CRÍTICA | OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES - RUMO A HOLLYWOOD
Direção
Roteiro
Elenco
Direção de Arte
Fotografia
Trilha Sonora
3.5Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

‘UMA BELA ATMOSFERA NOSTÁLGICA’

É inquestionável que Os Trapalhões contribuíram muito para o cinema nacional em uma época que era quase inexistente, trazendo não apenas o entretenimento cômico da TV, mas apresentando um forte viés político em suas películas. Levaram às telonas problemas sociais do país de forma razoavelmente leve, porém muito marcante como em Os Vagabundos Trapalhões, que relata o problema de crianças abandonadas. Mesmo sendo ignorados pela crítica da época, os filmes sempre foram muito amados pelo grande público, principalmente o infantil.

Renato Aragão sempre foi um entusiasta do cinema e toda sua história com a sétima arte e com a TV presenteou uma geração e não é atoa que foi o grande homenageado da Comic Con Experience 2016, sendo ovacionado pela plateia de um painel da feira e tornando Os Trapalhões em um ícone da cultura pop brasileira. O líder da trupe atrapalhada levou 41 filmes para os cinemas e dentre tantos realizados, Os Saltimbancos Trapalhões (1981) é considerado por muitos o melhor, e após 18 anos do último filme realizado, Os Trapalhões estão de volta aos cinemas com uma homenagem a obra que os consagrou.

É impressionante ver como a dupla Didi e Dedé dá certo.

 Em Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood, o Grande Circo Sumatra está em crise financeira desde a lei que proíbe a participação de animais em espetáculos. Barão Bartholo (Roberto Guilherme), dono do circo, acaba tendo que alugar o espaço do circo para eventos do prefeito de Barra Feia, Aurélio Gavião (Nelson Freitas). Em meio a isso, Didi (Renato Aragão) acredita que encontrou em seus sonhos a solução para salvar o circo e com a chegada de Karina (Letícia Colin), filha do Barão, produzem um novo show musical, mas com grande resistência de Satã (Marcos Frota) e o prefeito.

A direção de João Daniel Tikhomiroff (Mato Sem Cachorro, 2016) é positiva em traçar de forma bem equilibrada toda a estrutura e entregando pouco a pouco o objetivo do filme. É impressionante ver como a dupla Didi e Dedé dá certo e João realizou um bom trabalho em equilibrar o tom das piadas. O mais impressionante é que o humor da dupla ainda funciona. O diretor teve certa dificuldade para desenvolver todos os personagens, mas que também não foi um grande problema. Conseguiu um belo trabalho em conjunto com a direção de arte, outro ponto alto filme, que entrega uma bela e nostálgica composição visual.

A proposta de Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood é ser um filme de homenagem e cumpre muito bem com um belo e emocionante final.

O roteiro assinado por Mauro Lima (Tim Maia, 2013), diferente do título, deixa bem claro que é uma grande homenagem ao filme de 1981, com uma releitura bem realizada de canções do musical de Chico Buarque, ao circo e ao cinema. A estrutura da narrativa é bem lúdica e traz um tom doce e suave com uma atmosfera bem poética. As partes musicais foram bem encaixadas no enredo e muito bem coreografadas. Apesar do nome “Rumo a Hollywood”, são poucas as referências ligada ao título. Soam apenas como homenagem e apelo cômico, mas que não atrapalhou em nada na intenção do filme.

A proposta de Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood é ser um filme de homenagem e cumpre muito bem com um belo e emocionante final. Veio para trazer com poesia um ar nostálgico ao cinema e ao humor brasileiro que se revela nebuloso demais. Pode ser que você que viveu na época do primeiro não sinta a mesma empatia com os personagens de hoje, como sentiu com o clássico dos trapalhões, mas pode ter certeza que emoção não vai faltar e quem sabe até uma lágrima sorridente vai cair suavemente de seus olhos.

Ficha Técnica

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES – RUMO A HOLLYWOOD
Distribuidor: DOWNTOWN FILMES
Gênero: Comédia, Musical
Classificação Etária: Livre
Data de Lançamento:  19 de janeiro de 2017
Tempo de Duração: 1 h e 30 minutos
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Roteiro: Mauro Lima
Produção: Eliane Ferreira, Hugo Janeba, Michel Tikhomiroff, João Daniel Tikhomiroff, Carlos Diegues
Diretor de Fotografia:Cláudio Amaral Peixoto
Montadora:Letícia Giffoni
Elenco: Renato Aragão (Didi), Dedé Santana (Dedé), Livian Aragão (Luiza), Rafael Vitti (Pedro), Letícia Colin (Karina Bartholo), Emílio Dantas (Frank Severino), Alinne Moraes (Tigrana), Marcos Frota (Satã), Maria Clara Gueiros (Zoroastra), Roberto Guilherme (Barão Bartholo), Nelson Freitas (Prefeito Aurélio Gavião), Marcos Veras (Carlos)

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Sinopse:

O Grande Circo Sumatra está em meio a uma grande crise financeira desde a proibição de animais em espetáculos e Barão (Roberto Guilherme), dono do circo, acaba aceitando fazer leilões de gado, comícios e outros eventos alternativos no circo. Didi (Renato Aragão) e Karina (Letícia Colin), artistas do circo, estão infelizes com a situação e decidem montar um novo número e, assim, tentar atrair o público novamente.

 

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