigos, conforme os desafios são superados eles descobrem que no fundo combinam.

CRÍTICA | TROLLS
Direção
Roteiro
Elenco
Produção Musical
Direção de Arte
3.9Pontuação geral
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