‘ABRA SEU CORAÇÃO MAIS UMA VEZ’

Todos sabem que a Disney procura reinventar as histórias contadas há séculos e traduzi-las em narrativas leves para crianças, porém profundas e emocionantes para adultos. É a questão do pai que acompanha o filho nas salas de cinema. Saber que o público adulto também é público e é decisivo na criação e evolução dos filmes lançados pela gigante dos desenhos. Os recentes Zootopia (um surpreendente sucesso de bilheteria), de 2016, e Divertida Mente, de 2015, não deixam os pais insatisfeitos. Até mesmo O Bom Dinossauro, do ano passado, um pouco deixado de lado pelos espectadores, deixa claro que há inteligência e compreensão de emoções complexas e questões que vão muito além da superfície da brincadeira infantil.

A mesma reinvenção é encontrada em Meu Amigo, o Dragão (2016), que, antes de tudo, se questiona o que é uma aventura, o que também traz todo o sentido de citar a moda de ressuscitar animações de sucesso e transformá-las em live-action. A releitura, dessa vez, é o remake do filme de mesmo nome da década de 70 que conta a história de Pete (Oakes Fegley), um menino que perde os pais em um acidente de carro e vive por anos numa floresta acompanhado de um dragão que o protege. Ao ser encontrado, Pete é obrigado a se separar de seu amigo e corre o risco de perdê-lo.

Efeitos gráficos dando destaque à pelagem verde do dragão

Sobre aventura, ela mesma é reconstruída na tela, correndo fora do que se espera de uma peça eletrizante e dinâmica. A ação é vista pelo olho da criança, no ritmo dela e nas questões que a assombram. Nesse sentido, o filme se torna um apanhado de referências dos anos 80 que os “crescidinhos” tendem a absorver facilmente. Um agrado aos pais e mães, mas talvez a fórmula entre em choque com a geração acostumada ao non-stop de estímulos.

Elliot, o dragão, herda o companheirismo de seu antecessor setentista e se apresenta no melhor dos efeitos gráficos, dando destaque a sua pelagem verde. Os recursos técnicos não se mostram desmedidos, por exemplo, ao não abusarem do poder de invisibilidade do personagem que se esconde dos caçadores perseguidores de sua lenda. Muito pelo contrário, os efeitos tornam o filme esteticamente bem cuidado e bonito, totalmente adaptáveis às maiores telas possíveis. Sem deixar de lado a potência sonora de tais salas, a competência da trilha sonora traz novamente o ar das referências dos anos 80, se tornando o ponto alto do filme no momento em que se torna parceira das variações das intensidades das temáticas abordadas – o clássico combo Disney: família, amizade e coragem.

Elliot, o dragão, herda o companheirismo de seu antecessor setentista

Não é por falta de bom trabalho técnico, indo da trilha ao roteiro adaptado, mas sim dos atores apáticos e algumas falas redundantes que o filme não é uma grande obra da produtora. Ao ir de encontro com muitas referências, incluindo a versão original do longa, o filme se torna um genérico pouco expressivo e um tanto banal perto de histórias bem adultas ou bem infantis que todos esperam da Disney.

Ou seja, se questionar sobre aventura não foi o suficiente para ir muito além da mudança de tom de trabalhos externos do gênero. A própria aventura a ser contada não surpreende e não consegue sair do clássico maniqueísmo entre todos contra o lado bom e todos os bonzinhos que querem salvar a causa maior. Nesse caso, abra seu coração mais uma vez para ouvir a lenda já contada por trinta, quarenta ou cinquenta anos e aproveite o visual com um trabalho bem feito de quem erra pouco e, por isso mesmo, espera-se muito.

Ficha Técnica

MEU AMIGO, O DRAGÃO (Pete’s Dragon)
Distribuidor/ Produtora: Disney / Buena Vista
Gênero: Aventura, Comédia, Fantasia
Classificação Etária:  Livre
Data de Lançamento:  29 de setembro de 2016
Tempo de Duração: 1h 43 min
Direção: David Lowery
Roteiro: David Lowery
Fotografia: Bojan Bazelli
Produtor Executivo: Barrie M. Osborne
Trilha Sonora: Daniel Hart

Elenco: Bryce Dallas Howard (Grace Meacham), Robert Redford (Pai de Grace), Oakes Fegley (Pete), Oona Laurence (Natalie), Wes Bentley (Jack), Karl Urban (Gavin), Isiah Whitlock Jr. (Xerife Dentler), Augustine Frizzell (Mrs. Swanberg).

Sinopse:
Órfão, o pequeno Pete (Oakes Fegley) cansa de ser abusado pelos pais adotivos e foge de casa. Ele passa a viver numa densa floresta ao lado do amigo Elliot, um gigante dragão que desperta a curiosidade de moradores da região.

CRÍTICA | MEU AMIGO, O DRAGÃO
Direção
Roteiro
Elenco
Direção de Arte
Efeitos Especiais
Trilha Sonora
3.8Pontuação geral
Avaliação do leitor: (1 Voto)

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